Micron sobe mais de 16% e impulsiona Nvidia, AMD e setor de chips no mundo

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Nesta quinta-feira, 25, Micron Technology trouxe o fôlego que os investidores de tecnologia precisavam para retomar a confiança no setor depois de uma correção que pressionou fabricantes de chips e levantou dúvidas sobre o crescimento sustentável da inteligência artificial (IA).

As ações da companhia dispararam mais de 16% no pré-mercado de Nova York, elevando seu valor de mercado para cerca de US$ 1,2 trilhão, além de impulsionar papéis de outras gigantes do segmento, como Nvidia, AMD e Intel.

Os números divulgados pela Micron evidenciam a força da demanda por memória voltada a aplicações de IA. No terceiro trimestre, a receita saltou de US$ 9,3 bilhões para US$ 41,46 bilhões na comparação anual.

A empresa estima faturamento próximo de US$ 50 bilhões para o trimestre atual.

Efeito global chega à Europa e à Ásia

A Nvidia, por exemplo, sobe 1% no pré-mercado, ao passo que a AMD salta 3,61% e a Intel, 5,41%. Em Frankfurt, os recibos da Micron avançaram cerca de 18%.

Na Coreia do Sul, o índice Kospi subiu 5,4% devido à alta de 13,1% da SK Hynix e de 5,3% da Samsung. No Japão, o cenário foi semelhante, com o índice Nikkei saltando mais de 4%

Na Europa, a ASML, maior empresa de tecnologia da região, avançou mais de 4%. O movimento foi acompanhado por ganhos da Infineon Technologies e da STMicroelectronics, sustentando os principais índices do continente.

‘Os lucros superam tudo’

Na visão do Barclays, o episódio reafirmou a máxima de que “os lucros superam tudo”, indicando que, embora os valuations atuais não sejam baratos, a trajetória de crescimento justifica a manutenção do otimismo, desde que as empresas continuem entregando o projetado, segundo a Reuters.

O crescimento reflete a forte demanda dos data centers de IA, que absorvem uma parcela cada vez maior da produção global de chips de memória.

Com menor oferta disponível para smartphones e computadores pessoais, os preços do segmento seguem em alta, avaliam fontes à agência.

Vida longa no ciclo de expansão

Além dos resultados, a Micron apresentou sinais de que o ciclo de expansão pode ter vida longa. A empresa informou possuir cerca de US$ 22 bilhões em compromissos financeiros firmados por clientes interessados em garantir fornecimento futuro de chips.

Analistas do RBC Capital Markets relataram, também, que cerca de 40% da receita da companhia deverá vir de contratos de longo prazo com preços mínimos garantidos. Segundo eles, em entrevista à CNBC, a estrutura reduz riscos para as margens e aumenta a previsibilidade dos resultados nos próximos anos.

“Nosso cenário-base é de que o atual ciclo de alta continue até 2027, e os contratos de longo prazo nos dão maior convicção quanto à sustentabilidade. Elevamos as estimativas e o preço-alvo, além de reiterar a recomendação de compra”, afirmaram os especialistas.

Cenário macro segue no radar

O cenário macroeconômico continua exigindo cautela. Os investidores seguem atentos à divulgação do Índice de Preços para Gastos de Consumo Pessoal (PCE, na sigla em inglês) nos Estados Unidos, principal indicador acompanhado pelo Federal Reserve (Fed).

Uma leitura acima do esperado hoje pode reforçar apostas de manutenção dos juros elevados por mais tempo, sustentando a força do dólar e pressionando moedas como o euro e o iene, segundo os especialistas ouvidas pelas agências.

Para o Barclays, no entanto, embora as ações de tecnologia negociem em patamares elevados, a expansão dos resultados segue sendo o principal argumento para sustentar as valorizações.

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