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Marcelo Noronha, ao assumir o Bradesco no final de 2023, anunciou uma transformação de cinco anos focada em rentabilidade e competitividade, priorizando a tecnologia. Cintia Scovine, CTO do banco, lidera essa agenda, que inclui a contratação de mais de três mil profissionais de TI e a redução do lead time em 43%. Em 2025, o investimento em tecnologia cresceu 22%, com previsão de mais 16% em 2026. O Bradesco busca consolidar um modelo de execução em escala, especialmente em investimentos e wealth management, utilizando IA para melhorar o atendimento e recomendações de investimentos. A transformação é dividida em quatro frentes: base tecnológica, modelo operacional, plataforma de agilidade e AI First. A plataforma corporativa de IA generativa, Bridge, já suporta mais de 500 casos de uso. O banco reportou um lucro de R$ 24,7 bilhões em 2025, buscando mudar a percepção de que ficou para trás na digitalização.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Quando assumiu a presidência do Bradesco, no fim de 2023, Marcelo Noronha anunciou um plano de transformação de cinco anos. Entre os pilares, prometeu acelerar a agenda tecnológica para enfrentar a pressão sobre rentabilidade e competitividade em um cenário de juros elevados e avanço das fintechs. Tornar o banco mais tecnológico – e ser percebido dessa forma por clientes e pelo mercado – foi definido como prioridade desde o início da gestão.
A execução dessa agenda está sob a responsabilidade de Cíntia Scovine, diretora executiva de tecnologia (CTO) do banco, que detalhou ao NeoFeed os avanços já feitos e as principais frentes para 2026. Depois de um período focado na construção de bases, como a contratação de mais de três mil profissionais de TI desde 2024, este ano marca a transição de testes e provas de conceito para a fase de escala.
“A tecnologia é a base de tudo para a transformação do banco. Estamos focando neste ano em reduzir ainda mais o lead time, buscar ganhos adicionais de produtividade, reforçar cibersegurança e avançar em automação e aceleração de nuvem, dentro de uma agenda AI First”, afirma Cíntia, ao NeoFeed.
Em 2025, o investimento em tecnologia cresceu 22% em relação a 2024. E a previsão é que neste ano avance mais 16%. A prioridade agora é consolidar o modelo de execução em escala e levá‑lo para áreas com impacto direto na experiência do cliente e na receita. Entre elas, investimentos e wealth management.
Nesse segmento, um dos projetos é a aplicação de inteligência artificial para avaliar ligações telefônicas da assessoria de investimentos (advisors). A ferramenta analisa a aderência a roteiros e boas práticas e sugere melhorias para interações futuras. A proposta é reduzir improvisos e tornar a atuação dos advisors mais orientada por dados.
“No piloto, a acurácia das notas geradas por IA frente à avaliação humana ficou em 84%, o que permite escalar feedbacks, reduzir viés de amostragem e apoiar o desenvolvimento dos mais de 1700 advisors com dados objetivos”, diz Cíntia.
Segundo o banco, o projeto foi concluído em meados de novembro de 2025 e começou a ser implantado por verticais e está na fase final de implementação, com conclusão prevista para este trimestre.
Outra frente prevista para 2026 é a evolução do sistema de recomendação de investimentos baseado em inteligência artificial. A tecnologia, já disponível no site, está sendo integrada ao aplicativo por meio da BIA, a assistente virtual do banco.
De acordo com o Bradesco, essa camada de recomendação já responde por mais de 65% do valor captado nas jornadas de investimento.
“O BRAScan é a nossa recomendação Netflix de investimentos. Com base no perfil, fazemos as recomendações. Com a BIA fazendo perguntas, iremos conseguir avançar ainda mais e estamos construindo um robô advisor para fazer recomendações”, afirma Cíntia.
“Step by step tecnológico”
A agenda tecnológica faz parte do plano de transformação anunciado em 2023, em um contexto em que o Bradesco era visto pelo mercado como um banco em processo de recuperação tecnológica após perder espaço para concorrentes mais avançados na digitalização. A pressão vinha tanto de bancos tradicionais, quanto de instituições digitais, as chamadas fintechs.
“A postura do atual management está mais alinhada a um avanço tecnológico”, diz um gestor que está comprado em ações do Bradesco. “E o ‘step by step’ do Noronha até na agenda tecnológica”, complementa, referindo a uma frase que o atual presidente gosta de repetir ao se referir ao processo de transformação do Bradesco.
O mercado também tem visto avanços. Após os resultados do quarto trimestre, o Itaú ressaltou que os investimentos continuam pesando no lucro, mas que isso está acontecendo por um bom motivo. O efficiency ratio melhorou para 50%, de 52,2% do ano anterior, mostrando o progresso da transformação do banco em eficiência.
Já o BofA destacou que após oito trimestres do início do seu plano de transformação de cinco anos, o Bradesco conseguiu elevar seu ROE para acima do seu custo de capital, superando suas próprias expectativas em dois trimestres. O guidance para 2026 é mais fraco exatamente pelos maiores investimentos em tecnologia, que devem atingir o pico em 2026. Mas devem continuar a render bons frutos para frente.
Quatro pilares
Dentro do plano de cinco anos, a tecnologia está estruturada em quatro grandes frentes. A primeira é a base tecnológica, responsável pela arquitetura do banco, hoje 100% em cloud.
O objetivo é reduzir o tempo de entrega e ampliar a flexibilidade. Nesse processo, o Bradesco encerrou 2025 com mais de 10,5 mil profissionais de tecnologia — cerca de 6,5 mil internos —, após um aumento de 35% no número de desenvolvedores.
Desde 2024, o banco afirma ter reduzido em 43% o lead time (tempo total decorrido entre o início de um processo e a sua conclusão final) e ampliado em 118% o volume de features de negócio na comparação entre o fim de 2025 e o encerramento de 2023.
O segundo pilar é o modelo operacional, que separa iniciativas de transformação das rotinas de operação, com governanças e ritmos distintos, sem criar estruturas paralelas. A terceira frente é a plataforma de agilidade, voltada a dar escala e padronização à entrega.
Nesse contexto, o banco aprimorou a BEX, portal que concentra ferramentas para engenheiros, e criou a Biotec, iniciativa que insere IA diretamente no ciclo de desenvolvimento para aumentar a produtividade — do desenho da demanda à entrega em produção.
O quarto pilar é a estratégia AI First, que trata a inteligência artificial como infraestrutura. Essa abordagem se materializa na plataforma corporativa de IA generativa chamada Bridge, que centraliza a governança e a escalabilidade dos casos de uso.
Atualmente, a plataforma opera com serviços reutilizáveis, multiagentes e voz em tempo real, integrando diferentes modelos com foco em segurança, privacidade e compliance. Segundo o banco, ela já sustenta mais de 500 casos de uso e mais de 70 soluções em produção.
O Bradesco afirma que os resultados dessa agenda já aparecem nos números: lucro de R$ 24,7 bilhões em 2025, ROE de 15,2% no quarto trimestre e carteira de crédito de R$ 1,089 trilhão.
Um dos exemplos citados que têm ajudado nos resultados é o “Mentor IA”, usado no treinamento de equipes de recuperação de crédito. A ferramenta identifica profissionais com melhor desempenho, analisa abordagens por perfil de cliente e estrutura programas de coaching. Segundo o banco, o ganho de produtividade com o uso da solução foi de 22%.








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