Mercado Livre vai vender medicamento com receita — incluindo Ozempic

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Há exatamente um ano, o Mercado Livre comprava uma pequena farmácia no bairro do Jabaquara, em São Paulo. Pouco mais de seis meses depois, a empresa colocava no ar seu primeiro teste de venda de medicamentos. Agora, a companhia dá o próximo passo: passa a comercializar também remédios que exigem receita médica e prepara a entrada de grandes redes de farmácia em seu marketplace.

A expansão marca uma mudança na estratégia do Mercado Livre em saúde. A empresa deixa de atuar apenas com produtos sem prescrição, como vitaminas e itens de cuidados pessoais, e passa a disputar uma categoria com maior frequência de compra e recorrência de consumo.

A partir desta sexta-feira, 25, a operação permitirá a venda de medicamentos sob prescrição, incluindo categorias como antibióticos e canetas GLP-1, utilizadas em tratamentos relacionados à obesidade e diabetes.

“Pessoas que entram no Meli buscam de tudo, e percebemos que havia muita busca também por remédios. Além disso, a taxa de conversão de medicamentos é muito maior quando comparada aos demais produtos”, afirmou Fernando Yunes, CEO do Mercado Livre no Brasil.

Segundo o executivo, a receita médica será enviada pelo consumidor e analisada por um farmacêutico da própria operação antes da liberação da compra.

“A receita vai ser enviada a um farmacêutico, que vai imputar os dados nos órgãos necessários e, a partir disso, vai para a nossa logística”, disse Yunes.

A entrega rápida será integrada ao modelo. Inicialmente, a operação estará concentrada em São Paulo, com possibilidade de entrega em até uma hora em regiões atendidas pela logística da companhia.

Além da venda direta de medicamentos, o Mercado Livre prepara uma segunda etapa da estratégia, que é levar farmácias tradicionais para dentro da plataforma.

A companhia pretende encerrar o ano com pelo menos 20 redes de farmácia operando no marketplace, no modelo conhecido como 3P (third-party), em que parceiros vendem diretamente ao consumidor usando a infraestrutura digital da plataforma.

As primeiras integrações devem começar em outubro na região metropolitana de São Paulo.

A mudança aproxima o Mercado Livre de um modelo já consolidado em outras categorias do próprio negócio, em que a empresa funciona como uma plataforma de conexão entre vendedores e consumidores.

Como o Mercado Livre entrou no mercado farmacêutico

A entrada no setor de medicamentos começou com uma restrição regulatória.

A venda online de medicamentos no Brasil precisa ser vinculada a uma farmácia ou drogaria aberta ao público e devidamente regulamentada. Para cumprir essa exigência, o Mercado Livre adquiriu a Farmácia Cuidamos, no Jabaquara, em São Paulo.

O ponto físico, que anteriormente pertencia à healthtech Memed, passou a funcionar como a base regulatória para a operação própria da companhia.

Em 2026, a empresa iniciou um projeto-piloto restrito a alguns bairros da capital paulista, como Vila Mariana, Paraíso e Itaim. A operação começou com medicamentos sem prescrição médica, conhecidos como OTC (over the counter), além de vitaminas e produtos relacionados à saúde.

O modelo inicial combinava estoque próprio, entrega em até três horas e atendimento farmacêutico por chat.

Agora, com a inclusão de medicamentos de receita e a entrada de farmácias parceiras, o Mercado Livre amplia a ambição dentro de uma categoria considerada estratégica pela empresa.

Por que o Mercado Livre quer farmácias

O movimento segue uma estratégia já adotada pela companhia em outros países da América Latina, como México, Colômbia, Argentina e Chile.

O interesse está principalmente na frequência de compra. Diferentemente de categorias como eletrônicos ou bens duráveis, medicamentos e produtos de saúde têm consumo recorrente e podem aumentar a frequência de uso da plataforma.

A empresa ainda não divulgou uma meta financeira específica para a vertical de saúde no Brasil.

A entrada em medicamentos com receita também coloca o Mercado Livre em uma disputa com grandes redes farmacêuticas brasileiras, que já possuem operações digitais próprias e redes físicas espalhadas pelo país.

Com a combinação entre farmácia própria, logística rápida e marketplace, a estratégia da companhia é transformar a plataforma em um ponto de compra também para uma das categorias mais recorrentes do varejo.

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