O investidor chega à segunda-feira, 27, depois de um fim de semana de alívio no tabuleiro político e de definições no calendário eleitoral brasileiro. No Oriente Médio, os Estados Unidos e o Irã pausaram os ataques temporariamente depois de semanas de escalada, um respiro que ajudou a tirar pressão do petróleo — o Brent chegou a recuar 5% nesta madrugada — e que alivia, na margem, o principal canal de contágio inflacionário do conflito para as economias emergentes.
No front doméstico, o fim de semana também marcou a largada da corrida presidencial de 2026. As convenções partidárias, que podem ser realizadas até 5 de agosto, oficializaram nomes de peso: o PL confirmou Flávio Bolsonaro no sábado, e o PSD homologou o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, no domingo.
Nesta segunda-feira, é a vez de o Partido Novo oficializar Romeu Zema, em ato em Brasília. O presidente Lula deve ter a reeleição chancelada pelo PT em 2 de agosto.
Uma semana cheia pela frente
Se o pano de fundo político esquenta, é a agenda de mercado que promete dominar as mesas de operação nos próximos dias. As atenções e voltam para a quarta-feira, 29, quando o Federal Reserve anuncia sua decisão de juros. A expectativa majoritária é de manutenção da taxa na faixa de 3,50% a 3,75%, mas parte do mercado ainda precifica alguma chance de aperto adicional — o que coloca a coletiva do presidente Kevin Warsh no centro das atenções.
À decisão do Fed soma-se uma enxurrada de balanços das big techs: Microsoft e Meta reportam na quarta, e Apple e Amazon na quinta. Ainda nos EUA, saem a prévia do PIB do segundo trimestre (quinta) e o índice de preços PCE, o termômetro de inflação preferido do Fed (sexta). No Brasil, o grande destaque corporativo da semana fica com a Vale, que divulga seu resultado na quinta-feira, 30.
Segunda-feira mais tranquila de indicadores
Enquanto a agenda não engrena, o pregão desta segunda-feira reserva um dia relativamente esvaziado de dados. Nos Estados Unidos, o único indicador de maior peso é a divulgação das encomendas de bens duráveis de junho. No lado das empresas, o calendário americano é fraco, com a siderúrgica Nucor entre os poucos nomes relevantes a reportar resultados.
No Brasil, a temporada de balanços do segundo trimestre começa a ganhar corpo: Telefônica Brasil (VIVT3) e TIM Brasil (TIMS3) abrem a rodada de resultados das teles.
Mas o destaque da agenda doméstica é, como de praxe nas segundas, o Boletim Focus.
Ao longo do primeiro semestre, os analistas revisaram para cima, semana após semana, as estimativas de Selic e inflação para 2026 — uma sequência longa e persistente de altas que empurrou a projeção dos juros de patamares próximos de 13% até a casa dos 14% ao ano, refletindo a percepção de que o Banco Central teria de manter a política monetária apertada por mais tempo.
Mais recentemente, porém, esse movimento perdeu força. Nas últimas semanas, a projeção de inflação para 2026 passou a ser revisada para baixo, emendando quedas consecutivas, enquanto a estimativa da Selic se estabilizou.
Pesaram nessa acomodação fatores como um câmbio mais comportado e a leitura de que parte do choque de preços do primeiro semestre começava a se dissipar. O mercado acompanha agora se essa moderação nas expectativas terá fôlego para se consolidar como tendência ou se voltará a dar lugar a novas revisões para cima.
Autoridades e política no radar
Com o Fed em período de silêncio às vésperas da reunião do FOMC, as manifestações de dirigentes ficam restritas até quarta-feira. No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) só volta a se reunir em agosto, o que mantém as atenções voltadas aos números do Focus e à leitura fiscal.
No campo político, o desenrolar das convenções partidárias e a definição das chapas presidenciais seguem no radar dos investidores, que começam a precificar os cenários eleitorais. O prazo para o registro das candidaturas na Justiça Eleitoral vai até 15 de agosto, e a campanha oficial só começa no dia 16.












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