“Tsunami azul” transforma Donald Trump em um pato manco?

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A expressão “pato manco” descreve um governante enfraquecido, e a derrota dos republicanos nas eleições de meio de mandato sugere que Donald Trump pode estar nessa posição. Os democratas conquistaram uma vitória significativa, controlando tanto o Senado quanto a Câmara, com 54 cadeiras no Senado e 228 na Câmara.

Essa mudança reflete um descontentamento crescente com as políticas de Trump, especialmente em relação à economia e à guerra contra o Irã. As expectativas são de que os democratas limitem o poder de Trump, especialmente em questões tarifárias e orçamentárias, e promovam investigações sobre corrupção envolvendo ele e sua família.

O novo controle democrático pode resultar em embates acirrados no Congresso, com promessas de reverter cortes de impostos e reativar subsídios na saúde. Trump, por sua vez, já sinalizou que usará seu poder de veto para resistir às iniciativas democratas.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

A expressão “pato manco” (lame duck, em inglês) é usada na política americana para descrever um governante que continua no poder, mas está enfraquecido, com pouca influência sobre o Congresso, sobre aliados ou sobre decisões futuras. Isso costuma acontecer quando o mandato está perto do fim ou quando o líder sofre derrotas políticas importantes.

A derrota dos republicanos nas eleições de meio de mandato, que estão mostrando um resultado muito além das piores projeções feitas para o presidente americano e seus pares, transformam o Donald Trump em um pato manco?

Com a apuração ainda em andamento, as urnas já confirmam uma vitória esmagadora e bem acima do esperado dos democratas, que passarão a controlar tanto o Senado como a Câmara, no que já está sendo chamado por muitos como o “tsunami azul”.

Até o fim da manhã de quarta-feira, 4 de novembro, essa avalanche se traduz em 54 cadeiras para os democratas contra 44 dos republicanos no Senado. Já na Câmara, o placar foi ainda mais dilatado – 228 contra 139 -, enquanto nos estados, o Partido Democrata elegeu 28 governadores, ante 20 dos rivais.

“O povo americano está punindo os republicanos. Eu achava que seria uma noite ruim, mas esta é uma dor implacável e insuportável para os republicanos em geral”, resumiu Patrick McHenry, ex-congressista republicano, em entrevista à Bloomberg Television.

Esses números foram acompanhados de alguns marcos que deram um peso ainda maior ao calvário dos republicanos, que acumularam resultados desfavoráveis em estados dominados tradicionalmente pelo partido e em que Trump saiu vencedor nas últimas eleições.

Uma dessas derrotas “dentro de casa” aconteceu no Texas, onde James Talarico superou Ken Paxton, encerrando um longo jejum dos democratas, que não elegiam um senador no estado desde 1988. Lá, de quebra, o partido elegeu ainda a governadora Gina Hinojosa.

O Kansas trouxe mais um exemplo nessa direção. No estado, onde os democratas não conquistavam um assento no Senado há 94 anos, Adam Hamilton saiu vencedor, ao superar o republicano Roger Marshall.

Na Carolina do Sul, em outra virada histórica num reduto republicano, a democrata Annie Andrews derrotou Darline Graham, revertendo as projeções e colocando um ponto final em um histórico de 28 anos de derrota do partido na disputa por uma vaga no Senado pelo estado.

Além desses e de outros casos similares, os democratas alcançaram feitos como a vitória de Abdul El-Sayed no estado do Michigan. Com o resultado, ele se tornou o primeiro senador muçulmano eleito na história dos Estados Unidos.

A reação de Trump não tardou. E, como de costume, veio com uma série de publicações feita em seus perfis nas redes sociais no decorrer da madrugada de quarta, 4 de novembro. À medida que a apuração avançava, ele se eximia do resultado e distribuía a responsabilidade a muitos de seus pares.

“Eu não estava na cédula eleitoral e, se estivesse, teríamos vencido com uma vitória esmagadora”, disse ele, em uma das postagens. Em outra publicação, o alvo foi o canal Fox News, conhecido por seu histórico alinhamento com os republicanos.

“A Fox News é responsável por essas perdas por dar espaço constantemente à oposição democrata”, escreveu Trump, que também ressaltou a queda na audiência do canal na esteira de um suposto maior tempo de cobertura dado aos “democratas lunáticos”.

À parte das bravatas de Trump, o que as cédulas parecem ter mostrado é um crescente descontentamento dos americanos com políticas implantadas pelo presidente, em particular, a guerra contra o Irã e as tarifas impostas a diversos países, entre eles, o Brasil.

As próprias pesquisas já indicavam esse descontentamento, com mais de 60% dos eleitores afirmando que as políticas de Trump prejudicaram a economia.

Essas e outras medidas que nortearam, até o momento, seu segundo mandato e acabaram se refletindo em questões como o aumento do preço dos combustíveis e do custo de vida da população do país. E, na prática, não fizeram a “América grande novamente”, colocando Trump no centro do pleito.

Agora, a perspectiva é de que a chancela dada aos democratas coloque um freio nessas e em outras políticas. E de que a segunda metade do seu último mandato na Casa Branca seja muito mais acidentada do que a pista livre ofertada, até aqui, pelo domínio dos republicanos no Congresso.

Não são poucas as expectativas de redução das margens de manobra de Trump com a retomada do espaço – e do controle – dos democratas no Senado e na Câmara. A começar pela limitação do seu poder no que diz respeito às tarifas, especialmente com parceiros como Canadá e Europa.

Ao mesmo tempo, a previsão é de crescimento nos embates nas duas casas no que diz respeito a questões orçamentárias e às preocupações com o cenário fiscal do país, que já está sob os holofotes dos congressistas.

As projeções também apontam que os congressistas democratas tentarão desfazer mudanças feitas em programas como o Medicaid e reativar subsídios na área da saúde, bem como derrubar cortes de impostos que beneficiaram empresas e famílias de alta renda.

Em outro campo, as pesquisas das midterms mostraram a crescente preocupação dos americanos com suspeitas de corrupção e outras polêmicas envolvendo Trump e sua família, o que foi reforçado com as promessas dos democratas em promover um amplo escrutínio sobre o presidente e seu clã.

Prestes a assumir o Comitê de Supervisão da Câmara, o democrata Robert Garcia, por exemplo, já ressaltou que o órgão vai se concentrar em temas como os arquivos de Jeffrey Epstein, os negócios da família e a repressão a imigrantes promovida pelo governo de Trump. “Contrate um advogado”, escreveu Garcia, nas redes sociais na noite da terça-feira.

As projeções são de que essa lupa alcance outras esferas. Entre elas, a legislação, os investimentos e as empresas de inteligência artificial (IA), especialmente em áreas como os data centers, que concentram boa parte desses recursos e cujo avanço tem sido alvo de críticas dos democratas.

Ainda nesse espaço, parte dos analistas aponta a grande probabilidade de que esses congressistas se debrucem sobre a proximidade dessas companhias e de outras big techs com a Casa Branca. E que convoquem o alto escalão dessas empresas para depor no Congresso.

Em meio a essas apostas, Trump reservou parte das suas postagens nas últimas horas para a publicação da foto de um boné com a palavra “Veto”, sinalizando que irá recorrer ao seu poder de veto presidencial para barrar as investidas dos democratas. Resta saber qual será o saldo desses embates.

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