O Ibovespa encerrou a sexta-feira, 15, em queda de 0,61% aos 177.283 pontos. Na semana, o índice caiu 3,67%, consolidando cinco semanas consecutivas de queda, o segundo maior recuo desde o início da Guerra no Irã.
O índice foi pressionado pelo avanço das tensões geopolíticas no Oriente Médio, pela alta do petróleo e pela revisão das expectativas para os juros nos Estados Unidos. O movimento acompanhou o desempenho negativo dos mercados globais, em um ambiente de maior aversão ao risco e busca por ativos considerados mais seguros.
Na avaliação de Bruna Centeno, economista da Blue3 Investimentos, o mercado voltou a precificar um cenário de juros elevados por mais tempo no exterior, o que impactou diretamente os ativos de risco. “A abertura de juros nos Estados Unidos acabou reprecificando todo o contexto global de juros. Isso trouxe o mercado para baixo, principalmente diante das preocupações com inflação”, afirmou.
O índice também fechou pressionado por ruídos políticos domésticos envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, enquanto o mercado aguarda nova pesquisa Datafolha.
Petróleo e Oriente Médio voltam ao centro das atenções
Segundo Centeno, a frustração do mercado em torno de uma solução para os conflitos no Oriente Médio elevou as preocupações com a inflação global, principalmente por causa da pressão sobre os preços da energia.
“O principal driver dessa pressão inflacionária continua sendo o petróleo. As tensões no Oriente Médio geram preocupação sobre a oferta de energia, e isso pressiona os preços no mundo todo”, disse.
A economista destacou que o avanço do petróleo, somado aos dados recentes da economia americana e brasileira, reforçou a percepção de que os bancos centrais precisarão manter juros altos por mais tempo. “O mercado voltou a revisar para cima as expectativas de juros nos Estados Unidos, o que naturalmente pressiona Treasuries, bolsa e moedas emergentes”, explicou.
Fluxo estrangeiro mais seletivo pressiona emergentes
Para Centeno, a queda da bolsa brasileira não está relacionada especificamente a um problema doméstico, mas sim ao cenário internacional mais desafiador para mercados emergentes.
“A queda do índice não é por uma questão pontual de Brasil. Ela está muito mais ligada ao cenário de juros globais, ao dólar avançando e a um fluxo estrangeiro mais seletivo”, afirmou.
Ela ressaltou que o Ibovespa acaba sendo mais sensível a esse movimento por causa da forte concentração em commodities e grandes empresas. “Vale e Petrobras têm um peso muito relevante no índice. Nesta semana, o minério operou em queda e o petróleo ficou bastante volátil, o que impacta diretamente a bolsa”, disse.
Além disso, segundo a economista, investidores também passaram por um movimento de realização de lucros após a forte recuperação do mercado brasileiro nos últimos meses. “O Ibovespa vinha de uma alta muito expressiva, muito puxada por fluxo estrangeiro. Agora, com o mercado olhando para outros setores, principalmente as big techs americanas, houve redução de posição e reorganização de portfólio”, afirmou.
Juros futuros e dólar ampliam pressão
O avanço das taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) também pesou sobre a bolsa. De acordo com Centeno, a abertura da curva de juros continua sendo um dos principais fatores para a correção do mercado acionário.
“A curva de juros voltou a operar em alta de forma bastante forte nos últimos dias. Isso aumenta o custo de capital, reduz apetite por risco e pressiona a bolsa”, afirmou.
Ao mesmo tempo, o dólar avançou frente ao real, refletindo a busca global por proteção em meio ao ambiente de incerteza. Para a economista, o cenário reforça a cautela dos investidores com países emergentes.
“Quando o mercado revisa juros para cima nos Estados Unidos e aumenta a aversão ao risco, o fluxo estrangeiro tende a ficar mais defensivo. Isso acaba trazendo uma piora para os emergentes, incluindo o Brasil”, concluiu.












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