Ação da Odontoprev, futura Bradsaúde, sobe quase 30% com reestruturação

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As ações da Odontoprev disparam nesta sexta-feira, 27, após o anúncio da criação da Bradsaúde, novo conglomerado de saúde que reunirá os ativos de saúde do Bradesco e será listada no Novo Mercado da B3 por meio de um IPO (Oferta Pública Inicial) reverso com a própria Odontoprev.

Às 15h40, os papéis ODPV3 avançavam 16,11%, cotados a R$ 14,92. Na máxima do dia, chegaram a R$ 16,57. No acumulado de 2026, a valorização já se aproxima de 34%. O movimento reflete a leitura de que a operação representa uma mudança estrutural na tese de investimento da companhia — e potencial destravamento de valor para os acionistas.

Durante coletiva, o CEO do Bradesco, Marcelo Noronha, e o presidente dos conselhos de administração do banco e da Odontoprev, Luiz Carlos Trabuco, classificaram a reorganização como um movimento capaz de revelar o valor real dos ativos de saúde hoje abrigados no balanço consolidado do banco.

Segundo Trabuco, esses ativos estão registrados a valor patrimonial (contábil). Com a criação de uma empresa independente e listada, o mercado poderá precificá-los de forma autônoma, o que tende a gerar “mais-valia” — ou seja, um valor superior ao atualmente refletido na contabilidade. “A arte de destravar valor significa dar a real percepção do valor que o mercado vai acabar dando”, afirmou.

O que muda para os acionistas da Odontoprev

Noronha reforçou que, ao abrir o capital da vertical de saúde, o mercado “refaz o valuation do banco” e também da nova companhia. A estimativa apresentada é de que a operação isolada de saúde possa alcançar valor de mercado próximo de R$ 50 bilhões.

“Ele agrega valor para o acionista do Bradesco e para os acionistas minoritários também da Odontoprev”, disse.

Após a reorganização, o Bradesco deterá cerca de 91,35% do capital total e votante da Bradsaúde, enquanto os atuais acionistas da Odontoprev ficarão com aproximadamente 8,65%. O banco seguirá como controlador e continuará consolidando a operação.

Segundo Noronha, não há impacto negativo esperado no capital da instituição — podendo, inclusive, haver efeitos positivos a depender da contabilização final.

Para os minoritários da Odontoprev, a principal mudança está na diversificação. Eles deixam de ser sócios de uma empresa focada exclusivamente em planos odontológicos para participar de uma holding de saúde com atuação em múltiplos segmentos, incluindo seguro saúde, hospitais, clínicas, oncologia, healthtech e diagnósticos, em um mercado endereçável estimado em R$ 400 bilhões.

Para o mercado, potencial de valorização pode ser de 57%

Após o anúncio, o Banco Safra divulgou relatório nesta sexta classificando como “transformacional” o acordo entre a Odontoprev e o Banco Bradesco. O banco avalia que a operação redefine completamente a tese de investimento da companhia.

Com a incorporação da Bradesco Gestão de Saúde (BGS), que reúne ativos como Bradesco Saúde e Mediservice, a empresa listada, a Bradsaúde, deixará de ser uma operadora odontológica e passará a atuar como holding da plataforma de saúde do grupo.

Na visão do Safra, a transação amplia a diversificação, fortalece a base de lucros e pode levar a um aumento de 24% no lucro por ação, para cerca de R$ 1,24 no cenário pro forma de 2025. A depender do múltiplo aplicado, o potencial de valorização estimado varia entre 8% e 57%.

“O negócio parece aumentar o lucro por ação (EPS) da ODPV — o que, combinado com uma potencial reavaliação das ações devido à melhoria dos fundamentos já mencionada após a combinação de negócios —, poderia levar a um potencial de alta significativo de 8% a 57% (32% no ponto médio de nossa análise de sensibilidade)”, afirmaram os analistas do Safra.

O banco, porém, destaca riscos no curto prazo, como a dependência de aprovações da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), desafios de execução e a redução do free float para cerca de 9%, já que o Bradesco deve passar a deter aproximadamente 91% da nova companhia.

Além disso, os resultados do quarto trimestre de 2025 foram considerados fracos, com EBITDA e lucro abaixo das estimativas. Ainda assim, o Safra vê a operação como positiva no médio e longo prazo, com potencial de destravar valor.

O grupo convocou assembleia geral para 31 de março para deliberar sobre a cisão parcial e as mudanças societárias. A companhia terá no comando Carlos Marinelli, atual CEO do Bradesco Saúde. O ticker da nova companhia ainda não foi definido.

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