Na crise dos CVCs, o Banco do Brasil nada contra a maré

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O Banco do Brasil está intensificando sua estratégia de corporate venture capital (CVC) ao criar o BB Ventures II e investir mais de R$ 300 milhões, elevando o total para R$ 500 milhões. As gestoras MSW Capital e Vox Capital foram escolhidas novamente para gerenciar os fundos, com a MSW recebendo R$ 115 milhões e a Vox, R$ 140 milhões.

A ampliação se deve à necessidade de acompanhar novas rodadas de startups, identificar oportunidades em estágios mais maduros e formalizar a pauta ESG. O foco de investimento inclui fintechs, govtechs e agtechs, com a possibilidade de participar de rodadas Série B.

O desempenho do primeiro fundo foi positivo, demonstrando que o CVC pode gerar valor. O BB busca integrar soluções de startups em seus serviços, como demonstrado com as startups PayFy e Aprova, que já geram receita e ampliam a presença do banco no setor público.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Em um momento em que diversas corporações estão reduzindo ou encerrando iniciativas de corporate venture capital, o Banco do Brasil resolveu dobrar a aposta nessa estratégia.

O banco está criando o BB Ventures II e investindo mais R$ 300 milhões nessa estratégia, elevando o capital comprometido em CVCs para R$ 500 milhões. O primeiro veículo contava com R$ 200 milhões.

“Conseguimos extrair alguns valores estratégicos e financeiros do portfólio. E há startups que vão fazer novas rodadas. Precisávamos de dry powder para acompanhar”, diz Jean Martinelli, executivo responsável pela inovação aberta do Banco do Brasil.

As gestoras MSW Capital e Vox Capital, que foram selecionadas para gerir os recursos do primeiro fundo, foram mais uma vez escolhidas para tocar os investimentos. A primeira ficará com R$ 115 milhões, e a segunda com R$ 140 milhões. Aproximadamente R$ 30 milhões vão ser direcionados a outros fundos, como cotista.

A ampliação da aposta de CVC foi motivada por três fatores. O primeiro é a necessidade de acompanhar novas rodadas de startups já investidas. O segundo é a identificação de oportunidades em estágios mais maduros. O terceiro é a formalização da pauta ESG como eixo transversal da tese.

A estratégia do Banco do Brasil é investir em fintechs, govtechs e agtechs. O cheque deve crescer, pois, além de investir em late seed e Série A, o perfil majoritário dos aportes, o objetivo é também participar de rodadas Série B.

A MSW Capital, gestora do primeiro fundo do BB, terá um papel central na nova fase. Ela será responsável por um novo veículo de R$ 115 milhões, maior que o anterior e com mudanças relevantes na estratégia.

O Fundo 1 investiu em cinco startups, como a  PayFy, e ainda tem recursos reservados para follow-on. Segundo Richard Zeiger, sócio da MSW Capital, o desempenho do primeiro fundo foi determinante para a renovação. “Conseguimos mostrar que o CVC pode gerar valor estratégico e financeiro. O banco viu isso na prática”, diz Zeiger.

A MSW Capital ampliou seu mandato. Além de fintechs, govtechs e soluções para o agronegócio, o novo fundo poderá investir em séries B, algo que não era permitido anteriormente.

“Recebia oportunidades de Série B e descartava por mandato. Agora faz sentido ter uma porta aberta, desde que haja sinergia estratégica”, afirma Zeiger. A gestora prevê realizar de 6 a 8 investimentos, com cheques entre R$ 5 milhões e R$ 15 milhões, podendo chegar a R$ 20 milhões em casos específicos.

Moises Swirski, sócio da MS Capital, comenta também sobre o momento do mercado. “O hype do CVC passou. Agora as corporações tentam dar sentido ao que investiram”, diz.

Para ele, o setor caminha para uma fase em que a consolidação virá com a retomada dos exits, ainda limitada pela ausência de IPOs e pela retração de compradores estratégicos. A MSW Capital cita duas saídas anteriores — Olivia, vendida ao Nubank, e Card10, adquirida pela WebMotors — como exemplos de ciclos completos que ajudam a calibrar a estratégia atual.

A Vox Capital, que já operava um fundo de R$ 80 milhões para o BB, passa agora a gerir um novo veículo de R$ 140 milhões. A gestora mantém três verticais principais — serviços financeiros, agronegócio e govtechs — e adiciona uma quarta: biodiversidade e bioeconomia, incluindo tecnologias de monitoramento ambiental, carbono e uso do solo.

“O banco amadureceu sua capacidade de integração com startups. Há um processo contínuo de validação com as áreas internas”, afirma Rafael Campos, diretor de venture capital da Vox. A gestora prevê entre oito e 12 investimentos e já iniciou prospecção, incluindo uma chamada pública de startups de bioeconomia durante a COP.

A ampliação do BB Ventures ocorre em um momento em que o mercado de CVC passa por ajustes. Há menos programas ativos, mas os cheques ficaram maiores e mais concentrados.

A retração de 2022 e 2023 levou muitas corporações a encerrar iniciativas, enquanto outras optaram por reforçar suas teses. O Banco do Brasil se posiciona nesse segundo grupo.

Com novos fundos, governança reforçada e foco em integração com áreas internas, o banco aposta que o CVC continuará sendo uma ferramenta relevante para acelerar produtos, acessar tecnologias e ampliar sua atuação em segmentos estratégicos.

Exemplos disso são PayFy e a Aprova. No primeiro caso, a startup, investida via MSW Capital, desenvolve uma plataforma de gestão de despesas corporativas. O BB decidiu consumir a solução em white label e incorporá-la ao seu cartão corporativo.

“Se fosse desenvolver internamente, o time to market seria mais longo e a disputa por recursos de TI seria maior”, afirma Martinelli, do BB. O produto já gera receita adicional para o banco, algo que não existia antes da integração.

No caso da Aprova, govtech de Cascavel que digitaliza fluxos administrativos de prefeituras, o banco integrou a solução aos seus convênios de arrecadação e passou a oferecê-la como parte do pacote comercial para municípios.

Em poucos meses, a ferramenta alcançou mais de 140 prefeituras, com cerca de 20 delas utilizando também funcionalidades do banco. A integração gerou aumento de cross-sell e ampliou a presença do BB no setor público.

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