Sem alarde, a gigante dos fundos de hedge Bridgewater Associates – com uma carteira de US$ 92,1 bilhões em ativos sob gestão – se desfez de ações chinesas listadas nos Estados Unidos no segundo trimestre, sinalizando uma guinada estratégica em meio ao enfraquecimento da confiança dos investidores com as perspectivas econômicas da China.
A iniciativa da Bridgewater de zerar posições de ações chinesas nos EUA foi revelada com sua última atualização trimestral para a Securities and Exchange Commission, a comissão de valores mobiliários dos EUA – conhecida como 13F – na quarta-feira, 13 de agosto.
A atualização mostra que o fundo fechou participações em várias empresas chinesas, incluindo grandes nomes como Baidu, Alibaba, JD.com, PDD Holdings, Nio, Trip e Yum China. Outros nomes incluem Qifu Technology e Ke Holdings.
As movimentações de peso da Bridgewater incluíram redução de posição na Apple e aumento de participação em outras duas gigantes de tecnologia, Microsoft e Nvidia.
A guinada da posição do hedge fund em relação às ações chinesas nos EUA ocorre num momento de grandes mudanças internas. No início de agosto, o investidor Ray Dalio – que criou a Bridgewater há quase 50 anos e sempre foi um defensor de investimentos na China – vendeu sua participação remanescente no fundo e se afastou do conselho.
Dalio, de 76 anos, porém, continua como mentor da equipe de investimentos – ele já havia havia deixado o cargo de CEO em 2017. Em abril, Dalio citou o conflito do governo chinês com os EUA e a queda dos preços entre os principais desafios que assolam a economia chinesa, mas observou que os problemas eram administráveis pelos líderes chineses, “se eles fizessem bem o seu trabalho”.
O investidor vinha defendendo um reequilíbrio nas relações EUA-China, argumentando que os desequilíbrios comerciais minaram a indústria manufatureira americana. A crescente tensão entre os dois países por conta da política tarifária imposta pelo presidente Donald Trump pode ter levado a Bridgewater a zerar suas posições com empresas chinesas.
As negociações comerciais bilaterais seguem num limbo, após o governo americano anunciar na segunda-feira, 11, uma prorrogação da trégua tarifária por mais 90 dias.
Sem a pausa, as tarifas americanas sobre produtos chineses subiriam para 145%, enquanto as tarifas chinesas seriam fixadas em 125%. A taxa atual sobre as importações chinesas para os EUA é de 30%, enquanto as exportações americanas para a China incorrerão em uma tarifa de 10%.
Não há sinais de que as duas maiores potências econômicas do planeta estejam próximas de um entendimento. A trégua, por enquanto, favorece os EUA, que contam com o desgaste causado pela indefinição de Trump no direcionamento das exportações chinesas.
O valor total do comércio bilateral gira em torno de US$ 670 bilhões por ano. A China exporta quase cinco vezes mais para os EUA do que o contrário, gerando um grande superávit comercial para os chineses. Esse desequilíbrio tem sido um dos principais pontos de atrito entre os dois países, levando a tarifas elevadas e renegociações comerciais.
Dois indicadores divulgados na sexta-feira, 15 de agosto, indicam que a economia chinesa está perdendo força com essas pressões tarifárias.
A produção industrial cresceu 5,7% no mês passado, segundo dados oficiais do Departamento Nacional de Estatísticas, o menor ritmo de crescimento desde novembro e abaixo da taxa de 6,8% registrada em junho. As vendas no varejo cresceram 3,7% no mês, abaixo dos 4,8% registrados em junho.
Os dados consolidam um momento difícil para a economia do país asiático, que enfrenta uma desaceleração de quatro anos no mercado imobiliário e as consequências da guerra tarifária com os EUA.
Como pano de fundo, o governo Xi Jinping luta contra a ameaça de deflação e as crescentes preocupações com sua superprodução industrial – problema agravado com a possibilidade de seus produtos perderem acesso ao mercado americano.
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