As tentativas frustradas de venda do Digimais

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O Banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo, acumulou nos últimos anos uma série de tentativas frustradas de venda. A mais recente envolveu o BTG Pactual, que anunciou em 8 de abril de 2026 a assinatura de documentos vinculantes para aquisição do controle do banco.

O acordo, porém, dependia de condições como a vitória em processo competitivo e aprovações do Banco Central e do Cade, etapa à qual o negócio não chegou. Nove dias depois, a Polícia Federal protocolou a representação que embasa a Operação Miragem, deflagrada nesta terça-feira, 23 de junho, para apurar suspeitas de manipulação de demonstrativos contábeis e operações de crédito vedadas. O histórico de venda do Digimais já vinha de anos anteriores.

Em 2024, o banco apresentou ao BC plano de recomposição de capital e reestruturação. Em 2025, chegou a anunciar a transferência de controle para Maurício Quadrado, ex-Banco Master, mas a operação foi desfeita. Segundo relatório da PF, o BC vetou a transação por riscos ligados ao proponente. Nubank e Tércio Borlenghi Jr., da Ambipar, também teriam avaliado propostas, sem avanço.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

O Banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, acumulou nos últimos anos uma série de tentativas frustradas de venda. A mais recente foi protagonizada pelo BTG Pactual.

Em 8 de abril de 2026, o banco de André Esteves divulgou comunicado ao mercado informando que “celebrou documentos vinculantes para aquisição do controle acionário do Banco Digimais”. Os próprios acionistas do Digimais confirmaram as negociações em comunicado separado, um dia depois.

O acordo, no entanto, dependia de uma série de condições, entre elas, a declaração de sua proposta como vencedora em processo competitivo e a obtenção de aprovações regulatórias do Banco Central e do Cade. O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) também teria de aprovar um empréstimo.

Mas, segundo apurou o NeoFeed, a proposta de empréstimo não avançou no FGC. “Eles (FGC) não chegaram nem a fazer as contas”, diz uma fonte.

Nove dias depois, em 17 de abril, a Polícia Federal protocolou a representação que embasa a Operação Miragem, deflagrada nesta terça-feira, 23 de junho, e que cumpriu mandados de busca contra diretores do banco e da corretora ID, responsável pela administração de fundos da instituição. A investigação, subsidiada por relatórios do Banco Central, apura manipulação de demonstrativos contábeis e operações de crédito vedadas.

O histórico de tentativas frustradas de venda do Digimais, no entanto, vem de anos atrás. Em 1º de março de 2024, o próprio Digimais apresentou ao Banco Central um plano de recomposição de capital e reestruturação das operações, elaborado em conjunto com uma consultoria especializada.

O documento previa aumento de capital de R$ 250 milhões, provisionamento prudencial de R$ 200 milhões referente às aplicações em fundos de direitos creditórios, além de revisão da governança, do planejamento estratégico e da estrutura de gerenciamento de riscos.

Foi nesse contexto que surgiu o primeiro pretendente público. Em janeiro de 2025, o Digimais anunciou a transferência de seu controle para Maurício Quadrado, ex-sócio e ex-head de investment banking do Banco Master, por intermédio de sua holding, posteriormente rebatizada de BlueBank.

O negócio chegou a receber aprovação do Cade e foi amplamente noticiado como um acordo fechado. No processo no Cade, Quadrado chegou a descrever a aquisição como “uma boa oportunidade de expansão de seus negócios no segmento de varejo” e de ampliação da carteira de clientes.

O grupo de Quadrado, porém, nunca chegou a encaminhar a documentação necessária ao Banco Central e a operação foi desfeita cerca de dois meses depois.

Em comunicado enviado aos funcionários, ao qual o Valor Econômico teve acesso, a administração do Digimais disse que, “em comum acordo com o grupo de Quadrado, decidiu-se pela não continuidade do processo de transferência do controle societário”.

O relatório da Polícia Federal divulgado hoje vai além. Segundo o documento, o BC vetou ativamente a operação “em virtude dos riscos relevantes associados ao histórico e aos vínculos do proponente”.

Além de Quadrado, outros nomes chegaram a ser sondados. O Nubank avaliou a aquisição em meados de 2025, segundo a Bloomberg News, atraído pela possibilidade de obter uma licença bancária. Em dezembro, a própria fintech confirmou em comunicado aos investidores que pretendia obter a licença, sem mencionar o Digimais.

Tércio Borlenghi Jr., fundador da Ambipar, também chegou a apresentar uma proposta ao Banco Central, segundo o Metrópoles — mas o interesse não avançou. Meses depois, a própria Ambipar entrou com pedido de recuperação judicial.

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