Um terço da população não tem reserva financeira, aponta Anbima

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Os números da perspectiva financeira do brasileiro ainda são desanimadores – pelo menos é o que aponta a 9ª edição do ‘Raio X do Investidor Brasileiro 2026’ da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) em parceria com o Datafolha. O relatório mostra que um terço da população ainda não tem reserva financeira.

Dos que têm dinheiro guardado, 10% possui reserva para menos de uma semana, sendo o mesmo número que conseguem cobrir até um mês. Esse montante sobe para 12% de quem têm entre um e dois meses, e também de quem têm entre três a cinco meses.

O valor é “melhor” para quem têm entre seis meses e um ano (15%), mas cai drasticamente para quem possui reserva para um a dois anos (6%), e é menor ainda para cinco anos ou mais (3%). Especialistas consultados pela EXAME dizem que, o ideal, é que o investidor tenha reserva para cobrir pelo menos seis meses do nível de renda atual.

Os maiores afetados? As classes mais baixas: quase metade da população das classes D e E não tem reserva financeira – mas as classes A e B ainda entram no combo. Entre as gerações, a X, entre 45 e 64 anos, é a que menos tem reserva financeira (37%), enquanto os millenials, entre 30 e 44 anos, figuram em segundo (28%) junto com os boomers, com 65 ou mais, e a geração Z, entre 16 e 29 anos, aparecem como terceiro lugar (17%).

E quem investe?

O Brasil terminou o ano passado com 60,6 milhões de investidores, o que representa 36% da população (em 2024, esse percentual era de 37%). Já os que não investem, 63% da população, chegam a 107,7 milhões.

Do número de investidores, em 2026, 46,1 milhões devem continuar investindo, enquanto 23,2 milhões serão novos entrantes e 14,5 milhões deixarão de investir – resultando em 8,7 milhões de novos investidore.

Mas as expectativas versus a realidade deixam a desejar. A expectativa de crescimento do percentual de investidores era: +3% (2022), +5% (2023), +4% (2024), +2% (2025) e 6% (2026). Já a realidade foi 5% (2022), 1% (2023), 0% (2024), -1% (2025) e ainda sem projeção para 2026.

Quando observado os produtos financeiros, o conhecimento sobre eles, a utilização e se pretende continuar utilizando, um dado chama a atenção: criptomoedas aparecem na frente de imóveis, títulos públicos e até previdência privada. Em 2025, 8% responderam que tinham conhecimento sobre eles, e 13% começariam ou continuariam a investir – sendo o segundo lugar de produtos que mais chamaram a atenção do investidor.

Investidores mantêm poupança na liderança, mas participação recua

A poupança segue como o principal produto de investimento do brasileiro, citada por dois em cada dez investidores. Ainda assim, sua participação vem perdendo força de forma gradual: 23% em 2021, 26% em 2022, 25% em 2023, 23% em 2024 e 22% em 2025.

Mesmo com a perda de fôlego, a caderneta continua sendo o principal destino entre os investidores, apesar de render abaixo do CDI. Entre as gerações, o movimento é desigual: os boomers ampliaram em 5 pontos percentuais a exposição à poupança, enquanto a geração Z reduziu em 9 pontos.

Na sequência, o crédito privado aparece como o segundo produto mais buscado pelo varejo, com 7% dos investidores alocados nessa classe, após um ano de forte demanda em 2025. Os fundos de investimento vêm em seguida, com 5% de participação.

E o aumento entre as gerações nesses produtos é inversa: enquanto os boomers aumentaram a exposição na poupança – e a geração Z reduziu – em todos os outros ativos (títulos privados, fundos, moedas digitais e cripto, ações, títulos públicos e previdência privada) os boomers reduziram exposição, enquanto a geração Z aumentou.

A pesquisa também mostra que, entre as classes mais altas, há uma migração para produtos mais sofisticados. Segundo a Anbima, as classes A e B registraram a maior redução na participação na poupança, que caiu de 34% em 2021 para 28% em 2025.

Bancos digitais X bancos tradicionais

Os bancos digitais popularizam os investimentos, principalmente através das ‘caixinhas’, e facilitaram o acesso ao crédito. Entretanto, os bancos tradicionais seguem como o lugar onde a maioria das pessoas investem – crescendo, inclusive, de forma significativa: de 67,01% em 2024 para 73,67% em 2025, enquanto os bancos digitais recuaram de 43,78% para 38,87%.

E novamente a relação é a inversa. Dentre quem investe nos bancos digitais, 66% é a geração Z, enquanto nos bancos tradicionais 75% são os boomers. Em relação as classes, rendas A e B representam 52,3% do investimento em bancos digitais, enquanto 22,6% representam as classes D e E. Em bancos tradicionais, 82,3% é a classe A e B, enquanto 60,9% é a classe D e E.

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