A inteligência artificial capturou não só a atenção dos consumidores, como o bolso dos investidores. E, na esteira da euforia em torno dessa tecnologia, algumas perguntas se tornam cada vez mais frequentes. Uma delas é: estamos vivendo uma bolha? A outra é: os investimentos um dia vão se pagar?
A gestora brasileira IP Capital Partners, que tem R$ 2,7 bilhões sob gestão, não só acredita que o retorno vai acontecer, como está apostando nos grandes nomes dessa onda tecnológica: Microsoft, Meta, Alphabet e Amazon.
“Geralmente, crises e bolhas acontecem quando existe um descasamento entre o progresso tecnológico e a curva de adoção. No caso da IA, o que a gente tem percebido é uma curva de adoção acelerada”, diz Gabriel Raoni, sócio da IP Capital Partners.
De acordo com Raoni, o retorno sobre o capital investido está na casa dos 20%. “Então, a geração de valor é enorme”, afirma em entrevista ao Café com Investidor, programa que entrevista os principais investidores do Brasil, uma parceria entre o NeoFeed e a CNN Brasil, exibido no CNN Money.
O investimento das grandes empresas de tecnologia, na visão de Raoni, passou por dois ciclos principais. Entre 2023 e 2025, Microsoft, Meta, Alphabet, Amazon e Oracle investiram cerca de US$ 150 bilhões em iniciativas ligadas à inteligência artificial.
Agora, os investimentos devem não só subir, como entrar em outra fase. A estimativa é que avancem para US$ 750 bilhões em 2026 e alcancem cerca de US$ 1,2 trilhão em 2027.
Para sustentar a tese de que esses gastos serão monetizados, Raoni mencionou declarações recentes do CEO da Alphabet, Sundar Pichai. “Dois terços desse investimento têm payback em menos de três anos”, afirmou o gestor ao comentar os investimentos em infraestrutura ligados à IA.
A crença de Raoni está também baseada nas fortalezas que essas companhias têm para enfrentar a competição. O gestor afirma que uma das principais diferenças em relação a empresas mais novas é a capacidade de levar rapidamente novos produtos ao mercado.
Segundo ele, a Meta conta com mais de 3 bilhões de usuários, enquanto a Microsoft possui centenas de milhões de usuários dentro do ecossistema Office. Já o Google reúne diversos produtos com mais de 1 bilhão de usuários cada.
Essa base instalada reduz o custo de adoção de novas ferramentas baseadas em inteligência artificial. “É muito mais fácil para essas empresas fazer um rollout de um eventual produto”, diz Raoni.
Outro fator observado pela IP Capital Partners, cujos fundadores são Roberto Vinháes e Christiano Fonseca Filho (conhecido como Crico), o pai do tenista João Fonseca, é a participação dessas empresas em diferentes camadas da infraestrutura da IA.
Raoni divide a cadeia em cinco segmentos: energia, semicondutores, data centers, modelos de linguagem e aplicações voltadas ao usuário final.
Na avaliação de Raoni, Microsoft, Alphabet, Amazon e Meta atuam simultaneamente em várias dessas etapas, o que reduz riscos relacionados à utilização da infraestrutura construída para dar suporte ao crescimento da tecnologia. “Você atuar em diferentes camadas diminui essa probabilidade de ociosidade”, afirma.
Embora veja potencial no mercado de inteligência artificial, a IP não demonstra o mesmo entusiasmo com companhias como OpenAI e Anthropic.
O sócio da IP Capital Partners afirma que os preços atribuídos a esses negócios incorporam expectativas elevadas em um momento em que suas vantagens competitivas ainda estão sendo definidas. “Eu acho os valuations muito elevados”, diz. “A vantagem competitiva está sendo construída.”
Segundo o gestor, a preferência da casa recai sobre empresas que já apresentam histórico de geração de caixa, posição dominante em seus mercados e modelos de negócio consolidados. “Eu prefiro muito mais uma história que já está mais solidificada.”
E o Brasil?
Apesar da exposição internacional (atualmente, dois terços do capital da gestora estão alocados no exterior), a IP Capital Partners segue investindo em ações brasileiras.
Raoni afirma que os juros elevados elevaram o prêmio de risco da Bolsa e abriram espaço para oportunidades em empresas consolidadas. Entre as principais posições citadas pelo gestor estão o Itaú e as distribuidoras de energia Equatorial e Energisa.
A tese envolve previsibilidade de resultados, histórico de geração de valor e capacidade de atravessar diferentes ciclos econômicos e regulatórios. “É possível você comprar excelentes companhias no Brasil.”
Sobre o Itaú, ele destaca o potencial de retorno aliado à capacidade de enfrentar períodos mais difíceis do ciclo econômico. “Se vier uma crise de crédito, eu acho que ele é um dos mais bem protegidos.”
Já sobre Equatorial e Energisa, a avaliação é que são empresas que atravessaram diferentes ciclos regulatórios, mantendo capacidade de gerar valor aos acionistas. “São histórias longevas de geração de valor.”












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