Ibovespa sobe mais de 2% no dia, mas tem primeira queda mensal em sete meses

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O Ibovespa encerrou o último pregão de março em forte alta refletindo a melhora do apetite global por risco diante de sinais de uma possível desescalada da guerra no Irã. Nesta terça-feira, 31, o principal índice da bolsa brasileira subiu 2,71%, aos 187.461,84 pontos, acompanhando o otimismo em Nova York, onde as bolsas fecharam em forte alta também.

O volume financeiro foi robusto, somando R$ 37,9 bilhões, com destaque para a entrada de capital estrangeiro ao longo da sessão.

No desempenho mensal, o Ibovespa registrou leve queda de 0,70% em março, após um período marcado por elevada volatilidade em função do conflito no Oriente Médio. Ainda assim, a recuperação observada nesta e na semana passada, quando o índice acumulou alta superior a 3%, ajudou a reduzir perdas mais acentuadas no mês.

Mas o resultado interrompe uma sequência de sete meses consecutivos de ganhos. No acumulado do ano, porém, o índice ainda sustenta valorização expressiva de 16,35%.

Entre os destaques do dia, a Vale (VALE3) avançou 3,75%, mesmo com a queda de 0,80% no preço do minério de ferro. Os bancos também tiveram desempenho positivo, com BTG Pactual (BPAC11) subindo 5,41%, Itaú Unibanco (ITUB4) avançando 4,52%, Bradesco (BBDC4) em alta de 3,79%, Santander Brasil (SANB11) com ganho de 3,79% e Banco do Brasil (BBAS3) subindo 2,68%.

Na ponta negativa, as ações da Petrobras recuaram, com as preferenciais daa Petrobras (PETR4) caindo 2,01% e as ordinárias Petrobras (PETR3) cedendo 1,35%, acompanhando a queda do petróleo no mercado internacional.

A commodity perdeu força após notícias de que os Estados Unidos estaria disposto a encerrar o conflito com o Irã, embora os preços ainda permaneçam acima de US$ 100 por barril.

A maior queda do índice ficou com Prio (PRIO3), que recuou 8,17%, seguida por Marfrig (MRFG3), com baixa de 3,09%. Do lado positivo, a liderança foi da Natura (NATU3), que disparou 12,99% após anunciar mudanças em seu conselho de administração e a entrada do fundo Advent como acionista. Magazine Luiza (MGLU3) subiu 9,62%, enquanto B3 (B3SA3) avançou 7,98%.

Mercado priorizou sinais de redução das tensões

No cenário externo, investidores reagiram a sinais de que pode haver uma abertura, ainda que incerta, para o fim da guerra. Reportagem do Wall Street Journal indicou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estaria disposto a encerrar as operações militares mesmo sem a reabertura imediata do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o petróleo global.

Ao mesmo tempo, autoridades iranianas sinalizaram que o país não busca prolongar o conflito.

Apesar do alívio, o ambiente segue sensível. Durante a tarde, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou que poderá atacar big techs e empresas americanas que operam na região do Golfo, em retaliação às ações dos Estados Unidos.

Para Marcos Praça, diretor de análises da ZERO Markets Brasil, o dia foi marcado por uma melhora relevante no humor dos mercados, ainda que o pano de fundo permaneça delicado. Segundo ele, a percepção de uma possível janela para o fim do conflito foi suficiente para impulsionar os ativos de risco globalmente.

“O mercado comprou a ideia de que existe chance de desescalada no Oriente Médio, o que sustentou a alta das bolsas, a queda do dólar e o alívio nos juros. Ainda assim, o cenário segue muito sensível, e qualquer frustração diplomática pode trazer de volta a volatilidade”, afirma.

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