Ler o resumo da matéria
A CXMT, quarta maior fabricante mundial de chips de memória, realizou a maior IPO da Bolsa de Xangai desde 2010, com uma valorização de 466% no primeiro dia e arrecadação de US$ 8,5 bilhões. A empresa, que opera três fábricas de wafers DRAM, alcançou um valor de mercado de US$ 484 bilhões e se reposicionou como uma fornecedora estratégica na corrida global por chips de IA.
A CXMT, que se tornou lucrativa em 2023, prevê aumentar sua capacidade de produção para 500.000 wafers por mês até 2028. O IPO permite à empresa acelerar projetos de pesquisa e desenvolvimento, apesar de desafios como a concorrência com SK Hynix e Samsung e restrições de exportação dos EUA. A estreia da CXMT também sinaliza uma recuperação da confiança dos investidores na tecnologia chinesa, enquanto a YMTC, outra fabricante, planeja sua própria IPO.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
A gigante chinesa CXMT, a quarta maior fabricante mundial de chips de memória, protagonizou na segunda-feira, 27 de julho, a maior oferta pública inicial (IPO) da Bolsa de Xangai desde 2010, em uma estreia que redefiniu o papel da China na disputa global pelos semicondutores.
Sediada em Hefei, capital da província oriental de Anhui, a CXMT abriu capital com uma valorização de 466% logo no primeiro dia de negociação, arrecadando US$ 8,5 bilhões com a venda de 6,7 bilhões de ações no pregão.
Com isso, a maior produtora chinesa de DRAM — os chips usados em dispositivos que vão de servidores a câmeras — alcançou um valor de mercado de US$ 484 bilhões, transformando-se instantaneamente em uma das empresas mais valiosas do setor, atrás das sul-coreanas SK Hynix e Samsung Electronics, além da americana Micron.
A CXMT opera três fábricas de wafers DRAM em Pequim e Hefei e declarou em seu prospecto de IPO que estava “comprometida em expandir continuamente a capacidade de produção e aumentar sua participação no mercado global”.
A empresa de pesquisa SemiAnalysis estimou que a CXMT teria capacidade para iniciar a produção de 350.000 novos wafers por mês até o final deste ano — valor próximo à capacidade da Micron, de 385.000 — e atingir 500.000 até o final de 2028.
Com isso, a SemiAnalysis prevê que a participação global da CXMT crescerá para 12% no próximo ano, ante os 9% estimados para 2025, consolidando sua quarta posição, atrás das três maiores.
A CXMT tornou-se lucrativa este ano, faturando 33 bilhões de yuans (US$ 4,9 bilhões) apenas no primeiro trimestre, numa reversão impressionante dos 37 bilhões de yuans em prejuízos acumulados na última década, já que a escassez de chips de memória permitiu à empresa obter aumentos de preços generosos de seus clientes.
O salto não apenas surpreendeu investidores — reposicionou a companhia como peça estratégica na corrida pelos chips que alimentam a inteligência artificial, em um momento em que a demanda global por componentes avançados cresce em velocidade inédita.
Até recentemente, a CXMT era vista como uma competidora tardia, limitada pela falta de escala e pela distância tecnológica em relação às concorrentes sul-coreanas e americana. Seu avanço era consistente, mas insuficiente para disputar contratos globais com essas concorrentes.
O IPO – o maior da China continental desde o Banco Agrícola da China em 2010 – muda esse cenário de forma radical. A empresa tem a opção de vender mais 1 bilhão de ações.
“Sabíamos que seria um grande IPO”, disse Tilly Zhang, analista de tecnologia e política industrial da Gavekal Dragonomics em Pequim. “Mesmo assim, é surpreendente o entusiasmo das pessoas.”
Segundo Zhang, seus lucros provinham principalmente da venda de chips de baixo custo usados em eletrônicos domésticos, porque os principais fabricantes de chips estavam focados em chips de memória de alta largura de banda usados em centros de dados de IA.
Briga por mercado
Na prática, a CXMT passa a integrar o grupo das fornecedoras estratégicas de componentes avançados, com potencial para disputar espaço em contratos globais de IA.
