Os mercados globais operam em alta nesta quarta-feira, 22, apoiados pela divulgação de balanços da área de tecnologia e pela escalada de preços do petróleo, que voltou ao patamar de US$ 100 por barril.
O movimento ocorre após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estender por tempo indeterminado o cessar-fogo com o Irã, enquanto, por outro lado, as negociações previstas não avançaram.
A rota responsável por um quinto do escoamento global de petróleo, o Estreito de Ormuz, ainda permanece majoritariamente fechada para o tráfego marítimo, segundo dados compilados pela Bloomberg.
O que é um aperto para a percepção de risco sobre a oferta que pressionou os preços dos contratos futuros do petróleo tipo Brent para junho, os quais ultrapassaram os US$ 100 antes de recuar para US$ 99,15 por barril.
Já os contratos futuros para junho do petróleo tipo West Texas Intermediate (WTI), referência de preços nos EUA, operavam a US$ 90,14, com alta de 0,55%, por volta das 6 horas de hoje, no horário de Brasília.
Inflação e lucros sob pressão
A disparada do petróleo já começa a atingir setores sensíveis ao custo de combustível.
A aérea United Airlines, por exemplo, cortou sua projeção de lucro para 2026, passando de uma estimativa anterior entre US$ 12 e US$ 14 por ação para uma nova faixa de US$ 7 a US$ 11 por ação.
Em meio à guerra no Irã, a revisão negativa tem sinalizado um possível efeito cascata sobre as margens corporativas, especialmente em indústrias intensivas em combustível.
O impacto inflacionário pode, ainda, limitar o espaço para cortes de juros por parte de bancos centrais, o que tende a influenciar diretamente o valuation de ativos de risco, pontuaram fontes ouvidas pela Bloomberg.
Bolsas sobem com balanços
No entanto, os mercados seguem sustentados pela temporada de balanços do primeiro trimestre apesar das tensões envolvendo o petróleo, de acordo com informações divulgadas pela agência.
- Hoje os futuros do S&P 500 avançavam 0,5%, enquanto os do Nasdaq 100 subiam 0,6% e os do Dow Jones, 0,4%, depois de duas sessões consecutivas de queda do índice de referência estadunidense.
O foco dos investidores está concentrado nas big techs e companhias ligadas a semicondutores. Nomes como Tesla, Texas Instruments e Lam Research divulgam seus resultados ao longo do dia.
O índice Philadelphia Semiconductor acumula uma sequência de 15 pregões de alta, igualando-se ao seu maior rali histórico, conforme dados da Bloomberg. Investidores questionam, porém, sobre um possível excesso de otimismo no setor.
Na Europa, o índice Stoxx 600 operava estável, refletindo balanços divergentes, com a Reckitt Benckiser caindo cerca de 7% em Londres após reportar vendas abaixo do esperado.
Em contrapartida, a ASM International atingiu máxima histórica ao projetar receitas acima das estimativas para o segundo trimestre, impulsionada pela demanda relacionada a investimentos em inteligência artificial (IA).
Investimentos: ouro e DXY
O ambiente de incerteza também impulsiona ativos considerados proteção, a exemplo do ouro, que subia 0,8%, chegando a US$ 4.756,54 por onça, próximo de máximas recentes.
No mercado de câmbio, o índice do dólar (DXY) recuava 0,2%, enquanto os rendimentos dos títulos públicos dos EUA, Treasuries, de dez anos permaneciam praticamente estáveis em 4,29%.
O chefe de trading da MPPM, Guillermo Hernandez Sampere, afirmou que investidores estão, em grande parte, aguardando os desdobramentos do conflito no Oriente Médio, mas já incorporam os impactos na alocação.
“Os investidores estão ou à margem ou aceitaram a influência emocional no mercado, sabendo que as negociações para pôr fim ao conflito estão em curso”, detalhou à Bloomberg.











Leave a Reply