A ação do Nubank (ROXO34) acumula queda superior a 15% em 2026 até agora, o que levou o papel ao menor múltiplo já registrado desde que a companhia abriu capital, em dezembro de 2021, de acordo com cálculos do Itaú BBA. Para analistas da casa, a desvalorização abre uma janela rara para o investidor que acredita na tese de longo prazo da fintech — mas os riscos de curto prazo que produziram a queda ainda não desapareceram.
Com as recentes quedas, o múltiplo preço sobre lucro (P/L) do Nubank para 2026 chegou a 17 vezes, e deve recuar para 15 vezes em 2027. Para uma empresa que negociou a 34 vezes lucro em 2024, o recuo é expressivo, ressalta o BBA.
“Nubank sofreu desvalorização em relação aos financeiros latino-americanos neste ano por três razões”,
Os analistas Pedro Leduc, Mateus Raffaelli e William Barranjard apontam três razões para a desvalorização do Nubank em relação aos seus pares na América Latina.
Expansão nos EUA gera mais dúvidas do que valor
O primeiro fator, reconhecido pelos próprios analistas como “em grande parte autoinfligido”, é a entrada da companhia no mercado americano. O timing e a intensidade dessa expansão têm elevado as despesas operacionais sem que haja, por ora, retorno claro para a tese de investimento. “Somente o tempo e a execução bem-sucedida vão aliviar essa preocupação”, ponderam os analistas.
IA amedronta o setor — mas o Nubank estaria bem posicionado
O segundo vetor de pressão é externo e afetou o setor de tecnologia e fintechs de forma ampla: o temor de que a inteligência artificial venha a “disromper os disruptores” — ou seja, que as mesmas ferramentas tecnológicas que permitiram às fintechs desafiar bancos tradicionais possam agora ser usadas contra elas.
Nesse ponto, o Itaú BBA diverge do consenso pessimista. Para os analistas, o Nubank é “um dos mais preparados” para aproveitar a IA a seu favor, reduzindo a necessidade de contratações adicionais no curto prazo.
Custos sobem em 2026 antes de melhorar
O Itaú BBA estima alta de 37% nas despesas totais do Nubank no ano, impulsionada por três frentes de investimento — retorno ao trabalho presencial (o banco adotou um modelo híbrido), expansão internacional e aportes em inteligência artificial — além do crescimento nas despesas com programas de recompensa, parte da estratégia de atrair clientes de renda mais alta com produtos como o cartão Ultravioleta e o recém-lançado Latam Pass Mode.
Apesar do ruído, os analistas apontam que os fundamentos operacionais no Brasil seguem robustos. A carteira de crédito total deve crescer 27% em 2026, atingindo R$ 226 bilhões, enquanto o lucro líquido estimado para o ano é de R$ 21,1 bilhões — alta de 32% sobre 2025. O retorno sobre patrimônio deve se manter em 29%.
Em cartões de crédito, o banco já detém 17% do volume transacionado no Brasil e, no ano passado, ultrapassou Bradesco e Santander em volume. Em crédito pessoal, as originações chegaram a 30% de market share, liderança no setor. No México, a operação — ainda deficitária — apresentou pela primeira vez resultado positivo após custo de risco, sinal de maturação da operação internacional mais avançada fora do Brasil.
O Itaú BBA mantém recomendação de outperform — equivalente a “compra” — com preço-alvo de US$ 20 por ação, e sugere aos investidores que “adicionem posição nas quedas”. A cotação da ação na NYSE estava em torno de US$ 14 na data do relatório, publicado em 16 de março.












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