As ações da Marvell Technology subiram 25% no pré-mercado americano desta terça-feira, 2, depois que Jensen Huang, CEO da Nvidia, chamou a empresa de “próxima empresa trilionária” no palco da Computex de Taipei.
O problema — e o que torna o movimento interessante — é que a capitalização de mercado da Marvell no fechamento de segunda-feira, 1º, era de US$ 192 bilhões.
Para chegar ao trilhão projetado por Huang, a empresa precisaria multiplicar seu valor por mais de cinco vezes. O mercado, por ora, decidiu acreditar.
O contexto do salto
A alta de hoje não veio do nada. No acumulado do ano, as ações da Marvell já subiam mais de 158% antes do anúncio de terça, reflexo da aposta crescente do mercado na tese de que chips customizados para IA são o próximo grande ciclo de semicondutores, segundo a Reuters.
Em março de 2026, a Nvidia havia investido US$ 2 bilhões na Marvell como parte de um acordo estratégico.
Na semana passada, a empresa projetou que seu negócio de chips customizados vai superar US$ 10 bilhões em receita no ano fiscal de 2029 — guidance divulgado à SEC que analistas descreveram como conservador diante da aceleração da demanda, segundo a Financial Content.
O guidance para o segundo trimestre do ano fiscal de 2027 aponta receita de US$ 2,7 bilhões, segundo o Form 8-K mais recente da empresa na SEC. A margem bruta não-GAAP esperada é de 58,25% a 59,25% — nível elevado para uma empresa de semicondutores e sinal de poder de precificação.
O que o mercado está precificando
A alta de 25% num único pregão reflete menos o elogio de Huang e mais a confluência de três fatores que o mercado estava esperando para precificar de uma vez.
O primeiro é a posição da Marvell na cadeia de IA. A empresa fornece chips de conectividade óptica e ASICs customizados para os maiores hiperescaladores do mundo, como Google, Amazon e Microsoft.
Quanto mais esses clientes expandem seus data centers de IA, mais produtos da Marvell são necessários. O segmento de data centers já responde por mais de 70% da receita total da empresa, segundo a Financial Content.
O segundo é o endosso da Nvidia. Huang não apenas elogiou a Marvell — ele a endossou publicamente como parte essencial do ecossistema de IA que a Nvidia está construindo.
Para o mercado, isso é equivalente a uma garantia de demanda futura. A Nvidia não quer apenas vender chips, mas sim construir uma plataforma onde fornecedores e parceiros sejam interdependentes com sua infraestrutura. E a Marvell é um dos pilares dessa plataforma.
O terceiro é o ciclo óptico. A Marvell está no centro da transição de redes de data centers de cabos de cobre para conexões ópticas — que transmitem dados como pulsos de luz e são mais rápidas, mais eficientes e mais escaláveis.
Esse ciclo, descrito pelo Goldman Sachs como a próxima grande tendência da infraestrutura de IA, ainda está no início.
A Marvell começou a fornecer chips para conexões de 1,6 terabit por segundo em 2026 — os mais rápidos do mercado.
Os riscos que o entusiasmo tende a ignorar
A alta de 25% num único pregão baseada numa declaração de um CEO concorrente levanta questões legítimas.
Huang tem interesse direto no sucesso da Marvell. A Nvidia investiu US$ 2 bilhões na empresa e depende de seus chips de conectividade para seus próprios produtos. O elogio não é neutro.
Há também riscos operacionais concretos. O negócio de ASICs customizados tem ciclos de design longos e zero flexibilidade: se um hiperescalador muda sua arquitetura no meio do ciclo, ou se há atraso na produção de chips em 3 nanômetros ou 2 nanômetros na TSMC, a Marvell pode enfrentar lacunas de receita significativas, segundo a Financial Content.
E historicamente, mais de 40% da receita da empresa veio da China, exposição que se tornou um risco crescente diante das restrições de exportação americanas.
O trilhão projetado por Huang implica um crescimento de mais de 420% a partir do valor atual. É uma projeção que o mercado pode levar anos para testar — ou refutar.












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