A Uber apontou o Brasil como o principal fator por trás da desaceleração no ritmo de crescimento das viagens no segundo trimestre, mesmo com os números absolutos subindo. O momento é de avanço de rivais chinesas no país e de impacto cambial, que pesou sobre o volume de corridas e entregas.
O número de viagens realizadas pela plataforma globalmente cresceu 18% entre abril e junho, para 3,87 bilhões, abaixo da projeção média de 3,9 bilhões dos analistas. A companhia destacou que isso foi “inteiramente atribuída ao Brasil”, que é o maior mercado da empresa em volume de viagens, segundo a Bloomberg.
A disputa por participação, porém, se intensificou com a chegada das rivais DiDi Global e a Meituan, que ampliaram investimentos no mercado brasileiro. Além disso, a desvalorização de moedas em alguns mercados deve reduzir em cerca de um ponto percentual o crescimento das reservas brutas para o terceiro trimestre.
No período, a Uber projeta reservas brutas entre US$ 58,25 bilhões e US$ 60,25 bilhões, faixa próxima da expectativa dos analistas, que estimavam US$ 59,3 bilhões. Já o lucro ajustado por ação esperado para o terceiro trimestre está entre US$ 0,84 e US$ 0,88, também em linha com as projeções.
Avanço operacional na Uber
A Uber encerrou o segundo trimestre com crescimento de dois dígitos nos principais indicadores operacionais e financeiros. As reservas brutas somaram US$ 58,02 bilhões, alta de 24% na comparação anual, devido ao avanço de 18% no número de viagens, que chegou a 3,86 bilhões no período.
O crescimento também foi sustentado pela expansão da base de usuários ativos mensais, que aumentou 16%, para 208 milhões de consumidores. Com isso, a receita líquida consolidada da companhia avançou 12%, para US$ 14,19 bilhões.
O lucro líquido atribuível à companhia também cresceu 77%, para US$ 2,39 bilhões, beneficiado por um ganho antes de impostos de US$ 1,6 bilhão relacionado à reavaliação de investimentos em participações societárias.
Por outro lado, o lucro operacional avançou 40%, para US$ 2,14 bilhões, e o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, em inglês) ajustado cresceu 33%, para US$ 2,82 bilhões. Houve também forte geração de caixa, com fluxo de caixa livre de US$ 2,79 bilhões no trimestre.
Resultado não elimina dúvidas
Apesar da pressão no Brasil, a Uber registrou US$ 58 bilhões em reservas brutas no segundo trimestre, impulsionadas pelo aumento da demanda durante a Copa do Mundo de 2026. O número superou a previsão média de Wall Street, que apontava para US$ 57,2 bilhões.
A preocupação do mercado está ligada à transição do setor de mobilidade para uma nova fase, com empresas de tecnologia investindo em robotáxis e veículos sem motorista. As informações são da Bloomberg.
Por volta das 10h16 (horário de Brasília), as ações da empresa (UBER) caíam 2,79%, a US$ 69,87, no pré-mercado de Nova York. Ao longo de 2026, a desvalorização era de 13,12%; e, nos últimos 12 meses, de -19,47%. Todavia, desde a abertura de seu capital em maio de 2019, os papéis subiam 73,18%.
Uber acelera estratégia de robotáxis
No mesmo dia da divulgação do balanço, a Uber anunciou uma parceria com a startup britânica Wayve Technologies para lançar robotáxis em Londres nas próximas semanas. Os veículos ainda terão um motorista de segurança acompanhando as viagens.
A Uber afirmou que pretende investir mais de US$ 10 bilhões em parcerias de robotáxis nos próximos anos e trabalha para levar esse tipo de serviço a até 15 cidades até o fim de 2026, incluindo São Francisco, Los Angeles, Zurique, Madri e Tóquio.
O CEO da Uber, Dara Khosrowshahi, vê que a liderança no mercado de veículos autônomos dependerá não apenas da tecnologia dos carros, mas também da capacidade de operar uma rede completa de transporte, incluindo demanda de usuários, gestão de frotas, infraestrutura, seguros e reguladores.
A Uber já possui veículos autônomos em sete cidades, mas as operações ainda são limitadas. Enquanto isso, empresas como a Waymo, da Alphabet, avançam com serviços próprios de robotáxi nos EUA.












Leave a Reply