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O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Entrepay e suas subsidiárias Acqio e Octa devido ao comprometimento econômico-financeiro, violação de normas e riscos anormais para credores.
A Entrepay, parte do conglomerado de Antonio Carlos Freixo Júnior, enfrentava problemas de repasses a lojistas, que foram inicialmente classificados como “instabilidade técnica”. A situação se agravou com a rescisão do contrato com o Banco do Nordeste, que expôs a fragilidade da empresa. Freixo Júnior é alvo de investigações por fraudes e lavagem de dinheiro, e Daniel Vorcaro é suspeito de ser o “dono oculto” da Entrepay.
Com a liquidação, os bens dos controladores foram tornados indisponíveis, e Cassio Haig Vartanian foi nomeado liquidante. Lojistas e credores agora aguardam a massa liquidante para tentar recuperar seus valores, sem a proteção do Fundo Garantidor de Créditos.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
O que começou como um “soluço” operacional nos repasses a lojistas terminou na manhã de sexta-feira, 27 de março, com a canetada definitiva do Banco Central (BC). O órgão regulador decretou a liquidação extrajudicial da Entrepay Instituição de Pagamento, estendendo a medida para a Acqio, o negócio de adquirência, e a Octa, a Sociedade de Crédito Direto, os outros dois braços do grupo.
Na decisão, o BC justificou a medida em razão do “comprometimento da situação econômica-financeira” das instituições, a violação de normas legais e regulamentares e a existência de prejuízos que sujeitavam os credores a um “risco anormal”.
“Trata-se de conglomerado prudencial de porte pequeno e enquadrado no segmento S4 da regulação prudencial, tendo como instituição líder a Entrepay Instituição de Pagamento”, escreve a autoridade monetária.
“Em dezembro de 2025, o conglomerado detinha aproximadamente 0,009% do ativo total do Sistema Financeiro Nacional (SFN). Em se tratando de instituições de pagamento e de sociedade de crédito direto, as entidades liquidadas não possuem captações por intermédio de instrumentos cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC)”, complementa.
A EntrePay era mais uma fintech tentando se posicionar como um player disruptivo no setor de meios de pagamento. Mas as suas conexões iam muito além dos serviços para o setor financeiro.
A empresa faz parte do conglomerado de negócios do empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, que é alvo de investigações da Polícia Federal (PF) em razão de suspeitas de fraudes cometidas pelo Banco Master e alterações relevantes em Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) que detinham a companhia como cedente dos créditos.
De acordo com o Estadão, as autoridades suspeitam que Daniel Vorcaro seja o “dono oculto” da EntrePay. Mineiro, como Freixo Júnior é conhecido, seria o operador da infraestrutura que beneficiava o Master. A desconfiança é que o modelo de ligação era o mesmo da Reag, com uma série de fundos sendo usados em esquemas de fraude e lavagem de dinheiro.
Freixo Júnior também vinha sendo monitorado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), além das autoridades policiais.
Com a liquidação da instituição de pagamento, os bens dos controladores e ex-administradores foram tornados indisponíveis, e Cassio Haig Vartanian foi nomeado como liquidante para gerir o espólio das empresas.
O caso BNB
A intervenção do BC é o desfecho de uma crise de liquidez e governança que o NeoFeed acompanhou e antecipou os sinais de insolvência para o mercado.
No início de março, a Entrepay enfrentava uma onda de queixas de lojistas por atrasos sistemáticos nos repasses. Na ocasião, o que a empresa tentava classificar como “instabilidade técnica” escondia, na verdade, problemas estruturais maiores.
De acordo com apuração do NeoFeed, a operação estava sob o cerco da Compliance Zero, da PF, e enfrentava mudanças em seus FIDCs – o motor que deveria garantir o fluxo de caixa para os pagamentos aos lojistas.
O cerco apertou para a EntrePay quando o Banco do Nordeste (BNB) rescindiu unilateralmente o contrato que mantinha com a EntrePay na primeira quinzena de março.
A empresa era a parceira operacional das maquininhas do programa Crediamigo, um dos maiores microcréditos da América Latina. O descumprimento dos prazos de repasse aos microempreendedores do Nordeste tornou a parceria insustentável e expôs a fragilidade do grupo ao mercado e ao regulador.
Para lojistas e credores que possuem valores retidos, o que resta agora é esperar a massa liquidante para tentar reaver seus recursos. Diferentemente de bancos comerciais, as Instituições de Pagamento (IPs) e Sociedades de Crédito Direto (SCDs) como a Octa não contam com a proteção FGC.
Após a publicação da reportagem, o Grupo Entre enviou esses esclarecimentos:
Sobre a liquidação do BC: “O Grupo Entre informa que tomou conhecimento da decisão do Banco Central que decretou a liquidação extrajudicial da Entrepay Instituição de Pagamento, da Acqio Adquirência e da Octa Sociedade de Crédito Direto, conforme comunicado público divulgado nesta data.
“O Grupo esclarece que vinha conduzindo, de forma estruturada, um processo de descontinuação das operações dessas sociedades, no contexto de uma revisão estratégica de seu portfólio de negócios, com foco na transição ordenada das atividades, no cumprimento das obrigações assumidas e na preservação da continuidade operacional durante esse período.
“O Grupo Entre reafirma seu compromisso com a colaboração integral com as autoridades competentes, prestando todos os esclarecimentos necessários e acompanhando os desdobramentos do processo de liquidação dentro dos canais institucionais apropriados, de forma também a mitigar impactos a clientes, parceiros e demais públicos relacionados.
“O Grupo Entre possui outros negócios que seguirão seu curso normalmente”.
Sobre Daniel Vorcaro: “O Grupo Entre esclarece que não procede a informação de que Daniel Vorcaro seria “dono oculto” da Entrepay. Não existe qualquer vínculo societário, de controle ou governança entre o empresário e a companhia.
“A decisão de liquidação extrajudicial da Entrepay foi adotada pelo Banco Central no âmbito de suas competências legais, conforme comunicado público, e está sendo acompanhada pela empresa dentro dos canais institucionais apropriados.
“O Grupo Entre ressalta que vinha conduzindo, de forma estruturada, um processo de descontinuação das operações da Entrepay, com foco na transição ordenada das atividades e no cumprimento das obrigações assumidas.
“A companhia reafirma seu compromisso com a transparência, a colaboração com as autoridades e a correção de informações que possam gerar interpretações equivocadas sobre sua estrutura ou atuação”.
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Banco Central decretou liquidação extrajudicial da EntrePay
Medida se deu por problemas financeiros e riscos a credores
Bens dos controladores foram tornados indisponíveis na liquidação











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