O que mexe com o Ibovespa hoje: bancos e Vale pesam — dólar cai para R$ 4,95

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O Ibovespa abriu em leve alta as negociações nesta quinta-feira, 23, mas virou para a estabilidade com viés de queda, após o índice passar por um movimento de correção na véspera e cair 1,65%, aos 192.888 pontos. Por volta das 10h50, a principal referência acionária da B3 registrava ligeiro recuo de 0,28%, aos 192.350 pontos.

No mesmo horário, o dólar à vista recuava frente ao real. A moeda americana caía 0,38%, cotada a R$ 4,956, renovando as mínimas em mais de dois anos e se aproximando do menor valor desde 7 de março de 2024, quando a divisa fechou em R$ 4,9350. Na sessão passada, na quarta, 22, o dólar ficou estável, sem variação, a R$ 4,974.

As tensões envolvendo o Irã voltam a pesar sobre o humor dos investidores, enquanto a frustração com os resultados das big techs americanas pode estimular uma rotação de capital para mercados emergentes, como o Brasil. No entanto, boa parte das bluechips, papéis de grandes empresas, recuam.

A Vale (VALE3), empresas de maior peso na composição do índice recua 0,50%, assim como as ações de grandes bancos, como Itaú (ITUB4), Banco do Brasil (BBAS3) e Bradesco (BBDC4), que caem 0,80%, 0,60% e 0,59%, respectivamente. Todos as demais instituições financeiras também recuam.

Nem mesmo as petroleiras avançam, apesar de o petróleo retomar a trajetória de alta após a apreensão de dois navios cargueiros pela Guarda Revolucionária iraniana. As ações de Petrobras (PETR3 e PETR4) operam estáveis, variando entre leve alta de 0,09% e leve queda com o mesmo percentual respectivamente.

Em paralelo, a Marinha dos Estados Unidos afirma ter forçado o recuo de 27 embarcações diante de restrições impostas a portos do país. O acirramento da disputa pelo tráfego no Estreito de Ormuz tende a beneficiar ações de petroleiras, como a Petrobras.

Segundo Eduardo Marzbanian, analista da Eleven Financial, o mercado global inicia a quinta-feira em um ambiente de mudança de regime, com ativos de risco devolvendo parte dos ganhos recentes diante de um choque geopolítico relevante.

Bolsas globais têm desempenho misto

Na Ásia, o pregão foi marcado por forte volatilidade. O Nikkei 225 chegou a renovar máximas históricas ao longo do dia, superando os 60 mil pontos, mas perdeu fôlego e fechou em queda, em movimento de realização.

“O ajuste reflete menos deterioração de fundamentos e mais uma reprecificação de risco diante da escalada no Oriente Médio e do impacto direto sobre o petróleo, que volta a operar acima de US$ 100. O aumento do prêmio geopolítico levou investidores a realizar lucros após um ciclo consistente de alta”, afirmou Marzbanian.

O Nikkei recuou 0,75%, enquanto o Hang Seng caiu 0,95% em Hong Kong e o Taiex perdeu 0,43% em Taiwan. Na China continental, o Xangai Composto cedeu 0,32% e o Shenzhen Composto recuou 1,05%.

A exceção foi o Kospi, da Coreia do Sul, que avançou 0,90%, aos 6.475,81 pontos — novo recorde — impulsionado por dados de crescimento acima do esperado e pelo desempenho de fabricantes de semicondutores. As ações da Samsung Electronics subiram 3,2%.

Na Europa, o viés é misto. O Stoxx 600 e as bolsas de Londres e Frankfurt operam em queda, enquanto Paris (CAC 40) e Milão (FTSE MIB) registram leves ganhos.

“O cenário combina dois vetores adversos: a escalada das tensões no Estreito de Ormuz — um dos principais gargalos globais de petróleo — e indicadores macroeconômicos mais fracos. Os PMIs da zona do euro vieram abaixo do esperado, com contração na Alemanha e desaceleração mais intensa na França, sinalizando perda de tração em meio a custos energéticos elevados. Isso reforça o risco de estagflação, pressionando múltiplos e reduzindo o apetite por risco”, disse o analista.

Nos Estados Unidos, os futuros de S&P 500, Dow Jones e Nasdaq apontam para abertura negativa após recentes máximas. O movimento reflete a revisão das expectativas inflacionárias, diante da alta do petróleo e da elevação dos yields dos Treasuries.

“A curva de juros americana ganha inclinação, indicando menor probabilidade de cortes no curto prazo. Esse ajuste ocorre junto à valorização do dólar, sustentada por fluxo de proteção e pelo diferencial de juros mais elevado”, afirmou.

Entre as commodities, o petróleo lidera os ganhos ao incorporar um prêmio geopolítico mais elevado, diante do risco de interrupções no Estreito de Ormuz e possível restrição de oferta no curto prazo.

No campo geopolítico, a interceptação de superpetroleiros iranianos pelos EUA e o bloqueio do Estreito de Ormuz ampliam a incerteza global e reforçam o papel do dólar como ativo de reserva em momentos de estresse.

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