A ação da Nvidia ganhou força após divulgar resultados acima das expectativas e projetar receita de US$ 108 bilhões para o próximo trimestre. As ações da fabricante de chips para inteligência artificial (IA) estão subindo 7,05%, a US$ 224,35, no pré-mercado desta quinta-feira, 27.
O avanço dos papéis veio depois de a companhia apresentar lucro ajustado de US$ 2,22 por ação no segundo trimestre fiscal, acima dos US$ 2,10 projetados pelos analistas consultados pela LSEG. A receita também superou o consenso, ao alcançar US$ 96,22 bilhões, contra estimativa de US$ 92,17 bilhões.
Para o trimestre fiscal atual, a Nvidia prevê receita de US$ 108 bilhões, com margem de variação de 2% para cima ou para baixo. O número supera os US$ 104,2 bilhões esperados pelo mercado. A projeção, porém, não considera qualquer receita de negócios de data centers na China.
Crescimento ainda acelerado
Os chips da companhia são utilizados na construção e operação dos modelos de IA mais avançados, enquanto a empresa também passou a oferecer apoio financeiro a projetos de novos data centers por meio de garantias e outros acordos que ajudam a viabilizar essas estruturas.
Quase quatro anos após o lançamento do ChatGPT, da OpenAI, o ritmo de expansão da Nvidia continua elevado. A receita do trimestre mais que dobrou em relação aos US$ 46,7 bilhões registrados um ano antes.
O lucro líquido também mais que dobrou, para US$ 53,95 bilhões, ante US$ 24,76 bilhões no mesmo período do ano passado. O lucro por ação passou de US$ 1,87 para US$ 2,22.
A CFO Colette Kress relatou que a Nvidia espera crescimento de 70% da receita no ano fiscal de 2028. A projeção é significativamente superior aos 44% esperados pelos analistas. As previsões apresentadas pelos clientes da Nvidia “apontam para que nosso crescimento dobre no próximo ano”.
A executiva afirmou que as projeções da companhia já levam em conta restrições de oferta.
Memória mais cara pressiona margens
Nem todos os efeitos do boom de IA são positivos para a Nvidia. A companhia espera que sua margem bruta recue e atinja o ponto mais baixo no quarto trimestre do ano fiscal de 2027, em uma faixa de 71% a 72%, parcialmente devido à alta dos preços de memória.
Kress afirmou que a empresa preferiu tratar diretamente da questão diante do impacto que a escassez pode ter sobre seus resultados. “Queremos ser diretos sobre isso, em vez de deixar a questão em aberto”, disse. A escassez é impulsionada em grande parte pela própria expansão da infraestrutura da IA.
Big techs seguem ampliando investimentos
Um dos principais sinais de que o ciclo de investimentos em IA continua forte veio da Amazon. A Amazon Web Services vai comprar 2 milhões de microprocessadores do tipo GPU da Nvidia e também utilizar o novo processador da companhia, chamado Vera.
O acordo ocorre em meio às dúvidas de investidores sobre até quando as grandes empresas de tecnologia continuarão aumentando os gastos com infraestrutura de IA. De acordo com Kress, os investimentos de capital das cinco maiores empresas de computação em nuvem devem alcançar US$ 1,3 trilhão no próximo ano.
Nvidia aumenta aposta em empresas de IA
A companhia também vem ampliando seus investimentos financeiros em empresas do setor. A Nvidia fez aportes expressivos em grandes laboratórios de IA, incluindo uma participação de US$ 30 bilhões na OpenAI adquirida no início deste ano.
O CEO Jensen Huang pontuou que gostaria de ter sido ainda mais agressivo nesses investimentos antes das esperadas ofertas públicas iniciais de ações dessas empresas. “Investir nessas empresas é uma oportunidade que acontece uma vez em uma geração”, detalhou. “O único arrependimento que tenho é não ter investido mais e antes.”
O executivo afirmou ainda que OpenAI e Anthropic, fabricante do Claude, “provavelmente abrirão o capital em breve” e que outras empresas devem seguir o mesmo caminho.
Ações têm alta mais moderada em 2026
O resultado chega em um momento em que os investidores estão menos eufóricos com a Nvidia do que estiveram nos últimos anos. Após uma valorização histórica de três anos, a ação acumulava alta de 11% até o fechamento de ontem, desempenho apenas ligeiramente superior ao do Nasdaq.
O crescimento do negócio permanece forte, mas a empresa começa a enfrentar uma concorrência mais evidente de nomes como Advanced Micro Devices (AMD) e Alphabet, dona do Google, além da pressão provocada pelo aumento dos custos de memória.












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