O Nubank avançou na disputa pela compra da operação brasileira da Caixa Geral de Depósitos (CGD) e desponta como favorito entre os finalistas, de acordo com informações publicadas pelo governo de Portugual no jornal oficial Diário da República. Se vencer o processo, a fintech resolve o impasse com o Banco Central do Brasil e poderá manter o termo “bank” em sua marca sem necessidade de mudança.
Em novembro do ano passado, o BC publicou uma portaria que proíbe instituições sem licença bancária de utilizarem termos que sugiram atuação como banco em nomes, marcas e domínios sob qualquer idioma. A regra atingiu especialmente fintechs, caso do Nubank, que, desde sua fundação há 13 anos, opera com foco em pagamentos e crédito, sem autorização bancária plena.
Diante da nova exigência regulatória, a empresa informou ao mercado em dezembro que buscaria uma licença bancária até o fim de 2026. A aquisição de uma instituição já autorizada surge como o caminho mais rápido para cumprir essa meta e evitar uma eventual mudança de marca.
Nesta segunda-feira, 27, o governo de Portugal confirmou que o Nubank está entre os quatro finalistas no processo competitivo pela CGD Brasil, ao lado de Garantia Capital, MD Capital e Sputnik. O certame entrou na fase final, com a entrega de garantias financeiras pelos interessados, e o desfecho está previsto para julho.
A expectativa é que apenas dois concorrentes avancem para a etapa decisiva. Nesse cenário, o Nubank desponta como favorito, segundo fontes envolvidas no processo.
Quem é o banco que o Nubank quer comprar?
O braço brasileiro da CGD possui ativos entre R$ 1,8 bilhão e R$ 1,96 bilhão, conforme dados do Banco Central, com cerca de R$ 870 milhões em operações de crédito e patrimônio líquido de aproximadamente R$ 300 milhões. O negócio deve exigir um desembolso próximo de R$ 250 milhões por parte do comprador.
Para o governo de Portugal, controlador do banco, a venda faz parte de um processo mais amplo de desinvestimento iniciado após a crise financeira de 2008, quando o país assumiu compromissos com a União Europeia para reduzir sua dívida.
O processo de venda envolve duas etapas de garantias. Na primeira, os concorrentes apresentaram cartas-fiança de R$ 10 milhões, cujo prazo se encerrou recentemente. Na fase final, os participantes terão de assegurar o valor total de suas propostas. A exigência funciona como proteção caso o vencedor não consiga concluir o pagamento no fechamento da operação.
A conclusão da transação, no entanto, não será imediata. A previsão é que o negócio seja finalizado apenas em 2027, após a aprovação dos órgãos reguladores no Brasil e em Portugal.
Além do Nubank, participam da disputa nomes tradicionais e investidores do mercado financeiro, de acordo com informações do UOL. Entre eles está Luiz Cesar Fernandes, ex-sócio de instituições como Garantia e Pactual, que vê na operação uma oportunidade de retorno ao setor bancário.
Também concorrem os ex-executivos do Bradesco Mário Teixeira e Dorival Bianchi, hoje à frente da MD Capital, e o empresário Alberto Leite, dono da FS Security, que busca expandir sua atuação para o mercado financeiro.
Caso vença o leilão, o Nubank não apenas resolverá o impasse regulatório recente, como também dará um passo relevante na sua trajetória, passará a operar como banco licenciado no país, ampliando seu escopo de atuação e consolidando sua posição entre os maiores conglomerados financeiros do Brasil — hoje já ocupando a décima posição em ativos, que somavam R$ 368,5 bilhões em dezembro de 2025.












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