O Ibovespa opera em forte queda nesta terça-feira, 3, na volta do feriado do Dia de Finados, pressionado por Petrobras e ações domésticas. O dólar sobe com força, enquanto o mercado incorpora um Boletim Focus mais pessimista para inflação, juros e crescimento e acompanha o início da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).
No exterior, a aversão a risco aumenta com nova pressão sobre ações de tecnologia e com a escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã. Por volta das 11h (horário de Brasília), o principal índice da B3 recuava 1,44%, aos 165.508 pontos. O dólar comercial avançava 0,79%, a R$ 5,488.
O movimento dá continuidade à sequência de perdas no mercado brasileiro, que desde a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), já caiu mais de 18% até o pregão da última sexta, 30. A pressão sob os mercado na sessão de hoje é acompanhada pela expectativa pelo Copom, pelas eleições legislativas americanas e por novos dados dos Estados Unidos.
Petrobras cai mais de 5% e pesa no Ibovespa
Entre as blue chips, a Vale (VALE3) sobe 0,47% e ajuda a limitar as perdas, mas as ações da Petrobras estão entre as maiores pressões do índice. O papel preferencial da petrolífera (PETR4) cai 5,63% e o ordinário (PETR3) recua 5,85%, apesar da recuperação dos preços do petróleo no exterior. A Prio (PRIO3) perde 5,39% e Brava Energia (BRAV3) cai 2,71%.
Entre os bancos, Itaú (ITUB4) recua 0,87%, Banco do Brasil (BBAS3) perde 0,49% e BTG Pactual (BPAC11, do mesmo grupo controlador da EXAME) cai 1,16%. Bradesco (BBDC4) opera perto da estabilidade, com alta de 0,07%.
Embraer (EMBJ3) também avança, com alta de 2,44%, enquanto CSN (CSNA3) ganha 2,32%. Entre as maiores quedas aparecem Cogna (COGN3), com baixa de 8,86%, Tenda (TEND3), com 4,50%, Vamos (VAMO3), com 4,20%, e Magazine Luiza (MGLU3), com 3,55%.
Focus piora projeções para inflação, juros, dólar e PIB
O primeiro Boletim Focus divulgado após o 2º turno mostrou deterioração relevante das expectativas. Para 2027, a projeção de inflação subiu de 4,34% para 4,76%, enquanto a estimativa para a Selic avançou de 11,75% para 12,50%.
A previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) caiu de 1,31% para 1,20% e a expectativa para o dólar passou de R$ 5,15 para R$ 5,40. Para 2026, a projeção de inflação subiu para 5,22% e a de crescimento caiu para 1,76%.
Fábio Murad, sócio da Wiser Avaliações, afirma que o levantamento reforça a cautela já presente nos preços dos ativos. “O Focus de hoje reforçou essa cautela ao mostrar uma combinação desfavorável para as empresas: menos crescimento, mais inflação e juros elevados por mais tempo.”
Segundo Murad, o movimento no câmbio também não pode ser explicado apenas pelo relatório. “O Focus não determina a cotação nem permite atribuir a ele toda a alta desta sessão. O levantamento consolida uma deterioração das expectativas que já vinha aparecendo nos preços.”
Copom começa reunião com Selic em 13,75%
O Copom inicia nessa terça-feira, 3, a reunião de dois dias que definirá a nova taxa Selic. A taxa básica está atualmente em 13,75% ao ano, após cortes de 0,25 ponto percentual nas reuniões de agosto e setembro. A decisão será anunciada na quarta-feira, 4.
A expectativa do mercado é de manutenção da taxa em 13,75% ao ano.
Murad afirma que o comunicado será tão importante quanto a decisão sobre a taxa. “Para o Copom, a mensagem sobre os próximos meses será tão importante quanto a taxa anunciada.”
“Uma postura que preserve a confiança no controle da inflação tende a dar suporte ao real; uma redução considerada prematura arrisca elevar o dólar e os juros longos, anulando parte do benefício do corte”, detalhou o especialista.
Petróleo sobe após ataque dos Estados Unidos ao Irã
Os preços do petróleo avançam hoje após os Estados Unidos atacarem a ilha iraniana de Qeshm, próxima ao Estreito de Ormuz. O parâmetro global de preços Brent sobe 0,32%, a US$ 105,11 por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI, referência americana de valores) avança 0,91%, a US$ 97,34.
Autoridades americanas descreveram parte da ação como defensiva, enquanto um representante iraniano afirmou que um acordo para encerrar o conflito ainda está distante. O movimento devolveu parte do prêmio de risco à commodity depois de uma queda superior a 7% na sessão anterior.
Wall Street abre mista com Apple em queda e chips em alta
As bolsas de Nova York abriram sem direção única. O Dow Jones avança 0,41%, aos 51.983 pontos, enquanto o S&P 500 recua 0,51%, aos 7.541 pontos. O Nasdaq cai 1,07% e o Nasdaq 100 perde 1,39% nos primeiros minutos de negociação.
Apple cai cerca de 4% depois de divulgar uma projeção de margem abaixo das expectativas e vendas de iPad inferiores às estimativas no quarto trimestre fiscal, pressionando o setor de tecnologia logo na abertura.
Na direção oposta, as fabricantes de chips sobem e ajudam a limitar as perdas. Micron Technology avança quase 4%, enquanto Advanced Micro Devices (AMD) e Intel sobem mais de 3%. Broadcom e Nvidia ganham cerca de 2%.
Bolsas da Europa caem com nova venda de ações de tecnologia
As bolsas europeias operam em queda nessa terça-feira. O Stoxx 600 recua 0,31%, o DAX perde 0,51%, o FTSE 100 cai 0,67% e o FTSE MIB cede 0,27%. O CAC 40 registra baixa de 0,11%.
As empresas de semicondutores estão entre as principais pressões, em meio a uma nova rodada de realização no setor de inteligência artificial (IA).
ASML, ASM International, STMicroelectronics e Infineon registraram quedas relevantes pela manhã. A Reuters apontou que o movimento reflete dúvidas sobre a sustentabilidade do rali ligado à IA e sobre a relação entre os investimentos atuais e as receitas futuras.
Bolsas da Ásia fecham mistas
Na Ásia, os mercados encerraram sem direção única. O Nikkei caiu 0,33% em sua última sessão, enquanto o índice de Xangai recuou 0,82%. Em sentido contrário, o Hang Seng avançou 0,57%, o Nifty 50 subiu 1,58% e o S&P ASX 200 ganhou 0,34%.












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