Ibovespa cai com bancos, apesar da alta de Petrobras com petróleo a US$ 100

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O Ibovespa encerrou o pregão desta quinta-feira, 23, em queda de 0,46%, aos 176.723 pontos, pressionado principalmente pelo desempenho negativo das ações dos grandes bancos. O mercado também foi impactado pela forte alta do petróleo, que ultrapassou a marca de US$ 100 por barril em meio ao agravamento das tensões no Oriente Médio, movimento que impulsionou as ações das petroleiras e levou o dólar a interromper uma sequência de três sessões consecutivas de queda.

A moeda americana fechou em alta de 0,65%, cotado a R$ 5,084. Apesar de o Brasil ser exportador líquido de petróleo, o que normalmente beneficia o real em momentos de valorização da commodity, o aumento da aversão ao risco global prevaleceu.

Também entrou no radar dos investidores a possibilidade de o Federal Reserve (Fed) adotar uma postura mais dura caso a disparada do petróleo alimente novas pressões inflacionárias nos Estados Unidos.

Entre as ações de maior peso do índice, as petroleiras acompanharam a escalada da commodity. Os papéis ordinários da Petrobras (PETR3) avançaram 1,67%, enquanto as ações preferenciais (PETR4) subiram 0,87%. A Vale (VALE3) também contribuiu para limitar as perdas do Ibovespa, encerrando o dia com alta de 0,77%.

Na outra ponta, os grandes bancos pesaram sobre o índice. As units do BTG Pactual (BPAC11) recuaram 1,26%, o Itaú Unibanco (ITUB4) caiu 0,79%, o Bradesco (BBDC4) perdeu 1,32% e o Banco do Brasil (BBAS3) cedeu 0,76%.

Entre os destaques do pregão, a Rumo (RAIL3) liderou os ganhos do Ibovespa, com alta de 2,35%, enquanto a Hapvida (HAPV3) registrou a maior queda do índice, recuando 8,08%.

O head de análise da GTF Capital, Artur Horta, avalia que o mercado reagiu ao aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio, após novos ataques dos houthis a embarcações no Mar Vermelho e o avanço das ameaças entre Estados Unidos e Irã.

Segundo ele, o movimento levou investidores a buscar ativos considerados mais seguros. “Hoje o mercado compra dólar para reduzir risco, os juros futuros estão estressados e a bolsa, consequentemente, cai. Quem se beneficia são as petroleiras, que lideram os ganhos, enquanto empresas mais ligadas aos juros, como varejo, saúde, educação e construção civil, estão entre as maiores quedas.”

Na avaliação de Horta, uma melhora consistente do mercado dependeria de uma redução das tensões geopolíticas. “Para vermos uma reversão desse cenário, seria necessária alguma notícia positiva sobre o conflito entre Estados Unidos e Irã, como um cessar-fogo ou um possível acordo.”

Os investidores também acompanharam indicadores da economia americana. O Departamento do Trabalho informou que os pedidos iniciais de seguro-desemprego caíram em 22 mil na semana encerrada em 18 de julho, para 187 mil, reforçando a percepção de um mercado de trabalho ainda resiliente. Na Europa, o Banco Central Europeu (BCE) manteve inalteradas as três principais taxas de juros da zona do euro.

Petróleo rompe US$ 100 com gargalos no fluxo global

Os contratos futuros do petróleo dispararam nesta quinta-feira e voltaram ao patamar de três dígitos, à medida que aumentam os riscos para dois dos principais corredores marítimos do comércio global de petróleo no Estreito de Ormuz e o Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho.

O mercado reagiu a novos ataques atribuídos ao Irã no Golfo Pérsico, ao bloqueio promovido pelos houthis e às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que está próximo de decidir sobre um “ataque massivo” ao Irã.

Em meio ao conflito, a Reuters informou que a Opep+ deverá elevar a produção em 188 mil barris por dia em setembro, repetindo o ritmo adotado nos meses anteriores. A medida, contudo, é vista pelo mercado como insuficiente para compensar eventuais interrupções na oferta global.

Com isso, o contrato do Brent para setembro disparou 7,04%, encerrando o dia a US$ 100,69 por barril na ICE. Já o WTI para o mesmo vencimento avançou 6,17%, para US$ 92,19 por barril na Nymex.

Wall Street fecha em queda com balanços de techs

Os principais índices de Wall Street encerraram o pregão em queda, pressionados pela disparada do petróleo e pela repercussão dos balanços das gigantes de tecnologia.

O Dow Jones caiu 0,97%, aos 51.711,29 pontos. O S&P 500 recuou 1,21%, aos 7.408,12 pontos, enquanto o Nasdaq teve a pior performance do dia, com queda de 2,15%, aos 25.137,69 pontos.

As ações da Alphabet perderam força, recuando 7,13%, após a companhia elevar sua projeção de investimentos em inteligência artificial para 2026. Já a Tesla aprofundou as perdas ao cair 14,53% depois da divulgação de resultados trimestrais abaixo das expectativas do mercado.

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