Confiança dos EUA, BC e fluxo cambial: o que move os mercados

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A agenda desta sexta-feira, 24, traz uma combinação relevante de indicadores domésticos e internacionais que ajudam a calibrar expectativas sobre atividade econômica, fluxo de capitais e trajetória dos juros nas principais economias. Entre os destaques estão os dados do setor externo brasileiro e a leitura final da confiança do consumidor norte-americano.

Ainda permanece no radar o conflito entre Estados Unidos, Irã e Israel. O Ibovespa voltou a cair nesta quinta-feira, 22, refletindo o aumento da aversão a risco global após a escalada das tensões no Oriente Médio.

O índice recuou 0,78%, chegando aos 191.378 pontos, enquanto o dólar voltou a fechar acima de R$ 5 ao avançar 0,58%, cotado a R$ 5,003. Nos EUA, as bolsas também caíram, pressionadas pela alta do petróleo, o aumento das incertezas geopolíticas e os balanços das big techs.

O humor piorou após sinais de afastamento de Mohammad Ghalibaf, presidente do Parlamento do Irã, das negociações com os EUA e declarações de Donald Trump ordenando reforço do bloqueio naval no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o fluxo global de petróleo.

O movimento reflete a elevação do prêmio de risco global, que reduz o apetite por emergentes e aumenta a busca por proteção.

Agenda de indicadores econômicos no Brasil

No Brasil, o dia começa às 08h quando a Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulga o índice de confiança do consumidor de abril. Na última leitura, o indicador marcou 88,1 pontos. O dado é relevante por antecipar tendências do consumo das famílias, principal componente do crescimento econômico brasileiro, especialmente em um ambiente de juros ainda elevados.

Ainda no cenário doméstico, às 08h30, ocorre a divulgação das estatísticas do setor externo pelo Banco Central (BC), referentes a março. A expectativa é de déficit em transações correntes de US$ 5,65 bilhões, próximo do resultado anterior de US$ 5,61 bilhões, enquanto o investimento estrangeiro direto deve somar US$ 6,50 bilhões, abaixo dos US$ 6,75 bilhões do mês anterior.

Esses números são acompanhados de perto por investidores por funcionarem como termômetro da sustentabilidade das contas externas e por influenciarem a percepção de risco cambial no curto prazo.

Às 14h30, é a vez do fluxo cambial estrangeiro. Na leitura anterior, marcou um déficit de 1,3 bilhões.

Agenda de indicadores econômicos no exterior

No exterior, a agenda começa cedo, às 03h, com os dados de vendas no varejo do Reino Unido referentes a março. Os números devem mostrar sinais mistos: vendas estáveis na margem mensal, após queda no mês anterior, e crescimento anual em leve queda; de 2,5% a 1,3%.

O núcleo do indicador apresentou leve recuperação mensal, saindo de -0,4% para 0,2%; mas também perdeu força na comparação anual, com recuo de 3,4% para 2,0%. O conjunto dos dados ajuda investidores a avaliar a resiliência do consumo britânico e possíveis implicações para a trajetória da política monetária local.

Na sequência, às 05h, o mercado acompanha o índice Ifo de clima de negócios da Alemanha. A leitura anterior marcou 86,4 pontos, enquanto a projeção para abril indica recuo para 85,7 pontos. O índice é considerado um dos principais termômetros da atividade econômica da maior economia da Europa e costuma influenciar projeções para o crescimento da região.

Já nos Estados Unidos, o destaque do dia ocorre às 11h com a divulgação da leitura final de abril da confiança do consumidor pela Universidade de Michigan. A projeção aponta recuo do indicador para 46,1 pontos, após leitura anterior de 51,7.

Ao mesmo tempo, as expectativas de inflação de curto prazo devem subir para 4,8%, enquanto as projeções para cinco anos avançam para 3,4% (ante 3,8% e 3,2%, respectivamente).

Os dados são especialmente relevantes porque o Federal Reserve (Fed) acompanha de perto a evolução das expectativas inflacionárias ao avaliar o ritmo e a direção da política monetária.

Outros indicadores também entram no radar ao longo do dia. No México, a taxa de desemprego de março deve recuar para 2,50%, enquanto a atividade econômica anual de fevereiro pode mostrar avanço de 0,70%.

No Canadá, a expectativa é de leve recuo, de 1,1% para 0,9%, nas vendas no varejo mensal de fevereiro. Já na França, a confiança do consumidor deve ficar em 88 pontos, enquanto na Espanha o índice de preços ao produtor anual segue em território negativo, em −7,0%.

Balanços corporativos

Nesta sexta-feira, a temporada de balanços reúne nomes relevantes de diferentes setores, com potencial de influenciar o humor dos mercados globais.

Nos Estados Unidos, a Procter & Gamble (P&G) abre a sessão como um importante termômetro do consumo defensivo: o foco dos investidores estará na dinâmica entre volumes e reajustes de preços, além de ganho ou perda de participação de mercado e evolução da margem bruta, em um ambiente ainda sensível para bens de consumo.

No setor de saúde, os números da HCA Healthcare (HCA) devem oferecer sinais relevantes sobre a demanda por procedimentos hospitalares e o controle de custos operacionais, indicadores-chave para a avaliação da geração de caixa do segmento.

Já na economia real global, os resultados da SLB (SLB) e da Eni (E) atualizam o quadro de investimentos em óleo e gás e a sensibilidade do setor aos preços das commodities energéticas. No bloco financeiro e de insumos agrícolas, os resultados da Nomura (NMR) e da Yara International (YRAIF) ajudam a calibrar o apetite por risco no Japão e as tendências do mercado global de fertilizantes.

No Brasil, a Usiminas (USIM5) completa a agenda, com investidores atentos à evolução de preços do aço, volumes no mercado doméstico e exportações, além de eventuais sinais sobre ciclo de investimentos e disciplina financeira, em um momento de maior sensibilidade ao ciclo global de commodities e à demanda interna.

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