Rede de restaurante de frango entra em negócio de data center e ação desaba

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A CCH Holdings (CCHH), controladora da rede de restaurantes Chicken Claypot House, especializada em hotpot de frango, anunciou a entrada no setor de infraestrutura tecnológica. A empresa, sediada em Penang, na Malásia, e listada na Nasdaq, fechou um contrato de US$ 50 milhões (cerca de R$ 204 milhões) para prestar serviços de manutenção e suporte a data centers no país asiático.

Contrato de três anos amplia atuação em infraestrutura de IA

O acordo tem duração de três anos e foi firmado por uma subsidiária integral da CCH Holdings. A empresa não revelou a identidade dos clientes, alegando acordo de confidencialidade, mas classificou o contrato como um marco na estratégia de diversificação para além do setor de alimentação.

Segundo a companhia, o escopo do trabalho inclui alocação de capacidade computacional, coordenação de implantação, consultoria técnica e suporte operacional a data centers.

A CCH Holdings afirmou ainda que pode ampliar a atuação para outros mercados da Ásia, caso os clientes avancem com planos internacionais de expansão de capacidade. O movimento ocorre em meio a um ciclo global de expansão de data centers, puxado pelos gastos bilionários das big techs e por projetos de infraestrutura de IA nos Estados Unidos, que fazem parte de uma disputa por data centers cada vez mais acirrada entre gigantes de tecnologia.

O CEO Goh Kok E descreveu o acordo como um passo importante na transformação da companhia em um negócio mais diversificado. Segundo ele, a nova frente vai complementar, e não substituir, as operações de restaurantes. “Acreditamos que essa estratégia de motor duplo pode diversificar nossa receita, melhorar o potencial de crescimento de longo prazo e criar valor sustentável para os acionistas”, afirmou, em comunicado.

Mercado reage mal: ações desabam quase 40%

Apesar do otimismo da diretoria, o mercado reagiu com desconfiança. As ações da CCH Holdings chegaram a cair 37% na Nasdaq em um único di.

A reação negativa acontece em um momento de maior sensibilidade dos investidores a movimentos abruptos de diversificação sem detalhamento de contratos, num contexto em que o mercado americano já vinha de episódios recentes de correção na Nasdaq, queda acentuada nas ações de tecnologia e temores de recessão nos EUA.

Desde então, os papéis continuaram cedendo até baterem mínimas em 52 semanas, negociados perto de US$ 0,18. Diante da desvalorização, a empresa promoveu nesta segunda-feira um grupamento de ações na proporção de 1 para 10, medida técnica que reduz a quantidade de papéis em circulação e eleva o preço nominal de cada ação na mesma proporção, sem alterar o valor de mercado da empresa.

O objetivo é recolocar a ação acima de US$ 1, patamar mínimo exigido pela Nasdaq para manter a listagem.

A companhia informou que Goh Kok E e um grupo de investidores pretendem comprar ações da CCHH por, no mínimo, US$ 1 por papel, com investimento total entre US$ 10 milhões e US$ 30 milhões. O valor representa um prêmio de pelo menos 284,6% sobre a cotação atual, gesto interpretado como tentativa de sinalizar confiança na nova estratégia.

O maior acionista da empresa é Goh Kook Fong, irmão do CEO e ex-presidente do conselho, com 44,28% de participação. O empresário Lim Soon Huat, do grupo Asia File Corp, detém 25,42% das ações.

A CCH Holdings registrou prejuízo líquido de 2,68 milhões de ringgit malaios (cerca de US$ 657 mil) no exercício encerrado em dezembro de 2025, revertendo o lucro de 913,4 mil ringgit malaios (aproximadamente US$ 224 mil) obtido no ano anterior. A receita cresceu 7,5%, para 9,59 milhões de ringgit malaios (cerca de US$ 2,35 milhões).

Alimentação e tecnologia se cruzam também em outros mercados

O movimento da CCH Holdings não é isolado. Na mesma semana, a rede de fast food Ahmad’s HotChicken anunciou a incorporação de inteligência artificial à operação, indo além ao nomear uma CEO baseada em inteligência artificial para supervisionar o negócio.

O gesto segue uma tendência observada principalmente em empresas asiáticas, que passaram a atribuir cargos formais a sistemas de IA dentro da estrutura corporativa, movimento que também aparece em relatos de executivos que treinaram uma IA para apoiá-los na gestão.

O fenômeno acompanha uma corrida mais ampla por posições ligadas à tecnologia dentro das empresas, com cargos de IA em ascensão em diferentes setores, à medida que o papel do CEO se transforma na era da inteligência artificial.

*com agências internacionais

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