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A Zoox nasceu em 2010 com a oferta de Wi-Fi para hotéis e evoluiu para uma datatech que utiliza big data e inteligência artificial para capturar e analisar dados de diversos setores, como bancos e varejo.
Agora, a empresa está entrando no mercado de risco, compliance e crédito, com a meta de faturar R$ 1,1 bilhão até 2030 e a projeção de que metade desse valor virá da nova unidade de negócios.
Para transformar essa estimativa em realidade, a Zoox quer desafiar o modelo atual de análise de risco, compliance e de crédito, que considera ineficaz. E, nessa direçaõ, aposta na combinação de uma base de dados robusta com a inteligência artificial.
A nova vertical, que está sendo lançada oficialmente agora, é fruto de um projeto de dois anos, que concentrou um investimento de cerca de R$ 50 milhões. Nesse intervalo, ainda nos bastidores, a ferramenta já atraiu mais de 170 clientes, incluindo grandes bancos e empresas.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Da oferta de Wi-Fi para hotéis, em 2010, a Zoox evoluiu para uma conexão muito mais ampla: o uso desses pontos de internet sem fio para capturar dados, que, por sua vez, passaram a incluir e a alimentar as estratégias de outros setores. De aeroportos e varejistas a bancos, shoppings, hospitais e seguradoras.
Agora, esse big data – acrescido de boas doses de inteligência artificial (IA) – é a base para uma nova empreitada. Após um período de maturação, a datatech brasileira está entrando oficialmente no mercado de risco, compliance e crédito, um mercado que tem nomes como Serasa Experian e Boa Vista, comprada pela Equifax.
E, já de saída, com metas bastante ambiciosas. “Nosso plano é chegar a um faturamento total de aproximadamente R$ 1,1 bilhão em 2030”, diz Rafael de Albuquerque, fundador e CEO, ao NeoFeed. “E entendemos que, somente essa unidade de negócios de risco, vai responder por praticamente metade dessa receita”.
A Zoox estima um mercado endereçável de R$ 10 bilhões nessa nova fronteira. Atualmente, uma boa parcela dessa cifra está nas mãos de birôs de crédito. Mas, em vez de dar nomes a esses rivais, a startup prefere adotar outro discurso.
O fato, no entanto, é que, nessa disputa, a companhia reforçou seu time com um executivo que integrava o quadro de um desses rivais. Em julho de 2025, André Nigro deixou a Serasa Experian, após uma passagem de quase seis anos, para liderar a nova unidade de negócios de risco, compliance e crédito da startup.
“Para nós, o grande inimigo a ser batido é o modelo atual da concessão de crédito”, diz Nigro, chief revenue officer da Zoox, quando questionado sobre os novos concorrentes na mira da startup. “Se melhorar esse processo significa combater A, B ou C, é parte do jogo”.
Embora evite fazer menções diretas à concorrência, a Zoox não poupa restrições às ofertas disponíveis hoje nesse segmento. E um dos principais argumentos para referendar essa visão é a base atual de mais de 80 milhões de brasileiros endividados.
“Por que emprestaram tanto dinheiro para tanta gente que não consegue pagar a conta? Quem errou nessa história? Os bancos ou os motores de crédito?”, afirma Albuquerque. “Esse dado mostra que o mercado está oferecendo crédito e avaliando risco da mesma forma que fazia lá atrás.”
Nigro também não mede as palavras para deixar bem claro quais são as intenções da datatech nessa disputa. “Nós estamos chegando para disruptar e democratizar esse mercado, que hoje é dominado por poucas empresas”.
No detalhe
A fórmula que traduz essa tese parte da base expressiva de dados que a Zoox já tem dentro de casa, e que tem sido reforçada com um volume cada vez mais amplo de informações capturadas, dentro dos limites da LGPD, em diversas outras fontes. Entre elas, empresas de call center e os próprios birôs.
Com essa equação, a startup diz ter “99,9%” de dados de pessoas, empresas e da frota de veículos do país, entre outros “data sets”. E ressalta que essas informações, já enriquecidas, estão sendo turbinadas com um arsenal de algoritmos de inteligência artificial.
Na prática, a plataforma vai além das métricas usadas tradicionalmente na definição do score e da concessão ou não de crédito, ao trazer uma série de parâmetros adicionais para ajudar na tomada de decisão nesses processos.
O universo à disposição é vasto. Entre diversos outros filtros, é possível saber desde o histórico de eventuais processos judiciais até informações profissionais completas do dono daquele CPF, seu poder de compra, se ele tem empresas e, inclusive, se seus sócios são idôneos ou não.
“Nós conseguimos desenvolver essa capacidade de entender tudo sobre qualquer pessoa ou empresa e entrar nesse nível de detalhe”, diz Albuquerque. “Hoje, nenhuma companhia do setor consegue entregar essa granularidade”.
Ele observa ainda que, além de ajudar a traçar essa visão “360 graus” e de sugerir scores, a IA embutida na plataforma permite fazer qualquer pergunta a respeito dessa pessoa ou companhia. “Você consegue perguntar, por exemplo, se a IA contrataria essa pessoa como CEO da sua empresa”, diz.
Com a entrega desse pacote que combina volume de dados detalhados e a inteligência artificial, o discurso de democratização da Zoox não está restrito às pequenas e médias empresas. Ao dar acesso a essa ferramenta, a datatech também está mirando as companhias de grande porte.
Hora de fazer barulho
Reunida agora em uma unidade de negócios, essa plataforma começou a ser desenvolvida há dois anos e, desde então, já concentrou um investimento de aproximadamente R$ 50 milhões. Além de encorpar a base de dados da startup, a cifra foi aplicada em frentes como a ampliação do time de tecnologia.
Nesse intervalo, em paralelo, a Zoox testou a solução com um grande banco – de nome não revelado. E os números desse piloto ajudam a ilustrar as armas da startup nesse novo front. O cliente em questão passou a usar mais de 120 variáveis em suas análises, contra as 40 métricas que adotava anteriormente.
“Nós vínhamos operando em stealth mode, pois ainda não estávamos prontos e maduros nessa oferta”, diz Albuquerque. “Agora, estamos preparados e entendemos que está na hora de fazer barulho.”
Mesmo atuando em “silêncio” nos bastidores, a Zoox já gerou um bom burburinho com a plataforma. Tanto que já atende mais de 170 clientes com essa oferta. A relação inclui nomes como Santander, Bradesco, BTG Pactual, Mapfre Seguros, Tokyo Marine, Rede D’Or e até o Flamengo.
Uma das vias para escalar esses números será explorar a própria base da companhia. Atualmente, essa carteira é formada por cerca de 2 mil clientes – no Brasil e outros 29 países. E inclui nomes como Accor, Fasano, Iguatemi, Allos, Burger King e McDonald’s.
Com a projeção de alcançar uma receita recorrente anual entre R$ 170 milhões e R$ 180 milhões em 2026, a Zoox, que já atraiu investidores como a família Moll – dona da rede D’Or -, a 2A Investimentos e a Opus Capital, não vê necessidade de captar novos recursos. Ao menos, não neste ano.
“Essa é uma estratégia que vamos olhar com muito mais atenção em 2027. Ainda vamos entender se partimos para uma captação ou se esperamos um pouco para um futuro IPO”, diz Albuquerque. “Por enquanto, estamos muito focados nas nossas operações e em escalar cada vez mais essa vertical”.











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