O avanço da inteligência artificial (IA) está aproximando os mercados de tecnologia dos Estados Unidos e da Coreia do Sul. O movimento tem aumentado a correlação entre o índice Kospi e o Nasdaq 100, transformando o mercado asiático em um dos principais termômetros do setor.
Dados da gestora Rayliant divulgados pela CNBC mostram que a correlação de 60 dias entre o Kospi e o Nasdaq 100, que reúne ações de grande capitalização nos Estados Unidos, subiu para cerca de 0,50, o maior nível desde 2021.
Isso reflete, em grande parte, o peso da Samsung e da SK Hynix, que representam metade do índice sul-coreano. Segundo o analista do Futurum Group, Rolf Bulk, o índice passou a se comportar praticamente como um “índice de semicondutores.”
Os investidores passaram, assim, a olhar para a Coreia do Sul antes da abertura de Wall Street para medir o apetite do mercado no segmento de chips.
Essa dinâmica ficou evidente no dia último dia 13, quando o Kospi caiu mais de 8%, pressionado pela queda de 15% das ações da SK Hynix, a maior da história da companhia em um único pregão. Horas depois, o Nasdaq 100 encerrou o dia com baixa de 1,88%, pressionado pela queda de outros grandes nomes do setor.
Nesta terça-feira, 28, o Kospi caiu cerca de 11%, com a venda de ações de fabricantes de chips, enquanto os futuros do Nasdaq 100 já operam em baixa de 0,9% nesta manhã. O mercado estadunidense abre às 10h30 (horário de Brasília).
Chips de IA aproximam Coreia e Wall Street
O fundador da Fibonacci Asset Management, Jung In Yun, também disse à CNBC que “a SK Hynix, em particular, tornou-se um importante termômetro devido à sua exposição à memória de alta largura de banda (HBM), um dos componentes mais críticos na cadeia de suprimentos de IA.”
Outro diferencial está no calendário de resultados. A Samsung costuma divulgar sua prévia de balanço cerca de duas semanas antes das grandes fabricantes americanas de chips, oferecendo ao mercado um dos primeiros sinais trimestrais sobre o ritmo dos investimentos em IA.
Correlação traz riscos para investidores
O chefe de pesquisa da Rayliant Global Advisors, Phillip Wool, destacou que, como mais da metade do Kospi está concentrada na inteligência artificial, uma desaceleração dos investimentos das grandes empresas pode afetar o mercado sul-coreano de forma ainda mais intensa.
O analista também destacou que as fabricantes de memória costumam apresentar maior volatilidade do que muitas empresas americanas do setor, movimento ampliado pelo fluxo de fundos que replicam índices, conhecidos como Exchange Traded Funds (ETFs), alavancados.
Kim acrescentou que essa correlação pode diminuir no futuro, já que, embora essas empresas sejam beneficiadas hoje pela alta dos preços das memórias para IA, diferenças nos investimentos, no portfólio de produtos e nos incentivos do governo dos EUA podem levá-las a trajetórias distintas.
Outro fator monitorado pelo mercado é a evolução da indústria chinesa de memórias. Fabricantes do país vêm avançando mais rápido do que muitos investidores projetavam. Um exemplo foi a estreia da Changxin Technology Group (CXMT), em Xangai, quando as ações dispararam 466% no primeiro pregão.












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