Jeitto trava briga com Master em FIDC “fora dos padrões” e vê inadimplência explodir

jeitto-trava-briga-com-master-em-fidc-“fora-dos-padroes”-e-ve-inadimplencia-explodir

Ler o resumo da matéria

A inadimplência da carteira do FIDC Jeitto, administrado pelo Master, saltou 146% desde o início do ano e atingiu R$ 879,56 milhões em outubro, enquanto os créditos adimplentes caíram 70%. O agravamento se intensificou após a Jeitto parar de recomprar créditos vencidos acima de 90 dias, impulsionado por uma estrutura considerada “fiscalmente ineficiente” pela fintech.

A ausência de novos aportes levou à paralisação de empréstimos e à liquidação do fundo, previamente à intervenção do Banco Central no Master. A Jeitto lançou um novo FIDC administrado pela Oliveira Trust, com inadimplência baixa até outubro e nova emissão em aberto, além de manter outro fundo menor administrado pela Vórtx.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

A fintech Jeitto, focada em crédito para as classes C e D, enfrenta um aumento repentino da inadimplência em seu principal veículo de financiamento, o FIDC Jeitto, administrado pelo Banco Master. De acordo com dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), do total da carteira de crédito de quase R$ 1,1 bilhão no Master, R$ 879,56 milhões estavam inadimplentes no fim de outubro, contra apenas R$ 201,04 milhões em dia.

Essa porção dos créditos inadimplentes sofreu um aumento de 67% em relação ao mês de abril e de 146% em relação ao início deste ano. Já os créditos adimplentes do FIDC caíram 60% e 70%, respectivamente, no mesmo período. Desde outubro de 2024, o veículo não recebia novos aportes. Com patrimônio líquido estimado em R$ 481,7 milhões, o FIDC Jeitto é o maior entre os 52 administrados pelo Master, segundo levantamento da Uqbar.

A piora da qualidade de crédito da carteira, inclusive, foi motivo de uma batalha entre a fintech e o Master nos últimos meses. A instituição de Daniel Vorcaro, na condição de administradora, notificou a Jeitto pelo não pagamento dos créditos com mais de 90 dias de inadimplência – uma condição que, segundo o Master, estava prevista em anexo do regulamento do fundo.

A interrupção dos pagamentos ocorreu ainda antes de maio deste ano, quando, por meio de uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE), foi concedido um waiver até o fim de setembro, tirando a obrigatoriedade da recompra dos créditos com mais de 90 dias de inadimplência.

No documento público que o NeoFeed teve acesso com as justificativas para obter o waiver, a Jeitto afirmou que a estrutura do FIDC era “fiscalmente ineficiente” e que lhe custou R$ 200 milhões em três anos em “impostos adicionais e custos de funding adicionais (versus uma estrutura de mercado)”.

Segundo a Jeitto, “a estrutura do FIDC dificulta a captação de recursos de outros investidores, dado suas regras diferentes dos padrões utilizados pelos fundos de mercado no Brasil”, e que existia a necessidade de migrar para uma estrutura de FIDC mais eficiente. A conclusão era que a transição aumentaria “consideravelmente os resultados do Jeitto de maneira imediata”.

Naquele momento, o crédito vencido há mais de 90 dias era de R$ 72 milhões e representava 13,6% do total inadimplente. Até outubro, data dos dados mais recentes, esse volume cresceu 517% para R$ 445 milhões e passou a representar cerca da metade do total inadimplente. A situação pode se agravar ainda mais, dado que havia mais de R$ 200 milhões em créditos inadimplentes entre 61 e 90 dias.

“Aparentemente, a inadimplência vinha sendo contida pelo pagamento dos créditos com mais de 90 dias vencidos. Quando cessou esse pagamento, a inadimplência explodiu”, disse um analista de FIDCs que analisou os documentos, a pedido do NeoFeed.

Em outubro, o Master encaminhou uma notificação extrajudicial impedindo o fundo de realizar novas aquisições de direitos creditórios até que os valores sejam pagos. Outubro foi o primeiro mês em que o FIDC não fez novas aquisições.

O fundo, segundo documentos da CVM, foi criado em 2020 e é constituído por um único cotista na cota sênior, classificado como banco comercial.

No início de dezembro, questionada sobre o que faria com o FIDC administrado pelo Master, a Jeitto afirmou que o fundo já estava em processo de liquidação antes mesmo de o Banco Central decidir encerrar as operações do banco. A fintech afirmou ainda que o Master era apenas o administrador do fundo, sem qualquer outra relação com a empresa.

A Jeitto era vista como uma das fintechs emergentes na disputa pelo crédito para baixa renda, tendo adquirido a Pilla em fevereiro deste ano. Mas, sem conseguir levantar recursos com o FIDC administrado pelo Master, a Jeitto afirmou que precisou interromper a originação de empréstimo pessoal em março e reduziu o ritmo de empréstimos no rotativo.

A empresa ainda informou que encerrou o primeiro trimestre com Ebitda negativo de R$ 18,9 milhões, mas que, se tivesse uma estrutura mais eficiente em seu FIDC, já teria atingido o breakeven ainda no primeiro trimestre.

Com o FIDC parado no Master, a Jeitto estruturou um novo FIDC para financiar suas operações, desta vez administrado pela Oliveira Trust. O fundo começou a rodar em agosto e, no fim de outubro, tinha R$ 61,9 milhões em créditos adimplentes e R$ 3,27 milhões inadimplentes.

Após a oferta inicial, o fundo está com uma emissão em aberto, com o objetivo de captar até R$ 40 milhões em cotas mezanino e R$ 160 milhões em cotas sêniores. De acordo com dados da CVM, até o fim de outubro, o fundo tinha um investidor na cota sênior, dois na mezanino e um na júnior.

A Jeitto tem mais um FIDC, administrado pela Vórtx, segundo dados da plataforma Uqbar, com cerca de R$ 7,5 milhões em carteira e quase R$ 6 milhões em provisões.

Procurada pelo NeoFeed, a Jeitto não retornou o pedido de entrevista até a publicação desta reportagem.

Fique Por Dentro

Master impediu FIDC do Jeitto de fazer novas aquisições

Jeitto criou novo FIDC na Oliveira Trust para financiar operações

Segundo Jeitto, FIDC do Master custou R$ 200 milhões em ineficiência

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *