O Ibovespa opera em forte alta nesta terça-feira, 21, impulsionado pela desaceleração do IPCA-15 de julho, a prévia da inflação que veio abaixo das expectativas do mercado e reforçou a percepção de espaço para cortes de juros no Brasil. Por volta das 11h20 (horário de Brasília), o principal índice da B3 subia 1,03%, aos 177.132 pontos, enquanto o dólar comercial mantinha o movimento de alta da véspera ao subir 0,22%, cotado a R$ 5,123.
Entre as empresas de maior peso do índice, a Vale (VALE3) recuava 0,55%, enquanto a Petrobras subia forte após as fortes quedas na segunda, 27, apesar da queda do petróleo no exterior. As ações ordinárias (PETR3) avançavam 2,02% e as preferenciais (PETR4) 1,46%.
A maioria das ações do setor financeiro também avançam, com exceção das preferenciais do Itaú (ITUB4), que operam praticamente estáveis com ligeira queda de 0,02%. As units do BTG Pactual (BPAC11) sobem quase 1%, enquanto as do Santander (SANB11) avançam 0,62%. O Bradesco (BBDC4) registra alta de 0,37% e o Banco do Brasil (BBAS3) de 0,49%.
Liderando os ganhos estão os papéis de Marfrig (MBRF3), que sobem 2,58%. Eles são seguidos por Klabin (KLBN11), Gerdau (GGBR4). Ambev (ABEV3) e Suzano (SUZB3) que sobem mais de 2%.
Na ponta negativa, as ações de telecomunicações lideram as perdas. A Vivo (VIVT3) cai 3,42%, enquanto a TIM (TIMS3) recua 2,88%. A CSN (CSNA3) também opera em baixa, com queda de 1,05%. No fechamento desta segunda, as duas maiores operadoras de telefonia da bolsa brasileira divulgaram seus balanços do segundo trimestre de 2026.
No Brasil, os investidores repercutem o IPCA-15 de julho. A prévia da inflação subiu 0,06% no mês, abaixo da expectativa de alta de 0,22% projetada por analistas. O resultado também representa uma forte desaceleração em relação ao avanço de 0,41% registrado em junho e foi o menor resultado mensal desde julho de 2023.
Para o diretor de câmbio da Ourominas, Elson Gusmão, o indicador reforça uma melhora no cenário doméstico, mas os riscos externos ainda limitam o movimento. Ele vê que a bolsa recuperou parte das perdas provocadas pela confirmação da tarifa de 25% sobre produtos brasileiro, “mas ainda não eliminou o risco comercial.”
“Se as tarifas reduzirem exportações brasileiras ou ampliarem a tensão comercial, o dólar poderá ganhar força mesmo com a inflação doméstica mais baixa. A estabilidade desta manhã revela, portanto, um equilíbrio provisório entre o IPCA-15 favorável e pressões externas ainda relevantes”, esclareceu.
Já o CEO da Gravus Capital, Ricardo Trevisan, também confirmou que o movimento positivo do Ibovespa tem como principal gatilho o IPCA-15. Para o gestor, a composição do índice mostra uma desinflação mais disseminada, com destaque para a queda de preços de alimentos e bebidas.
“A Selic está hoje em 14,25% e o Copom (Comitê de Política Monetária) se reúne em 4 e 5 de agosto, então uma inflação corrente tão comportada devolve ao Banco Central o espaço para voltar a cortar”, esclareceu Trevisan. “O que ainda segura a mão do mercado é o calendário externo. O Fed [Federal Reserve] decide amanhã [os juros nos Estados Unidos] e a aposta é de manutenção dos juros entre 3,50% e 3,75%.”
Petróleo recua com Oriente Médio
No exterior, os preços do petróleo recuam diante de sinais de redução das hostilidades envolvendo o Irã e os EUA e a possibilidade de avanços sobre a reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global da commodity.
O Brent para outubro recuava 1,34%, negociado a US$ 87,18 o barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) para setembro caía 1,28%, a US$ 81,55.
Conversas entre autoridades iranianas, sauditas e omanenses sobre a segurança no estreito ajudaram a reduzir a percepção de risco nos mercados de energia. Apesar disso, permanecem incertezas sobre a duração da trégua entre EUA e Irã e sobre possíveis impactos no fornecimento global.
Wall Street opera mista antes de decisão do Fed
Nos EUA, os principais índices operam sem direção única, em meio à temporada de balanços corporativos e à pressão sobre ações de semicondutores. O Dow Jones subia 0,71%, enquanto o S&P 500 recuava 0,12%, rondando a estabilidade, e a Nasdaq caía 1,05%.
Entre as empresas em destaque, a Sherwin-Williams avançava mais de 7% após divulgar resultados acima das expectativas, enquanto a Coca-Cola subia mais de 4% após lucro superior ao projetado.
Na contramão, o setor de chips seguia pressionado. O ETF VanEck Semiconductor (SMH) recuava cerca de 3%, com quedas em empresas como Micron, Western Digital, Seagate Technology e Astera Labs.
Os investidores também aguardam a decisão de juros do Fed. A expectativa predominante é de manutenção das taxas, mas o mercado busca sinais sobre os próximos passos da política monetária americana.
Bolsas europeias oscilam com balanços corporativos
Na Europa, os principais índices operam próximos da estabilidade, com investidores acompanhando a temporada de resultados e a queda do petróleo. O Stoxx 600 recuava 0,07%, enquanto o DAX, da Alemanha, caía 0,15%. O FTSE 100, de Londres, avançava 0,31%, e o CAC 40, da França, subia 0,04%.
Ásia fecha mista com pressão sobre ações de chips
Na Ásia, os mercados encerraram o pregão sem direção única, ainda pressionados pela forte queda das ações de semicondutores. O Nikkei, do Japão, despencou 3,95%, enquanto o índice australiano S&P/ASX 200 avançou 0,60% e o Hang Seng, de Hong Kong, subiu 0,41%. Na China, o Shanghai Composite recuou 1,16%.
O movimento refletiu a continuidade da correção em empresas ligadas a chips, após perdas expressivas registradas na sessão anterior em mercados asiáticos.












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