Lupatech engrossa lista de empresas da bolsa em recuperação extrajudicial

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A Lupatech (LUPA3), fabricante de válvulas industriais e fornecedora da Petrobras, entrou com um pedido de recuperação extrajudicial junto à Vara Empresarial do Tribunal de Justiça de São Paulo. A iniciativa marca mais um capítulo da trajetória financeira da companhia, que já passou por uma recuperação judicial entre 2015 e 2023 e agora enfrenta nova crise de liquidez.

O pedido foi protocolado pela Lupatech em conjunto com seis subsidiárias. Abrange passivos de natureza trabalhista e quirografária — dívidas sem garantia real atrelada, como débitos com fornecedores e prestadores de serviço — que somam R$ 295,4 milhões no total, sendo R$ 40,8 milhões de natureza trabalhista e R$ 254,6 milhões quirografários.

Nos últimos meses, uma sequência de empresas listadas na B3 recorreu à recuperação extrajudicial para reestruturar seus passivos. Com a Selic de dois dígitos, gigantes como Raízen e GPA abriram o caminho, seguidas por Kora e Oncoclínicas, que entre o fim de abril e o início de maio de 2026 iniciaram seus próprios processos de reorganização de dívidas.

Adesões já superam o mínimo para o ajuizamento

Na data em que o pedido da Lupatech foi protocolado, o plano contava com a adesão expressa de credores titulares de 55,4% dos créditos trabalhistas e de 42% dos créditos quirografários. Ambos os percentuais superam o piso de 33,3% exigido por lei para o ajuizamento da recuperação extrajudicial. Para a homologação, contudo, é necessário atingir 50% em cada classe.

A companhia terá 90 dias, a contar do processamento do pedido, para angariar as adesões restantes. Faltam aproximadamente R$ 20 milhões em créditos quirografários para cruzar o limite mínimo.

Aos credores trabalhistas, a Lupatech propõe o parcelamento em dinheiro de até 150 salários mínimos para verbas salariais e até 30 salários mínimos para verbas indenizatórias, com o saldo remanescente convertido em bônus de subscrição, e o FGTS parcelado.

Aos credores quirografários, a oferta é de 10% do saldo em dinheiro no prazo de um ano (prorrogável por mais um ano com penalidades) e os 90% restantes em bônus de subscrição. Cada bônus equivale a R$ 100 de dívida, com preço de exercício em 10% do valor da ação e prazo de exercício de um ano.

Dívida bruta chega a R$ 186 milhões com caixa perto de zero

O balanço de 31 de março de 2026 revela uma situação de liquidez problemática. A dívida bruta totalizava R$ 186,1 milhões, sendo R$ 137,5 milhões referentes a débitos herdados da recuperação judicial encerrada em 2023, ainda em processo de amortização conforme o plano acordado com os credores à época. O caixa e equivalentes somavam R$ 253 mil, resultando em dívida líquida de R$ 185,8 milhões.

O patrimônio líquido encolheu de R$ 74,5 milhões no encerramento de 2025 para R$ 13,4 milhões em março de 2026.

Segundo a administração, o aperto monetário iniciado ao fim de 2024, com a Selic escalando até 15% ao ano, foi o gatilho imediato da deterioração recente. O crédito de fomento para encomendas de prazo mais longo, essencial ao negócio de óleo e gás, cessou. Com a queda de receita, as linhas de crédito de curto prazo atreladas a recebíveis também foram suspensas, aprofundando a contração operacional no quarto trimestre de 2025 e no primeiro de 2026.

A receita líquida consolidada do primeiro trimestre recuou para R$ 4,3 milhões, queda expressiva frente aos R$ 18,4 milhões registrados no mesmo período de 2025. A administração atribui o resultado ao adiamento de aquisições de insumos provocado pelo ambiente macroeconômico adverso.

A companhia também destaca que o elevado endividamento herdado da recuperação judicial anterior criou um impedimento estrutural ao acesso a capital. Do lado dos credores financeiros, a avaliação era de que o balanço da empresa já não comportava mais dívida. Do lado dos investidores dispostos a comprar ações, o receio era o risco de ver sua participação diluída no futuro.

Esse duplo bloqueio — sem acesso a dívida nova nem a capital acionário — deixou a empresa dependente exclusivamente de linhas de crédito de curto prazo lastreadas em recebíveis, que se mostraram voláteis e insuficientes diante do aperto monetário.

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