A Amazon (AMZN) viu suas ações dispararem mais de 9% no after-hours desta quinta-feira, 30, após divulgar o balanço do segundo trimestre de 2026. Um número em específico se destacou no relatório: a aceleração da Amazon Web Services (AWS), o braço de computação em nuvem da companhia.
A receita do segmento cresceu 37% na comparação anual, para US$ 42,2 bilhões, o ritmo mais forte da divisão desde 2022. O número superou com folga a expectativa do mercado, que projetava crescimento de 31%. Como a nuvem é a principal fonte de lucro da Amazon e funciona como termômetro da demanda por infraestrutura de inteligência artificial, foi esse dado que destravou a alta dos papéis no pós-mercado.
Por que a AWS é o detalhe que move a ação
O balanço trouxe uma receita líquida de US$ 200,6 bilhões, alta de 20% e a primeira vez que a companhia superou os US$ 200 bilhões em um trimestre.
O lucro líquido chegou a US$ 62,6 bilhões, ou US$ 5,75 por ação, mas esse número está “inflado” por um ganho contábil não recorrente de US$ 53,4 bilhões ligado à participação da Amazon na Anthropic, desenvolvedora do modelo de IA Claude.
O lucro operacional da AWS avançou 64%, para US$ 16,6 bilhões, com margem de 39,4%, ante 32,9% um ano antes. A rentabilidade da nuvem em expansão, somada ao crescimento acima do esperado, respondeu à principal dúvida que rondava o papel: se os pesados investimentos em IA estavam se traduzindo em retorno.
O contexto do gasto bilionário em IA
A Amazon reafirmou que espera investir cerca de US$ 200 bilhões em capex em 2026, com foco em inteligência artificial. Em carta a acionistas, o presidente-executivo Andy Jassy afirmou que a companhia não está investindo esse montante “num palpite”.
O mercado vinha demonstrando desconfiança com os gastos elevados das big techs em IA. A Meta caiu 9% após reportar um estreitamento do fluxo de caixa livre para menos de US$ 1 bilhão e elevar o piso de seus investimentos. No início do mês, a Alphabet, dona do Google, havia perdido 7% depois de elevar sua estimativa de capex e entrar em terreno de fluxo de caixa livre negativo.
A Amazon está entre as hyperscalers mais agressivas em investimento e opera o maior negócio de nuvem, por meio do qual vende capacidade de computação a clientes como OpenAI e a própria Anthropic.
Em abril, a companhia anunciou que investiria até US$ 25 bilhões em novo capital na desenvolvedora de IA. Como parte do acordo, a Anthropic se comprometeu a comprar mais de US$ 100 bilhões em serviços de nuvem da Amazon, um contrato que ajuda a sustentar o crescimento da AWS nos próximos anos.
O reverso: caixa livre no negativo
O apetite por investimento tem um custo visível na geração de caixa. O fluxo de caixa operacional em 12 meses cresceu 33%, para US$ 161,4 bilhões, mas o fluxo de caixa livre no mesmo período virou negativo em US$ 7,6 bilhões, ante uma entrada de US$ 18,2 bilhões um ano antes. A reviravolta reflete o aumento de US$ 66,1 bilhões em compras de imobilizado, concentradas em infraestrutura de IA.
Para o terceiro trimestre, a companhia projeta receita entre US$ 197 bilhões e US$ 202 bilhões e lucro operacional entre US$ 22,5 bilhões e US$ 26,5 bilhões.












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