O Ibovespa opera em forte queda nesta quarta-feira, 28, ainda sob efeito da reprecificação dos ativos após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto investidores acompanham as primeiras sinalizações sobre política econômica, a fuga de Flávio Bolsonaro (PL) do país e a decisão de juros do Federal Reserve (Fed) nos Estados Unidos, marcada para às 15h.
Por volta das 11h (horário de Brasília), o principal índice da B3 recuava 2,23%, aos 171.750 pontos. O dólar comercial, por outro lado, mantinha a queda da véspera ao cair 0,60%, cotado a R$ 5,319, devolvendo parte da disparada registrada no primeiro pregão após a eleição, quando subiu mais de 8%.
O mercado continua buscando maior clareza sobre a política fiscal e sobre quem comandará a equipe econômica no próximo mandato.
Bancos, varejo e construtoras pressionam o Ibovespa
Entre as ações de maior peso, Vale (VALE3) cai 0,51%, enquanto Petrobras também recua apesar da alta do petróleo, com PETR4 em baixa de 0,78% e PETR3 perdendo 0,57%.
Os bancos figuram entre as principais pressões do índice. Bradesco cai 3,31% nas ações preferenciais (BBDC4) e 2,46% nas ordinárias (BBDC3), Itaú (ITUB4) recua 2,35%, Banco do Brasil (BBAS3) perde 1,84% e BTG Pactual (BPAC11, do mesmo grupo controlador da EXAME) cede 3,09%.
Já Santander (SANB11) cai 3,94%, após o banco divulgar lucro 28% menor no terceiro trimestre e queda da rentabilidade. Na ponta positiva, Prio (PRIO3) sobe 2,20%, Hypera (HYPE3) avança 2,66%, RD Saúde (RADL3) ganha 1,18% e TIM (TIMS3), 1,16%.
Mas a queda é forte, ainda, entre ações mais ligadas à economia doméstica. Vamos (VAMO3) recua 6,87%, Cosan (CSAN3) perde 5,97%, Magazine Luiza (MGLU3) cai 5,74%, Azzas 2154 (AZZA3) cede 4,70%, Minerva (BEEF3) recua 4,39% e Cyrela (CYRE3) perde 4,26%.
Fuga de Flávio Bolsonaro mantém cenário político no radar
O noticiário político ganhou um novo elemento depois que Flávio Bolsonaro deixou o Brasil após o Supremo Tribunal Federal (STF) determinar o cancelamento de seus passaportes e proibi-lo de sair do país. O episódio se soma às dúvidas sobre a formação da equipe econômica e sobre a condução da política fiscal no próximo mandato.
Na avaliação da Monte Bravo, os ativos brasileiros ainda buscam um novo ponto de equilíbrio após a forte correção provocada pelo resultado eleitoral.
A casa destaca que o fechamento de parte da curva de juros e a recuperação do real na terça-feira indicaram alguma recomposição de posições, mas o Ibovespa permaneceu pressionado.
O foco agora passa para a capacidade do governo de apresentar um ajuste fiscal considerado crível, com medidas capazes de estabilizar a dívida pública. A definição do ministro da Fazenda é vista como um dos pontos centrais para avaliar a disposição do governo em avançar nessa agenda.
A Monte Bravo também destaca que as recompras de títulos públicos realizadas pelo Tesouro após a eleição ajudam a melhorar a liquidez do mercado, mas não substituem uma sinalização fiscal mais robusta.
Confiança da indústria cai pelo terceiro mês seguido
Na agenda doméstica, o Índice de Confiança da Indústria (ICI) da Fundação Getulio Vargas (FGV) caiu 0,3 ponto em outubro, para 91,0 pontos. O Índice de Situação Atual recuou 1,1 ponto, para 92,5 pontos, enquanto o Índice de Expectativas subiu 0,6 ponto, para 89,8 pontos.
Enquanto nos Estados Unidos, o principal evento do dia é a decisão de juros do Federal Reserve em meio à turbulência da bolsa brasileira, prevista para as 15h, no horário de Brasília. A expectativa predominante é de manutenção da taxa na faixa de 3,75% a 4% ao ano.
Na Alemanha, a confiança do consumidor da GfK para novembro ficou em -30,6 pontos. No Canadá, os investidores também acompanham a decisão de política monetária do banco central.
Wall Street hoje sobe antes do Fed e de balanços de big techs
As bolsas de Nova York abriram em leve alta nessa quarta-feira. O Dow Jones avançava 0,07%, aos 52.415 pontos, enquanto o S&P 500 subia 0,12%.
O Nasdaq ganhava 0,20% e o Nasdaq 100 avançava 0,26%. Os investidores aguardam a decisão do Fed e uma rodada de balanços de Microsoft, Alphabet, Amazon e Santander, entre os principais destaques corporativos do dia.
Petróleo hoje sobe com Brent acima de US$ 115
Os preços do petróleo avançam hoje em meio às preocupações com a oferta no Oriente Médio. O West Texas Intermediate (WTI), referência de preços americana, sobe 1,90%, a US$ 101,80 por barril, enquanto o parâmetro global Brent avança 1,18%, a US$ 115,22.
A alta ocorre após um ataque contra uma refinaria da Arábia Saudita voltar a elevar os riscos relacionados à oferta. Investidores também aguardam os dados oficiais dos estoques americanos de petróleo.
Bolsas da Europa hoje sobem antes de decisão do Fed
As principais bolsas europeias operam no campo positivo. O Stoxx 600 sobe 0,15%, enquanto o DAX, de Frankfurt, avança 0,43%. O FTSE 100, de Londres, ganha 0,24%, o CAC 40, de Paris, sobe 0,24% e o FTSE MIB, de Milão, avança 0,42%.
O mercado acompanha a temporada de balanços e aguarda as próximas decisões dos grandes bancos centrais, com o Fed no centro das atenções nessa quarta-feira.
Ásia hoje: Japão e China sobem com tecnologia em destaque
Os mercados asiáticos fecharam majoritariamente em alta hoje. No Japão, o Nikkei 225 avançou 1,08%, enquanto o índice de Xangai subiu 0,91% e o Hang Seng, de Hong Kong, ganhou 0,23%.
Na Austrália, o S&P/ASX 200 ficou praticamente estável, com queda de 0,03%, enquanto o Nifty 50, da Índia, recuou 0,22%.
O desempenho regional foi apoiado pelo setor de tecnologia, depois que a SK Hynix apresentou forte crescimento dos lucros, reforçando novamente o interesse por ações ligadas à inteligência artificial (IA).












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