Quais bancos tomaram a frente no Desenrola — um deles está em metade das negociações

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O Nubank despontou como o principal banco no Desenrola 2.0, programa do governo federal voltado à renegociação de dívidas de famílias, estudantes e empresas. Segundo relatório do BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME), a instituição concentra 52% do valor contratado dentro da linha garantida pelo Fundo Garantidor de Operações (FGO), principal mecanismo de refinanciamento do programa.

Na sequência aparece o Banco do Brasil, com 16,5% de participação. Os dois são os únicos bancos citados nominalmente pelo BTG com dados específicos de market share no programa até o momento.

Na avaliação dos analistas do BANCO, o desempenho reforça o papel do novo Desenrola como ferramenta relevante para aliviar a inadimplência de curto prazo e limpar o estoque de dívidas problemáticas no sistema financeiro. O banco também destaca que a liderança do Nubank evidencia o “forte posicionamento” da instituição em programas de renegociação.

Desenrola já alcançou mais de 1,1 milhão de renegociações

Os dados do Ministério da Fazenda mostram que o Desenrola 2.0 já alcançou mais de 1,1 milhão de renegociações, somando cerca de R$ 10 bilhões em operações renegociadas. Desse total, 449 mil dívidas foram quitadas à vista, enquanto outras 685,5 mil operações passaram por refinanciamento com garantia do FGO.

Nas dívidas quitadas à vista, o valor original dos débitos era de R$ 1,06 bilhão, mas caiu para R$ 154,2 milhões após descontos médios de aproximadamente 85%. Já nas operações refinanciadas, o valor renegociado ficou em R$ 1,36 bilhão.

Além do Nubank e do Banco do Brasil, outras grandes instituições financeiras aderiram ao programa, como Caixa Econômica Federal, Bradesco, Santander Brasil, Itaú Unibanco, Banco Inter, Banco Pan, Banco BMG e o próprio BTG Pactual e Banco Pan.

Inadimplência e risco de crédito preocupam os bancos

A participação das instituições ocorre em um momento em que a qualidade do crédito se tornou a principal preocupação do setor bancário. O relatório do BTG aponta que os bancos brasileiros estão mais cautelosos diante do aumento das preocupações com inadimplência e risco de crédito, mesmo com a demanda por empréstimos permanecendo relativamente resiliente.

Segundo o relatório do banco, os fatores ligados ao risco dominaram a deterioração das condições de crédito no primeiro trimestre de 2026. Entre eles estão o maior comprometimento da renda das famílias, o avanço da inadimplência e a menor tolerância ao risco por parte das instituições financeiras.

O banco avalia, contudo, que alguns fatores ajudam a evitar uma deterioração mais intensa da carteira de crédito, como a resiliência do mercado de trabalho, a ampliação do crédito consignado privado e o próprio Desenrola 2.0.

“Ainda esperamos que os créditos inadimplentes permaneçam relativamente sob controle nos próximos trimestres. Em nossa opinião, vários fatores de proteção devem continuar a sustentar a qualidade de crédito das famílias, incluindo a resiliência da massa salarial, a concorrência mais forte das fintechs e de novos participantes, o impacto persistente do Desenrola 2.0 e o estímulo dos empréstimos consignados do setor privado”, afirmou o BTG.

O que é o Desenrola 2.0

O programa do governo mira principalmente famílias com renda de até cinco salários mínimos e dívidas em atraso entre 90 dias e dois anos. A renegociação contempla modalidades como cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal não consignado, com descontos que podem chegar a 90%.

As novas condições também estabeleceram limite de juros de até 1,99% ao mês e parcelamento em até 48 meses para contratos em atraso.

Em contrapartida, bancos participantes devem destinar parte dos recursos garantidos pelo FGO para ações de educação financeira e restringir o uso de crédito para apostas esportivas por beneficiários do programa.

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