A Nvidia divulga nesta quarta-feira, 26, após o fechamento do mercado americano (a partir das 18 horas no horário de Brasília), os resultados do segundo trimestre fiscal de 2027. A ação da empresa vem da maior sequência de quedas na bolsa desde 2022: foram sete sessões no vermelho. Ontem, às vésperas do balanço, o papel subiu 2,17%.
Ainda assim, a ação (NVDA) sobe mais de 12,10% em 2026 e 18,5% nos últimos 12 meses.
O resultado também encerra a temporada de balanços das chamadas “Sete Magníficas”. Quase todo o S&P 500 já divulgou seus números. Mas, afinal, o que esperar para o balanço da empresa mais valiosa do mundo, com um valuation de US$ 5,16 trilhões?
A EXAME compilou informações de agências de notícias estrangeiras para responder ao questionamento.
Receita pode quase dobrar no trimestre
O consenso dos analistas está entre uma receita de US$ 91,85 bilhões e US$ 92,2 bilhões. A LSEG estima US$ 92,18 bilhões, enquanto a Zacks projeta US$ 91,85 bilhões, alta de 96% sobre os US$ 46,74 bilhões de um ano antes.
A própria Nvidia havia indicado, no balanço anterior, receita de US$ 91 bilhões, com margem de variação de 2% para mais ou para menos. A projeção não considera nenhuma receita de computação para data centers vinda da China.
O lucro por ação ajustado deve ficar próximo de US$ 2,09, segundo FactSet e Bloomberg, ou US$ 2,10 pela LSEG. O resultado praticamente dobraria os US$ 1,05 registrados um ano antes.
Data centers devem concentrar quase toda a receita
O segmento de data centers deve gerar entre US$ 85,1 bilhões e US$ 86,3 bilhões, alta de 107% a 110% na comparação anual. Com isso, responderia por cerca de 94% da receita total, ante 92% no primeiro trimestre.
Desde maio, a Nvidia passou a divulgar separadamente as vendas para grandes provedores (conhecidos como hyperscalers), como Amazon, Google e Microsoft, e para o restante da base de clientes, agrupada sob a sigla “ACIE”, que reúne nuvens de inteligência artificial (IA), indústria e empresas.
No primeiro trimestre, os hyperscalers tiveram receita de US$ 37,9 bilhões, contra US$ 37,5 bilhões do ACIE. O segundo grupo cresceu 31%, contra 12% dos provedores.
Para o segundo trimestre, a StreetAccount projeta US$ 43,6 bilhões para os hyperscalers, alta de 83%, e US$ 43 bilhões para o ACIE, avanço de 149%. Nos últimos quatro trimestres, os hyperscalers responderam por cerca de 55% da receita de data center.
“Por trás dessa história, reside a preocupação dos investidores sobre a sustentabilidade do crescimento da Nvidia e a sensação de que os provedores de hiperescala simplesmente não conseguem oferecer muito mais”, conforme o analista da Deepwater Asset Management, Gene Munster, à CNBC.
Vera Rubin entra no radar
Outro ponto importante do balanço será a transição dos clientes dos chips Blackwell para a nova geração Vera Rubin. Os primeiros embarques estão previstos para o outono do Hemisfério Norte, entre setembro e novembro.
Segundo a Nvidia, sistemas dos chips Vera Rubin já estão em operação em parceiros como CoreWeave, Google Cloud, Microsoft Azure, Oracle Cloud Infrastructure e Nebius.
Analistas do Morgan Stanley estimam que a nova geração pode gerar quase US$ 9 bilhões em vendas já no terceiro trimestre fiscal, encerrado em outubro. O banco espera que o Rubin represente um avanço relevante na economia das fábricas de IA em relação ao Blackwell.
Ainda há dúvidas sobre a capacidade da Nvidia de manter sua liderança no mercado de inferência diante do avanço da Advanced Micro Devices (AMD) e dos chips personalizados.
O CEO da Nvidia, Jensen Huang, havia projetado receita de até US$ 1 trilhão até 2027 somando Blackwell e Vera Rubin. A KeyBanc espera resultados e projeções fortes e vê o ritmo de embarques do Rubin como principal vetor de valorização.
Margem e guidance ficam no radar
A Nvidia projetou margem bruta ajustada de cerca de 75% para o segundo trimestre, com variação de meio ponto percentual para mais ou para menos. O nível é semelhante ao alcançado no primeiro trimestre.
Analistas citados pela StockStory chamam atenção para o aumento dos custos de memória de alta largura de banda e outros componentes, que pode pressionar a rentabilidade.
Para o terceiro trimestre fiscal, a Reuters aponta receita de US$ 104,2 bilhões, avanço de 82,8%. A margem bruta deve permanecer próxima de 75%, e o lucro por ação esperado está entre US$ 2,37 e US$ 2,38.
Para o ano fiscal completo, a LSEG estima crescimento de receita de 83%, para US$ 396 bilhões. No ano seguinte, a projeção é de desaceleração para 44%.
A Nvidia superou as expectativas nos últimos quatro balanços, mas as ações recuaram após cada divulgação. O mercado de opções prevê uma movimentação de 5,4% após o resultado, equivalente a cerca de US$ 280 bilhões em valor de mercado.
Financiamento da cadeia de IA gera debate
No início de agosto, a companhia anunciou um programa com BlackRock, Blackstone, KKR, Apollo, Brookfield e Goldman Sachs para mobilizar até US$ 500 bilhões em financiamento a clientes que constroem infraestrutura de IA.
A proposta, de acordo com a Nvidia, é transformar Unidade de Processamento Gráfico (GPUs, em inglês) em uma classe de ativo semelhante ao mercado imobiliário. Com os chips gerando retorno próprio, as empresas poderiam tomar crédito a taxas menores.
Até agora, foi assinado apenas um memorando de entendimento, sem detalhes operacionais divulgados.
Na semana anterior ao balanço, a Nvidia também se comprometeu a garantir até US$ 105 bilhões para viabilizar um contrato de locação de 20 anos de um data center da OpenAI em Ohio, nos Estados Unidos. O projeto prevê até US$ 150 bilhões em investimentos, apoio da SB Energy e capacidade de 8 gigawatts.
Concorrência aumenta no mercado de IA
A concorrência aumenta, principalmente, no segmento de inferência, com Intel e AMD avançando em processadores e as próprias big techs desenvolvendo chips personalizados.
Os gastos com data centers das grandes empresas de tecnologia devem superar US$ 730 bilhões neste ano, segundo a Reuters, além dos investimentos de empresas menores focadas em IA, como a CoreWeave.
Valuation ainda é visto como atrativo
A Nvidia é negociada a 24 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, perto do piso da faixa de valuation observada nos últimos cinco anos.
A companhia encerrou o primeiro trimestre com US$ 80,6 bilhões em caixa e equivalentes e gerou US$ 50,3 bilhões em fluxo de caixa operacional.












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