Ibovespa cai na volta de NY com bancos e Vale entre as maiores pressões

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O Ibovespa fechou em baixa de 0,69% nesta terça-feira, 26, aos 176.589,03 pontos, após oscilar entre 175.516,11 e 177.815,95 pontos, em um pregão marcado pela cautela global diante da escalada das tensões no Oriente Médio e pela piora da percepção de risco entre investidores. O volume financeiro somou R$ 22 bilhões.

O dólar à vista encerrou o dia em leve alta frente ao real, avançando 0,17%, a R$ 5,0274, depois de oscilar entre R$ 5,0041 e R$ 5,0380. O movimento refletiu a busca global por proteção após os Estados Unidos realizarem ataques pontuais ao Irã na noite anterior, o que foi interpretado pelo governo de Teerã como uma quebra do cessar-fogo.

Vale e bancos pesam

Na volta dos negócios em Nova York após o feriado do Memorial Day, o mercado brasileiro destoou do exterior e terminou pressionado principalmente por bancos e pela Vale. Entre as blue chips, o destaque negativo ficou para o setor financeiro, que devolveu parte dos ganhos recentes.

O Banco do Brasil (BBAS3) caiu 2,49%. Já as ações do Bradesco (BBDC4) recuaram 1,27%. As units do Santander Brasil (SANB11) também perderam 1,16%, enquanto as units do BTG Pactual (BPAC11) caíram 0,72%. O Itaú Unibanco (ITUB4) recuou 0,64%.

As ações da Vale (VALE3) também pressionaram o índice, com queda de 0,62%, acompanhando o recuo de 1,95% do minério de ferro no mercado internacional.

O desempenho do Ibovespa só não foi pior por conta das ações da Petrobras, que sustentaram ganhos em meio ao comportamento misto do petróleo. Os papéis ordinárioas (PETR3) subiram 0,41%, enquanto os preferenciais (PETR4) avançaram 0,09%.

Entre as maiores quedas do pregão, a Braskem (BRKM5) liderou as perdas, com baixa de 5,81%, seguida por C&A (CEAB3), que caiu 4,77%, e Vamos (VAMO3), com recuo de 3,86%.

Do lado positivo, a Minerva Foods (BEEF3) avançou 2,61%, enquanto Hapvida (HPAV3) subiu 1,61%, e Rede D’Or (RDOR3) ganhou 1,42%.

Ibovespa se descola de NY

Para Willian Queiroz, sócio e advisor da Blue3 Investimentos, a intensificação dos conflitos fragilizou as negociações em torno de um cessar-fogo e elevou a pressão sobre as commodities, especialmente o petróleo.

“O petróleo chegou a corrigir fortemente ao longo do dia e trouxe esse sentimento mais negativo para o índice. O mercado voltou a precificar risco, tanto em relação aos conflitos geopolíticos quanto à inflação”, afirmou.

Queiroz destaca ainda que o cenário doméstico também pesou sobre os ativos brasileiros, especialmente após a revisão de expectativas para a política monetária. “O mercado está olhando muito para inflação e juros. Tivemos revisões de projeções para a Selic até o fim de 2026, em um contexto de pressão inflacionária global ainda persistente. Isso impacta a curva de juros futuros e também as taxas do Tesouro Direto”, disse.

Na avaliação do especialista, o ambiente atual exige mais cautela dos investidores. “Os fundamentos mudaram bastante em relação ao que o mercado esperava no começo do ano. Havia expectativa de queda de juros e de resolução mais rápida dos conflitos geopolíticos, mas o cenário agora é outro”.

Leonardo Santana, especialista em investimentos e sócio da casa de análise Top Gain, observa que a alta do petróleo reacendeu temores relacionados à inflação global e à manutenção de juros elevados por mais tempo. “Quando o petróleo sobe, aumenta a preocupação com inflação e diminuem as expectativas de cortes de juros. Isso se refletiu diretamente na curva de juros futuros hoje”, afirmou.

O especialista também destacou que, apesar da cautela, os índices americanos conseguiram manter desempenho positivo graças às empresas de tecnologia. “As big techs seguem sustentando o Nasdaq e o S&P 500, mesmo em um ambiente geopolítico ainda nebuloso”.

Com o exceção do índice Dow Jones, que fechou em baixa de 0,23%, o S&P 500 subiu 0,61%, e o Nasdaq avançou 1,19%.

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