Com acesso a bilhões de dólares, a CXMT ganha capacidade para acelerar projetos de pesquisa, ampliar fábricas, desenvolver processos avançados de litografia e investir em tecnologias de memória de alta largura de banda, essenciais para treinar modelos de IA cada vez mais complexos.
O contexto internacional reforça a importância da estreia. Duas semanas antes, a SK Hynix realizou um IPO na Bolsa de Nova York, arrecadando mais de US$ 26 bilhões, o que deve ampliar sua capacidade de produção de HBM, os chips de memória usados nas GPUs mais avançadas da Nvidia.
A CXMT também está desenvolvendo chips HBM, mas está atrás de seus concorrentes globais, em grande parte porque os controles de exportação dos EUA a impediram de acessar as ferramentas de fabricação mais avançadas da ASML, com sede na Holanda.
Alguns investidores e analistas alertaram que, com o aumento da produção chinesa, os preços dos chips de memória poderiam cair, representando uma ameaça para fabricantes consolidados de DRAM, como Samsung e SK Hynix.
A SK Hynix já domina esse segmento e busca consolidar sua liderança em um mercado que cresce em ritmo acelerado. A CXMT, agora com caixa reforçado, entra nessa disputa com ambição de reduzir a distância tecnológica e conquistar participação em um setor que se tornou vital para a infraestrutura digital global.
“Ainda não há produção em massa desses chips”, disse Zhang. A ascensão da CXMT representa um sucesso no esforço de Pequim para construir sua própria cadeia de suprimentos de IA doméstica, protegida dos controles de exportação dos EUA sobre tecnologias-chave.
Os preços da memória dinâmica de acesso aleatório, ou DRAM, dispararam devido à alta demanda de empresas de inteligência artificial. Com a escassez de chips, os fabricantes estão aumentando os preços de tudo, desde iPhones e computadores até carros.
Preocupado com a perda de vendas para consumidores sensíveis a preços, o CEO da Apple, Tim Cook, e seus principais executivos apresentaram ao presidente Donald Trump e a outras autoridades americanas um plano para usar chips da CXMT e de outras empresas chinesas em produtos da Apple vendidos fora dos EUA.
A Apple está em conflito com a Micron, que afirma que permitir que a CXMT venda para empresas de tecnologia americanas prejudicaria a indústria dos EUA.
Nos Estados Unidos, a SpaceX também movimentou o mercado ao levantar mais de US$ 7 bilhões em sua oferta pública, reforçando o papel estratégico da empresa na infraestrutura espacial e nas comunicações globais. Embora atue em um setor diferente, a SpaceX compartilha com a CXMT um ponto central: ambas representam apostas nacionais em tecnologias consideradas essenciais para o futuro.
A comparação evidencia que governos e investidores estão dispostos a financiar empresas capazes de moldar a próxima era tecnológica, seja no espaço, seja nos chips que alimentam a inteligência artificial.
A estreia da CXMT também recoloca a Bolsa de Xangai no radar global. Desde 2010, o mercado chinês não via uma operação desse porte. O sucesso do IPO sinaliza uma retomada da confiança dos investidores em empresas de tecnologia locais, após anos de volatilidade regulatória e incertezas sobre o ambiente de negócios.
O desafio da CXMT agora é transformar o capital levantado em capacidade real de produção e inovação. Também terá de navegar um ambiente geopolítico complexo, em que parcerias internacionais são cada vez mais difíceis e o acesso a equipamentos de ponta depende de negociações delicadas.
Logo atrás da CXMT está outra fabricante chinesa de chips chamada Yangtze Memory Technologies, ou YMTC. Ela produz um tipo de chip chamado memória flash NAND, usada para armazenamento, como fotos em um celular.
A YMTC planeja realizar sua própria oferta pública inicial de ações em Xangai ainda este ano. A empresa está construindo três novas fábricas na China que mais que dobrarão sua capacidade atual até o final de 2027.










Leave a Reply