Zona do Euro, falas do Fed e Galípolo e Durigan no FMI: o que move os mercados

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Os mercados globais começam a sessão desta sexta-feira, 17, atentos a uma agenda carregada de indicadores na Zona do Euro, falas de dirigentes do Federal Reserve (Fed), dados de inflação no Japão e desdobramentos das negociações entre Estados Unidos e Irã, com impacto direto sobre o petróleo.

No Brasil, investidores acompanham indicadores da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e a agenda do ministro da Fazenda, Dario Durigan, e do presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, nas reuniões do Fundo Monetário Internacional (FMI).

O que acompanhar no exterior

A agenda internacional começa cedo na Zona do Euro. Às 05h, o Banco Central Europeu (BCE) divulga os dados de transações correntes de fevereiro, indicador importante para avaliar o fluxo líquido de recursos entre o bloco e o restante do mundo.

Na leitura anterior, o saldo foi de 37,9 bilhões de euros, enquanto o resultado sem ajuste sazonal havia ficado em 13 bilhões de euros. A projeção atual é de 27,6 bilhões. O indicador ajuda investidores a monitorar a posição externa da região e a sustentabilidade do financiamento da atividade econômica.

Também às 05h, a balança comercial da Itália será divulgada e pode oferecer pistas adicionais sobre o desempenho industrial da terceira maior economia do bloco.

Na sequência, às 06h, a Eurostat publica a balança comercial da Zona do Euro. O dado anterior mostrou déficit de 1,9 bilhão de euros, enquanto a expectativa atual aponta retorno ao superávit, em torno de 11,1 bilhões de euros. A recuperação do saldo comercial tende a reforçar sinais de resiliência do setor externo europeu.

Às 07h, continuam as reuniões do Fundo Monetário Internacional (FMI) nos Estados Unidos, que reúnem autoridades monetárias e fiscais de diversas economias. O evento costuma gerar sinalizações relevantes sobre crescimento global, inflação e riscos sistêmicos — fatores acompanhados de perto por investidores em moedas, juros e commodities.

Às 08h30, a Índia divulga indicadores de crescimento de empréstimos bancários, depósitos e reservas cambiais. Esses dados ajudam a medir o ritmo da expansão financeira e a liquidez da economia, com impacto sobre expectativas para atividade e política monetária no país.

A partir das 09h15, no Canadá, saem os números de construção de novas moradias, um dos principais termômetros da atividade doméstica e da sensibilidade da economia ao nível de juros. Em seguida, às 09h30, serão divulgados dados sobre fluxos de investimentos estrangeiros em títulos financeiros, relevantes para acompanhar a atratividade do país no cenário internacional.

O pronunciamento de Claudia Buch, vice-presidente do Bundesbank, às 11h30, abre a agenda de falas de autoridades monetárias.

Na sequência, dirigentes do Federal Reserve (Fed) participam de eventos públicos: Mary Daly, às 12h30, Thomas Barkin, às 13h15, e Christopher Waller, às 15h. As declarações podem trazer novas pistas sobre a trajetória dos juros norte-americanos e o balanço de riscos para inflação e atividade.

Às 14h, será divulgada a contagem semanal de sondas da Baker Hughes, indicador acompanhado como termômetro antecedente da atividade de exploração de petróleo nos Estados Unidos. O dado influencia expectativas para produção futura e pode impactar os preços da commodity.

Às 16h30, o mercado acompanha o relatório semanal da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC), com as posições líquidas de investidores em moedas, commodities e índices, incluindo dólar, euro, ouro, petróleo, milho, soja, S&P 500 e Nasdaq 100. O levantamento ajuda a identificar mudanças de sentimento e o posicionamento predominante entre investidores institucionais.

À noite, às 20h30, o Japão divulga os dados de inflação ao consumidor de março. O núcleo do índice tem projeção anual de 1,6%, enquanto o CPI cheio deve registrar 1,3%. O indicador segue relevante para calibrar expectativas sobre o ritmo de normalização da política monetária do Banco do Japão.

Agenda de dados e autoridades do Brasil

O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, cumpre agenda no FMI, em Washington, com participação nas Reuniões de Primavera pela manhã e encontros institucionais à tarde com Kartik Mani, da American Express, Michael Barr, do Fed, e executivos da Mastercard para tratar de temas institucionais.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, também participa do evento, às 7h30, para um café da manhã ministerial de trabalho do Comitê Financeiro e Monetário Internacional do FMI (IMFC). Na sequência, às 9h45, o titular da pasta participa de plenária do mesmo IMFC.

Às 12h, Durigan encontra-se com o vice-primeiro-ministro do Governo e ministro da Economia, Comércio e Empresas da Espanha, Carlos Cuerpo. Às 13h30, recebe o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga.
E às 14h, o ministro participa de reunião ministerial do G7 sobre minerais críticos (horários locais).

Na agenda doméstica, investidores acompanham nesta sexta-feira a divulgação de indicadores da FGV. Às 08h, sai o IPC-S das capitais referente à segunda quadrissemana de abril, dado importante para monitorar a inflação no curto prazo.

Já às 10h15, será publicado o Monitor do PIB de fevereiro, indicador que antecipa o ritmo da atividade econômica e pode influenciar expectativas para crescimento e política monetária.

Temporada de balanços: bancos regionais e tecnologia no radar

No campo corporativo, investidores acompanham nesta sexta-feira os resultados de instituições financeiras regionais como a Truist Financial Corp (TFC), MetroCity Bankshares (MCBS) e Private Bancorp of America (PBAM), além da empresa de tecnologia imobiliária reAlpha Tech (AIRE).

Os números devem oferecer sinais relevantes sobre o ritmo da atividade de crédito, a qualidade dos ativos e o impacto do nível elevado de juros sobre bancos de médio porte nos Estados Unidos. Esse segmento é acompanhado de perto após episódios recentes de estresse no sistema financeiro regional e costuma antecipar tendências para o setor bancário como um todo.

Já o resultado da reAlpha Tech pode trazer indicações sobre a demanda por soluções digitais ligadas ao mercado imobiliário, sensível ao ciclo monetário. Em conjunto, os balanços ajudam a calibrar as expectativas para a temporada de resultados do primeiro trimestre e o apetite por risco nas ações financeiras.

Conflito no Oriente Médio

As negociações entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito iniciado em 28 de fevereiro seguem em andamento, mas devem avançar lentamente e sem solução rápida, segundo avaliação de Daniel Benaim, ex-vice-secretário de Estado norte-americano, em debate no Middle East Institute.

Apesar de um cessar-fogo temporário anunciado em 8 de abril, as conversas mais recentes terminaram sem acordo definitivo, embora ambos os lados tenham sinalizado disposição para continuar negociando.

Entre os principais pontos de negociação estão a reabertura do Estreito de Ormuz — bloqueado durante o conflito e responsável por forte impacto nos preços globais do petróleo —, a liberação de ativos iranianos no exterior e limites para o enriquecimento de urânio.

O especialista avalia que há espaço para concessões mútuas, mas ressalta que fatores políticos internos e a estratégia de negociação sob pressão do governo Donald Trump dificultam avanços rápidos. Na avaliação dele, um acordo amplo ainda deve levar tempo.

No curto prazo, o principal vetor de impacto para mercados segue sendo a evolução das negociações e a situação do Estreito de Ormuz, com reflexos diretos sobre petróleo, inflação global e expectativas de política monetária.

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