Petrobras em queda após balanço pressiona Ibovespa; dólar ronda R$ 4,90

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O Ibovespa abriu o pregão desta terça-feira, 12, em queda de 0,71%, a 180,6 mil pontos, após ter fechado o dia em baixa de 1,19% na sessão anterior e acumular quatro semanas seguidas de recuo. Por volta das 10h45 (horário de Brasília), o índice reduzia perdas e recuava 0,27%.

As ações da Petrobras pesam sobre a bolsa brasileira. As ações da companhia caem após a divulgação do banaço do primeiro trimestre, período em que o lucro da petrolífera recuou 7%.

O dólar comercial opera estável, com cerca de 0,15%, a 4,89 reais, enquanto o petróleo Brent sobe mais de 3%, na casa dos US$ 108.

A inflação medida pelo IPCA registrou alta de 0,67% em abril, mostrando uma desaceleração de 0,21 ponto percentual (p.p.) se comparado a março. Nos últimos 12 meses, a inflação acumulada é de 4,39% e, no ano, de 2,60%. O Índice de Preços ao Consumidor (CPI, em inglês) dos Estados Unidos também subiu 0,6% em abril, com ajuste sazonal, acumulando alta de 3,8% nos últimos 12 meses e 3,7% no ano.

O CEO da Gravus Capital, Ricardo Trevisan, vê que o índice “chega nesta terça para digerir uma segunda difícil”, em um contexto onde “o mercado simplesmente não tem dado trégua nas projeções” de inflação e juros vistas no último Boletim Focus. É esperada, ainda, “pressão vinda de combustível e alimento, puxada pelo petróleo no Oriente Médio.”

Tanto as ações preferenciais quanto ordinárias da Petrobras recuavam mais de 1%. As ordinárias da Vale também caíam 1,02%, a R$ 82,60. Outros nomes de peso no Ibovespa também recuavam, como Itaú (-0,60%), Axia Energia (-0,56%) e Bradesco (-0,28%). Do lado positivo do índice, estavam os papéis da Hapvida, com alta de 12,50% depois do balanço.

Petróleo sobe com cessar-fogo em “estado crítico”

No exterior, o clima também é de cautela. Os preços do petróleo avançam com força hoje após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que o cessar-fogo entre o país e o Irã está “em estado crítico”, aumentando o temor de uma nova escalada no Oriente Médio. O barril do petróleo West Texas Intermediate (WTI) voltou a superar os US$ 100, enquanto o Brent avançava acima dos US$ 107.

Essa tensão no mercado de energia segue como principal foco dos investidores globais, especialmente diante do risco de interrupções prolongadas no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte mundial de petróleo. O CEO da Saudi Aramco, Amin Nasser, havia alertado que, mesmo que a passagem marítima seja reaberta imediatamente, o mercado pode levar meses para se reequilibrar, e a normalização da oferta pode ficar comprometida até 2027.

Bolsas dos EUA operam sem direção única hoje

Em Wall Street, as bolsas abriram em queda. O CPI veio acima da expectativa do mercado e no maior nível desde maio de 2023. O dado inflacionário reforçou a percepção de que os custos de energia decorrentes da guerra com o Irã começam a contaminar outros segmentos da economia estadunidense.

Entre os destaques corporativos, as ações da Micron Technology devolviam parte dos ganhos recentes e caíam mais de 2% no pré-mercado. A fabricante de chips havia disparado mais de 37% na semana passada, embalada pelo rali das empresas de memória e IA.

Europa abre em queda com radar no Reino Unido

Na Europa, as bolsas operam em queda diante do aumento das incertezas geopolíticas e da deterioração do ambiente político no Reino Unido. O índice pan-europeu Stoxx 600 recuava cerca de 0,6%, enquanto as principais bolsas da região operavam no vermelho. Frankfurt caía 0,86%, Madri perdia mais de 1% e Milão recuava 0,74%.

Além das preocupações com o Oriente Médio, investidores europeus acompanham a crise política envolvendo o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer. Integrantes do Partido Trabalhista passaram a pressionar publicamente pela renúncia do premiê após o mau desempenho da legenda nas eleições locais da semana passada. Apesar disso, Starmer afirmou que seguirá no cargo e tentará recuperar a confiança do partido.

Ásia: bolsas têm desempenho misto com incertezas

Na Ásia, o desempenho das bolsas foi misto. O índice Nikkei, do Japão, avançou 0,52%, sustentado pela expectativa de alta de juros por parte do Banco do Japão. Já o Kospi, da Coreia do Sul, caiu mais de 2% após renovar recordes históricos na sessão anterior.

Na China, os mercados tiveram leves perdas, enquanto investidores seguem avaliando os impactos econômicos do conflito no Oriente Médio e a possibilidade de novas negociações diplomáticas entre Washington, Teerã e Pequim.

Analistas afirmam que, apesar da piora geopolítica, os mercados continuam relativamente resilientes, sustentados pela expectativa de que os impactos econômicos ainda não tenham atingido 100% dos lucros das empresas.

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