Sem MBA, sem planilha de valuation e sem call com o RI às 18 horas de uma sexta-feira, houve um momento que uma chimpanzé nos Estados Unidos e um gato no Reino Unido conseguiram superar investidores profissionais na escolha de ações.
Enquanto um jogava dardos, o outro arrastava um brinquedo de ratinho pelo chão.
Em 7 de janeiro de 1999, uma chimpanzé chamada Raven Thorogood III entrou na Bolsa de Nova York com uma missão incomum. Veterana de Hollywood, com três longas-metragens e várias comerciais no currículo, segundo comunicado da Bloomberg, ela estava prestes a estrear numa nova carreira como “gestora de portfólio”.
O método era simples. Raven arremessou dardos contra um painel com 133 empresas de internet listadas na Nasdaq. Os dez acertos formaram o MonkeyDex, um índice próprio de ações do setor de “nova economia”.
Inktomi, Lycos e CMGI estavam entre as escolhidas, conforme compilado de dados do Guiness World Record.
O timing era perfeito, ainda que involuntário. A bolha da internet estava no auge, e qualquer carteira com exposição a internet tendia a subir. Conforme reportou o MarketWatch em outubro daquele ano, Raven já superava cinco dos seis maiores gestores de fundos de internet dos Estados Unidos.
Ao final de 1999, o MonkeyDex acumulava valorização de 213%, ante 86% do Nasdaq no mesmo período, segundo o Guinness World Records. Raven havia superado mais de 6 mil profissionais do mercado financeiro.
A festa, porém, tinha data de validade. Com o estouro da bolha em março de 2000, o Nasdaq despencou cerca de 70% nos dois anos seguintes. Em agosto de 2000, o MonkeyDex já acumulava queda de 34%. Ao fim de 2002, o portfólio e o próprio site do índice havia desaparecido.
O gato britânico gestor do ano
Mais de uma década depois, o jornal britânico The Observer montou um desafio semelhante no Reino Unido, segundo o The Guardian. Em 2012, três gestores experientes competiram contra um grupo de estudantes do colégio John Warner, em Hertfordshire, e contra um gato laranja chamado Orlando.

Orlando: gato virou o gestor do ano. (Jill Insley/Reprodução/The Guardian)
As regras eram as mesmas para todos, e os investimentos englobavam 5 mil euros fictícios distribuídos entre cinco ações do índice FTSE All-Share, com possibilidade de rotação trimestral. Orlando definia sua carteira jogando o ratinho de brinquedo sobre uma grade numerada correspondente às empresas.
Até setembro, os profissionais lideravam com 497 euros de lucro, contra 292 euros do gato. Só que o quarto trimestre virou o jogo. Os gestores optaram por não trocar nenhuma posição e pagaram caro. A British Gas caiu 19% e a Imagination Technologies recuou 16,8%, arrastando a carteira para baixo em média 7,1%.
Orlando, por sua vez, havia trocado o Scottish American Investment Trust pela Filtrona em setembro. Quase todas as suas posições subiram no trimestre. O portfólio do gato encerrou o ano em 5.542,60 euros, contra 5.176,60 euros dos profissionais e 4.840 euros dos estudantes.
“É hora de abrir o Whiskas”, disse na época o Urquhart Stewart ao Observer, com bom humor. “O gato tem talento.”
Há, claro, todo um contexto a se considerar, visto que Raven operou no pico de uma das maiores bolhas especulativas da história, onde qualquer carteira de internet teria performado bem. E Orlando se beneficiou de um quarto trimestre favorável e de decisões erradas dos adversários.












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