Fabricante do Mounjaro “reforça” sistema imunológico em negócio de US$ 2,87 bilhões

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A Eli Lilly anunciou a aquisição da Merida Biosciences por até US$ 2,87 bilhões, com conclusão prevista para o quarto trimestre de 2023.

A Merida, fundada em 2022, é especializada em tratamentos para doenças alérgicas e autoimunes, com foco na doença de Graves e na doença ocular da tireoide, que afetam milhões de pacientes nos EUA.

Com o acordo, a Eli Lilly busca expandir seu portfólio além de medicamentos para obesidade e diabetes, investindo em biotecnologia. O CEO da Merida destacou que a aquisição permitirá à empresa acessar recursos para desenvolver suas inovações.

A Eli Lilly já investiu US$ 28,8 bilhões em aquisições em 2026, incluindo empresas como Centessa Pharmaceuticals e Kelonia Therapeutics.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Na trilha do sucesso obtido no segmento de medicamentos contra obesidade e diabetes, a Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, não tem economizado para expandir seus negócios em outras prateleiras. E a farmacêutica americana deu mais uma amostra desse apetite na segunda-feira, 31 de agosto.

A companhia anunciou um acordo para a aquisição da Merida Biosciences, empresa americana de biotecnologia com sede em Cambridge, Massachussets, em uma transação que pode movimentar até US$ 2,87 bilhões em dinheiro e que tem previsão de conclusão no quarto trimestre deste ano.

Fundada em 2022, a Merida Biosciences já havia levantado US$ 121 milhões em uma rodada captada em abril de 2025, liderada pelos fundos Bain Capital Life Sciences, Biotechnology Value Fund e Third Rock Ventures.

Em comunicado, Eli Lilly observou que a aquisição tem como principal racional sua estratégia de avançar no tratamento de doenças alérgicas e autoimunes, frentes que são justamente a especialidade da Merida Biosciences.

“Estamos construindo nosso portfólio em torno de terapias que alteram significativamente o curso da doença, e não apenas seus efeitos subsequentes”, afirmou, em nota, Francisco Ramirez-Valle, vice-presidente sênior de pesquisa em imunologia e desenvolvimento clínico inicial da Eli Lilly.

“O programa principal da Merida foi concebido para fazer exatamente isso: eliminar de forma seletiva e direta os autoanticorpos causadores da doença de Graves e da doença ocular da tireoide, preservando a função imunológica normal”, prosseguiu o executivo.

Ramirez-Valle ressaltou ainda que os dados iniciais da Fase 1 do programa já apontam maior eficácia e segurança. E acrescentou: “Vemos potencial para aplicar essa abordagem de precisão em uma ampla gama de doenças causadas por anticorpos”.

Ao destacar que a Merida foi fundada para “transformar fundamentalmente” a forma como as doenças autoimunes e alérgicas são tratadas, atacando diretamente os anticorpos que as causam, Adam Townsend, CEO da Merida Bioscenses observou:

“O anúncio de hoje reflete o trabalho árduo de toda a equipe da Merida e sermos incorporados pela Eli Lilly dá à nossa ciência os recursos e o compromisso necessários para concretizar esse potencial para pacientes com doenças autoimunes”, afirmou.

Para reforçar a relevância do acordo, a Eli Lilly apontou que a doença de Graves, causada por imunoglobinas estimuladoras da tireoide e um dos focos da Merida Biosciences, afeta cerca de 3 milhões de pessoas nos Estados Unidos, trazendo riscos cardiovasculares e de mortalidade elevados.

A farmacêutica também ressaltou que aproximadamente 25 a 40% dos pacientes com doença de Graves desenvolvem a doença ocular da tireoide, que pode causar dor e, em casos mais graves, a perda da visão.

O portfólio da Merida Biosciences inclui ainda o MER769, um tratamento experimental em fase pré-clínica focado em alergia alimentar, asma, urticária e outras doenças alérgicas, além de programa em estágio iniciais para doenças renais e outras condições autoimunes.

A transação anunciada hoje reforça o pacote de desembolsos feitos pela Eli Lilly em M&As, em particular, de empresas de biotecnologia em estágio inicial, a partir dos resultados financeiros obtidos com sua atuação no segmento de medicamentos contra obesidade e diabetes.

Segundo um levantamento do jornal britânico Financial Times, a companhia já havia investido até US$ 28,8 bilhões nessas aquisições apenas em 2026. A lista inclui nomes como a Centessa Pharmaceuticals, de medicamentos para distúrbios do sono, e a Kelonia Therapeutics, de oncologia.

Antes da Merida Bioscienses, o acordo mais recente dentro dessa conta foi anunciado em meados de julho, quando a farmacêutica americana divulgou a compra da AtaiBeckley, em um negócio de US$ 3,8 bilhões.

Apoiada pelo bilionário Peter Thiel, fundador do PayPal, da Palantir e da gestora de capital de risco FoundersFund, a AtaiBeckley é uma empresa de biotecnologia que desenvolve substâncias sintéticas para o tratamento da depressão resistente.

As ações da Eli Lilly registravam queda de 1,82% na Bolsa de Nova York por volta das 10h40 (horário local), avaliando a empresa em US$ 1,02 trilhão. No acumulado de 2026, os papéis têm, no entanto, alta de 7,3%.

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