CEO do Nubank diz que Trump foi ‘positivo’ para o setor financeiro nos EUA

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O Nubank está próximo de entrar no mercado financeiro dos Estados Unidos e avalia que o ambiente regulatório ficou mais favorável ao setor sob o governo de Donald Trump. Em entrevista à AFP, o CEO da fintech, David Vélez, afirmou que a administração atual abriu espaço para novos concorrentes no sistema bancário.

O Nubank recebeu em janeiro uma aprovação condicional para operar como banco no país e agora aguarda a autorização definitiva.

Para o executivo, a mudança regulatória abre espaço para novos modelos digitais. “Por muito tempo os Estados Unidos ficaram fechados a conceder novas licenças bancárias. Isso mudou com a administração Trump”, disse à AFP. “E representa metade do mercado financeiro global: podemos atender muitos consumidores que hoje são mal atendidos financeiramente.”

O CEO afirma que o modelo totalmente digital do Nubank pode ser uma vantagem competitiva nesse processo. Segundo ele, o custo operacional da empresa é significativamente menor que o dos bancos tradicionais. “Nosso custo para atender um cliente é 4% ou 5% do custo de um banco tradicional”, afirmou.

Vélez também avalia que o setor financeiro ganhou mais previsibilidade regulatória nos EUA. De acordo com ele, na administração anterior havia “grande incerteza” sobre novos modelos de negócio, incluindo criptomoedas, e os reguladores eram mais resistentes à criação de novos bancos.

“Nessa área foi positivo”, disse sobre o governo Trump. “Esta administração começou a promover mais concorrência e a reduzir as barreiras de entrada.”

Trajetória do Nubank

Fundado em 2013 em São Paulo pelo colombiano David Vélez, a brasileira Cristina Junqueira e o americano Edward Wible, o Nubank nasceu com a proposta de eliminar o atendimento presencial e simplificar serviços financeiros. Mais de uma década depois, a fintech afirma ter 131 milhões de clientes no Brasil, México e Colômbia.

Em 2025, a empresa registrou receita recorde de US$ 16,3 bilhões (R$ 84,13 bilhões), crescimento de 45% em relação ao ano anterior.

O executivo diz que a companhia mantém ambições globais e aposta em tecnologia para expandir sua atuação. “O modelo de banco digital é o modelo vencedor para digitalizar 90% da população mundial”, afirmou. Segundo ele, entre 90% e 95% dos serviços financeiros globais podem ser digitalizados.

Vélez também destacou o papel da inteligência artificial no setor, mas disse que a tecnologia exige cuidado regulatório. “O maior desafio é o controle de dados e o respeito aos dados do usuário”, afirmou. “Se um algoritmo está dando ao cliente um conselho financeiro, deve cumprir a mesma regulamentação que já obriga um humano a dar o conselho correto.”

Apesar do avanço tecnológico, o CEO acredita que decisões humanas continuarão sendo necessárias em áreas sensíveis, como análise de crédito. “Muitos desses modelos de IA ainda têm problemas de alucinações, que podem representar um risco gigantesco para qualquer banco”, disse.

Sobre o Brasil, Vélez afirmou que a regulação financeira manteve estabilidade ao longo de diferentes governos. “Uma coisa que o Brasil fez muito bem é que a regulação financeira foi surpreendentemente consistente em todas as administrações, de Lula e Dilma a Temer e Bolsonaro”, disse à AFP. “Os agentes competentes na indústria financeira ganharam dinheiro no Brasil.”

*Com informações da AFP

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