Ibovespa descola de bolsas globais e dispara com petróleo em alta

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O Ibovespa abriu o primeiro pregão de setembro em alta, apoiado pela valorização do petróleo. O mercado também repercute a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro do segundo trimestre. Por volta das 11h20 (horário de Brasília), o principal índice acionário da B3 subia 1,77%, aos 180.567 pontos depois de ter avançado 1% na véspera, embora tenha encerrado o mês de agosto com queda de 0,33%. O dólar comercial, por sua vez, recuava 0,62%, cotado a R$ 5,148.

A Petrobras está entre os destaques positivos do Ibovespa, com as ações preferenciais (PETR4) em alta de 2,73% e as ordinárias (PETR3) avançando 2,15%. Entre as petroleiras, Brava Energia (BRAV3) sobe 3,09%, enquanto PetroReconcavo (RECV3) ganha 2,57%. Prio (PRIO3) avança 0,77% e Ultrapar (UGPA3), 2,79%.

A Vale (VALE3) também avança 0,62% após o recuo na segunda, 1°, acompanhando a alta do minério de ferro na bolsa de Dalian, na China. Na ponta positiva, Natura (NATU3) volta a liderar as maiores altas ao subir 4,46%. Cosan (CSAN3) aparece na sequência com alta de 3,59%, acompanhado por Brava.

Entre as única três quedas, Weg (WEGE3) é a maior com recuo de 0,42%, seguido por por Fleury (FLRY3) e Embraer (EMBJ3) que registram ligeira queda de 0,25% e 0,09%, respectivamente.

PIB cresce 0,5% no segundo trimestre

A economia brasileira cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026, dentro das expectativas, na comparação com os três meses imediatamente anteriores, segundo dados do Sistema de Contas Nacionais Trimestrais divulgados nesta terça-feira, 1º, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“O pregão dessa terça-feira é movimentado por dois vetores principais: a agenda doméstica e a tensão geopolítica externa”, na visão do sócio da Supernova Investimentos, João Debom. Ele vê que tanto o PIB quanto o Índice de Gerentes de Compras (PMI, em inglês) industrial estão entre os principais indicadores domésticos hoje.

O PMI da atividade industrial brasileira caiu de 47,5 em julho para 46,3 em agosto, permanecendo abaixo da marca de 50 pontos, que separa expansão de contração. Foi a segunda deterioração mensal consecutiva e a contração mais intensa em 40 meses. Para Debom, o PMI reforça a percepção de fraqueza da indústria.

Petróleo sobe com tensão no Estreito de Ormuz

Os preços do petróleo avançam diante do risco de uma escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã e de novos episódios de instabilidade no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global da commodity.

O petróleo West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA sobe 2,87%, a US$ 88,22 por barril. O Brent, parâmetro global de preços, avança 2,46%, a US$ 92,72.

A alta ganhou força após um petroleiro ser atingido por três projéteis desconhecidos enquanto transitava pelo Estreito de Ormuz na segunda-feira, 31, segundo relatório do United Kingdom Maritime Trade Operations (UKMTO). Não houve registro de vítimas.

Na segunda-feira, o Irã atacou duas bases americanas na Jordânia, em retaliação a um ataque dos EUA contra a ilha iraniana de Larak. Esta escalada geopolítica elevou o prêmio de risco e tende a beneficiar Petrobras e o setor de energia no índice na avaliação do especialista da Supernova Investimentos.

Bolsas dos EUA recuam com petróleo e juros

Os futuros das bolsas americanas recuam pressionados pela alta do petróleo e pelo avanço dos rendimentos do Tesouro dos EUA (Treasuries). O movimento aumenta a preocupação dos investidores com a inflação e com os próximos passos do Federal Reserve (Fed), banco central estadunidense.

O Dow Jones recuava 0,42%, aos 52.962 pontos. O S&P 500 caía 0,68%, aos 7.633 pontos, enquanto o Nasdaq perdia 1,28%, aos 26.034 pontos. O Nasdaq 100, mais concentrado em empresas de tecnologia, registrava queda de 1,49%, aos 29.017 pontos.

Entre as empresas de tecnologia, Nvidia, Advanced Micro Devices (AMD) e Micron Technology recuam. Microsoft e Alphabet, controladora do Google, também caem.

A alta dos juros dos títulos americanos ocorre em meio ao receio de que preços persistentemente elevados do petróleo pressionem a inflação e dificultem um eventual afrouxamento monetário pelo Fed.

Europa opera em baixa nesta terça

As principais bolsas europeias operam majoritariamente em queda. O Stoxx 600 recua 0,46%, enquanto o DAX, de Frankfurt, cai 0,95%. O FTSE 100, de Londres, perde 0,57%, o CAC 40, de Paris, recua 0,26%, e o FTSE MIB, de Milão, cai 1%.

O setor de químicos avança 1,3%, enquanto o segmento de viagens recua 1,3%.

Apesar do cenário negativo nas bolsas, os dados de atividade industrial da zona do euro vieram positivos. O PMI industrial subiu de 51,9 em julho para 52,7 em agosto, atingindo o maior nível desde maio de 2022. O resultado, porém, ficou ligeiramente abaixo da leitura preliminar de 52,8.

Bolsas da Ásia fecham sem direção única

Os mercados asiáticos encerraram o pregão sem direção única. O Nikkei 225, do Japão, caiu 0,15%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, avançou 0,23%. Na Austrália, o S&P/ASX 200 recuou 0,10%. Na China continental, o CSI 300 fechou em queda de 0,30%.

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