Otimismo com crédito imobiliário com dias contados? Bancos preveem piora no 2º tri

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O crédito imobiliário começou o ano como o principal “ponto fora da curva positivo” do sistema financeiro brasileiro, mas os bancos já veem sinais de que esse fôlego pode acabar rapidamente. É o que destaca relatório recém-divulgado pelo BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME), baseado no Inquérito sobre Condições de Crédito do Banco Central e nas avaliações das próprias instituições financeiras sobre oferta e demanda por crédito.

Segundo o banco, o segmento imobiliário foi o único a apresentar melhora nas condições de oferta no primeiro trimestre de 2026. O indicador agregado de oferta de crédito hipotecário saiu de um nível próximo de zero no quarto trimestre de 2025 para cerca de +0,3 no início deste ano.

O avanço foi impulsionado principalmente pela busca dos bancos por novos clientes e por um mercado de trabalho ainda resiliente.

“O crédito hipotecário foi a principal exceção positiva, com as condições de oferta melhorando durante o 1º trimestre de 2026, apoiadas principalmente por esforços de aquisição de clientes e condições de emprego ainda saudáveis”, afirmaram os analistas Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale.

Apesar disso, o banco alerta que a melhora “pode não ser sustentável”. A expectativa das instituições financeiras já é de uma “reversão acentuada” no segundo trimestre, com o indicador de oferta voltando ao campo negativo, para aproximadamente -0,15.

Por trás da melhora aparente no começo do ano, o relatório aponta que os indicadores de risco já vinham se deteriorando. O comprometimento da renda das famílias caiu para -0,43 no primeiro trimestre, enquanto a inadimplência do mercado recuou para -0,57 e a tolerância ao risco dos bancos foi para -0,43.

A Pesquisa de Condições de Crédito do Banco Central utiliza uma escala que vai de -2 a +2 para transformar a percepção qualitativa dos bancos em indicadores numéricos comparáveis. Na prática, valores positivos indicam expansão ou flexibilização das condições de crédito, enquanto números negativos sinalizam maior restrição e cautela das instituições financeiras.

Para o segundo trimestre, as projeções são ainda mais negativas. Os bancos esperam que o comprometimento da renda das famílias caia para -0,71, a inadimplência do mercado recue para -0,86 e a tolerância ao risco diminua para -0,57.

“O crédito hipotecário talvez ofereça o quadro mais claro do que está acontecendo por trás dos bastidores”, escreveu o BTG. “Embora as condições agregadas de oferta tenham melhorado durante o 1º trimestre de 2026, praticamente todos os indicadores de risco subjacentes se deterioraram significativamente”.

Consumidores, porém, seguem buscando financiamento imobiliário

O relatório mostra ainda que oferta e demanda estão seguindo caminhos opostos. Enquanto os bancos se tornam mais cautelosos diante do aumento das preocupações com inadimplência e qualidade dos ativos, os consumidores seguem buscando financiamento imobiliário.

A demanda por crédito imobiliário ficou em cerca de +0,15 no primeiro trimestre e a expectativa é de avanço para aproximadamente +0,3 no segundo trimestre. “Os tomadores de crédito ainda querem crédito, mas os bancos estão se tornando mais seletivos”, disse o BTG.

O banco afirma que o tema da qualidade dos ativos se consolidou como a principal preocupação do setor financeiro brasileiro ao longo da temporada de resultados do primeiro trimestre. Segundo o relatório, teleconferências de bancos foram dominadas por discussões sobre inadimplência e custo de risco, enquanto ações de instituições que decepcionaram nesses indicadores foram penalizadas pelo mercado.

Ainda assim, o BTG avalia que há fatores que ajudam a evitar uma deterioração mais abrupta no curto prazo. Entre eles estão a resiliência da massa salarial, a maior participação de fintechs na oferta de crédito, os efeitos do Desenrola 2.0 e a expansão do crédito consignado privado.

“Um ambiente de juros altos com NPLs controlados é positivo para os bancos, embora reconheçamos que isso não é sustentável no longo prazo”, afirmaram os analistas. “Se a capacidade de pagamento das empresas e dos indivíduos não mostrar sinais de melhora, isso deverá se tornar cada vez mais um obstáculo para o crescimento do crédito”.

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