A ARK Invest, gestora de Cathie Wood, comprou cerca de 3,3 milhões de ações da SpaceX no dia em que a empresa de Elon Musk estreou na bolsa, um total de aproximadamente US$ 500 milhões. A compra está espalhada por diversos ETFs da gestora e foi uma das movimentações mais agressivas de Wood em anos.
O ARK Innovation ETF (ARKK), principal fundo da gestora, foi o maior comprador, com cerca de 1,69 milhão de ações avaliadas em US$ 325 milhões ao final do pregão de segunda-feira. Proporcionalmente, porém, é o ARK Space & Defense Innovation ETF (ARKX) que tem a maior exposição ao papel, com a SpaceX representando 6,8% da carteira do fundo. O ARK Autonomous Technology & Robotics ETF (ARKQ) e o ARK Next Generation Internet ETF (ARKW) também compraram a ação, que já figura entre as principais posições de ambos.
Venda de outras posições banca a compra
Para financiar o movimento, a ARK reduziu posições em Advanced Micro Devices, Teradyne, Tesla e Iridium Communications, entre outras. A gestora também diminuiu a exposição a Robinhood Markets, Roku, Baidu, Rocket Lab e L3Harris Technologies.
Em contrapartida, a ARK fez aportes menores em Kodiak AI, Pony AI, DoorDash e X-Energy, ao mesmo tempo em que aprofundou cortes em empresas de genômica, como Pacific Biosciences, Recursion Pharmaceuticals, Twist Bioscience, 10x Genomics e Veracyte. O conjunto de movimentos mostra a gestora reforçando a aposta em espaço privado, ao mesmo tempo em que reduz algumas apostas de inovação do mercado público.
Mesmo com os cortes, a Tesla segue como a maior posição do ARK Innovation ETF, representando 10,4% da carteira do fundo.
A tese por trás da aposta dupla em Musk
Com a nova compra, a aposta de Wood em Musk se ampliou. Na tese de investimento da ARK, tanto a Tesla quanto a SpaceX não são vistas apenas como empresas industriais líderes, mas como mega plataformas, nas quais escala de manufatura, software proprietário, inteligência artificial e controle sobre infraestrutura crítica podem transformar hardware caro em redes de tecnologia de alta margem.
Wood é conhecida por se sentir confortável com avaliações que investidores tradicionais costumam considerar difíceis de justificar. Para a gestora, a Tesla não é apenas uma fabricante de carros elétricos, mas uma futura empresa de robotáxis, robótica e armazenamento de energia. A ARK projeta que a ação da Tesla, hoje negociada perto de US$ 411, alcance US$ 2.600 até 2029. Em entrevista à Morningstar no início do ano, Wood afirmou que essa projeção não inclui o Optimus, robô humanoide da Tesla, o que sugere potencial de valorização adicional vindo do desenvolvimento de robótica.
A lógica se repete para a SpaceX, tratada pela gestora não apenas como uma empresa de foguetes, mas como um negócio de internet via satélite, defesa e infraestrutura orbital. Segundo a ARK, a SpaceX já era a maior posição do Venture Fund da gestora, representando cerca de 17% do patrimônio líquido em 31 de março. A avaliação de US$ 1,75 trilhão atribuída à empresa no IPO pode parecer extrema diante da receita atual, mas, segundo a gestora, está “ancorada em uma trajetória plausível”.
O ARK Innovation ETF acumula alta de 22,6% nos últimos 12 meses, impulsionado em parte pelo ganho de 25% da Tesla no período. Com a SpaceX, Wood passa a deter mais uma plataforma ligada a Musk diretamente em carteira, mas o risco de concentração nos fundos da gestora não deve ser ignorado.
*com agências internacionais












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