Cerco ao crime organizado pelos EUA impacta Ibovespa e dólar sobe

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O mercado de ações brasileiro sente o impacto do cerco ao crime organizado pelos Estados Unidos. A classificação das facções criminosas como grupos terroristas pelo governo americano é “um tema caro”, segundo agentes de mercado ouvidos pela EXAME na manhã desta sexta-feira, 29.

“Terão que tomar ainda mais cuidado com os investimentos”, afirma Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos. “E não só por essa decisão. Estamos vendo o impacto grande das operações policiais contra fintechs”.

“É um tema que pesa muito mais na percepção do estrangeiro do que eleições, por exemplo”, disse um trader. Em menos de uma hora de negociações, o Ibovespa caía mais de 1%. Às 11h (horário de Brasília), operava no patamar dos 173 mil pontos, quase dois mil a menos do que tinha na abertura. Apenas três ações operavam em alta no horário. O dólar, por outro lado, avançava 0,43%, para R$ 5,05.

As três ações de maior peso no índice, Vale, Petrobras e Itaú recuavam cerca de 1%. A estatal acompanhava a queda do petróleo no mercado internacional, com o Brent na casa dos US$ 92. A expectativa em torno de um cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã volta a pressionar as cotações.

Para Bruno Shahini, analista de investimentos da Nomad, as notícias de que as negociações entre os países estariam praticamente concluídas ajudam a reduzir os prêmios de risco geopolítico acumulados nas últimas semanas.

Mas o desempenho mais fraco da bolsa doméstica contrasta com o exterior. “Reflete também uma postura mais cautelosa dos investidores diante das incertezas locais e da sensibilidade de setores relevantes do índice à queda das commodities”, diz Shahini.

Os investidores também repercutem os dados do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil divulgados nesta sexta-feira. A economia brasileira cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026 em relação aos três meses anteriores, em linha com as expectativas do mercado. Na comparação anual, o avanço foi de 1,8%.

A atividade mais forte, porém, “reforça o cenário de juros elevados por mais tempo”, reduzindo o espaço para uma flexibilização monetária mais acelerada pelo Banco Central, na avaliação do especialista da Nomad.

Petróleo cai com trégua entre EUA e Irã

Os preços do petróleo operam em queda nesta manhã, diante das expectativas de ampliação do cessar-fogo entre EUA e Irã. Parâmetro global, o barril do Brent recuava 1,82%, negociado a US$ 91,01, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), referência dos EUA, caía 1,77%, para US$ 87,33.

As commodities caminham para a maior perda semanal desde abril. Na semana, o Brent acumulava baixa de 11%, enquanto o petróleo dos EUA recuava mais de 9%, em meio à possível retomada gradual do fluxo no Estreito de Ormuz, rota estratégica para cerca de 20% da oferta global de petróleo.

Apesar disso, analistas alertam que a recuperação da oferta global deve ocorrer de forma gradual. A produção de petróleo foi fortemente afetada durante os três meses de conflito, e parte da infraestrutura de refino da região sofreu danos em ataques recentes.

Wall Street bate recordes com tecnologia

As bolsas dos EUA operavam em alta nesta sexta, com o S&P 500 e o Nasdaq renovando máximas históricas intradiárias, impulsionados pelo otimismo com o setor de tecnologia e pelas expectativas de cessar-fogo.

O S&P 500 e a Nasdaq subiam 0,2%, enquanto o Dow Jones avançava 0,3%. Os três principais índices caminham para fechar a semana e o mês em alta, com destaque para o Nasdaq, que acumula valorização de cerca de 8% em maio.

Apesar da cautela geopolítica, o mercado continua sendo sustentado, principalmente, pelos resultados das empresas de tecnologia. As ações da Dell Technologies disparavam cerca de 35% após a companhia elevar suas projeções para o ano e divulgar resultados trimestrais acima das expectativas.

Europa sobe com alta das ações de defesa

As bolsas europeias operavam sem direção única hoje, enquanto investidores monitoram a inflação da zona do euro. O índice pan-europeu Stoxx 600 subia 0,35%, aos 627 pontos.

O FTSE 100, de Londres, avançava 0,09%, enquanto o CAC 40, da França, subia 0,40%, e o FTSE MIB, da Itália, ganhava 0,61%. Já o DAX, da Alemanha, operava perto da estabilidade, com leve queda de 0,02%.

As ações do setor de defesa ampliavam os ganhos após um drone russo atingir um prédio residencial na Romênia, país integrante da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e da União Europeia. O índice europeu de aeroespacial e defesa subia 0,8%, com destaque para Airbus e Creotech Instruments.

Ásia fecha em alta com rali da tecnologia

Na Ásia, os mercados fecharam majoritariamente em alta, acompanhando o rali das ações de tecnologia em Wall Street. Na Coreia do Sul, o índice Kospi saltou mais de 3% e renovou máximas históricas intradiárias.

O Topix, do Japão, subiu 1,41% e atingiu um novo recorde de fechamento.

As ações da Samsung avançaram mais de 5% após a empresa anunciar o envio de amostras de novos chips de memória de alta performance para clientes globais, reforçando o otimismo com o setor de IA.

O Nikkei japonês subiu 2,53%, enquanto o índice australiano S&P/ASX 200 avançou 1,62%. Na China, os mercados tiveram desempenho misto. O Hang Seng, de Hong Kong, subiu 0,55%, já o índice de Xangai caiu 0,73%.

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