O Bumble abandonou uma das principais regras que ajudaram a construir sua identidade no mercado de aplicativos de namoro. Na terça-feira, 11, a empresa eliminou a exigência de que apenas mulheres pudessem enviar a primeira mensagem após um match e ampliou de 24 para 72 horas o prazo para iniciar uma conversa.
A mudança aproxima o Bumble do Tinder, seu principal concorrente, justamente no aspecto que durante uma década serviu para diferenciar as duas plataformas.
O movimento ocorre em um momento delicado para o setor, com as ações do Bumble (BMBL) acumulando queda de 23,20% no ano, a US$ 2,78.
Em junho, fontes a par do assunto ouvidas pela Reuters indicaram que o Bumble estaria até negociando uma possível venda. Ele já valeu mais de US$ 7 bilhões na bolsa e hoje tem um valor de mercado de US$ 425,9 milhões, conforme o Investing.com.
A regra que marcou história do Bumble
Quando deixou o Tinder para fundar o Bumble, a empresária Whitney Wolfe Herd criou o novo aplicativo como um contraponto direto ao rival, uma espécie de alternativa progressista, cujos resultados positivos vieram em meados de 2010 e, depois, durante a pandemia de covid-19.
Só que a ruptura desse mecanismo vem sendo construída desde 2024. Naquele ano, o Bumble lançou o recurso Opening Moves, que permitia aos homens dar o primeiro passo ao responder a uma pergunta deixada no perfil de uma usuária.
A novidade reduziu, gradualmente, a exclusividade do modelo original. No início deste ano, a empresa chegou a testar o caminho inverso, restabelecendo a regra de que apenas mulheres poderiam iniciar a conversa em mercados como Austrália e México.
Em comunicado à imprensa, Wolfe Herd tentou minimizar o simbolismo da mudança, ao afirmar que a decisão “não é um afastamento da nossa visão fundadora, mas sim uma evolução dela.” As informações foram divulgadas pelo Business Insider.
Queda no engajamento
Levantamento da consultoria de análise de dados Apptopia mostra que os usuários ativos diários do Tinder caíram 14,14% na comparação anual, enquanto o Bumble registrou queda de 9,22% no mesmo indicador.
O Match Group, dono do Tinder, informou em seu balanço do segundo trimestre uma retração de 4% nos usuários ativos diários do aplicativo, porém o Tinder continua sendo o maior aplicativo de namoro do mundo.
O Match Group ainda se beneficia do bom desempenho do Hinge, outro aplicativo do grupo, o que ajudou a segurar o papel na bolsa. As ações do Match Group (MTCH) sobem 16,08% neste ano, a US$ 36,80.
Bumble quer seguir como aplicativo voltado a mulheres
O Bumble, ainda assim, tenta preservar a imagem de aplicativo voltado às mulheres. “Ao retornar como CEO, tenho reafirmado meu compromisso — ainda mais do que nunca — de tornar o Bumble melhor para as mulheres”, escreveu Herd no Instagram em fevereiro.
Parte dessa estratégia passa pelo “Bumble BFF“, um aplicativo à parte voltado à amizade, e não a relacionamentos românticos. A empresa tem promovido a plataforma como resposta à dificuldade da geração Z em fazer amigos.
Mas há sinais de que o público feminino também está se afastando do aplicativo principal. A Apptopia mostrou que o tempo médio diário que usuárias mulheres passam no Bumble caiu pelo terceiro mês consecutivo na comparação anual, com recuo de 48% em julho.
No mesmo período, a mesma métrica subiu tanto para o Tinder quanto para o Hinge em maio e junho.
Outro ponto em que os concorrentes seguem próximos é a insatisfação dos usuários, medida pelas avaliações negativas nas lojas de aplicativos. A consultoria Appfigures apurou que 72% das novas avaliações recebidas pelo Bumble são de uma estrela, contra 71% no caso do Tinder.
Aposta em inteligência artificial é adiada
Para tentar reverter o cenário, o Bumble prometeu aos investidores uma reformulação completa baseada em inteligência artificial (IA), batizada de Tech Stack 2.0. A promessa, no entanto, vem sendo adiada repetidamente.
Em agosto do ano passado, Herd disse ao Wall Street Journal que a empresa começaria a testar uma versão inicial do aplicativo com IA ainda no outono americano. Em novembro, ela informou a investidores que o lançamento estava previsto para meados de 2026.
Em maio desse ano, o Bumble empurrou a estreia para o fim do ano. Em agosto, o prazo foi adiado novamente, agora para 2027, sob a justificativa de um atraso na migração de dados. E essa sucessão de adiamentos tem rendido muitas críticas dos investidores.
O analista da Raymond James, Andrew Marok, escreveu que os atrasos do Bumble estão deixando “dúvidas reais sobre a credibilidade do cronograma do Tech Stack 2.0 e, por extensão, de toda a narrativa de relançamento da IA que sustenta uma reaceleração.”
Diante da demora no projeto de IA, a empresa também vem apostando em outra carta para tentar se reinventar. Trata-se de um recurso que deve eliminar o próprio mecanismo de arrastar para curtir ou descartar perfis, mas até agora a empresa não revelou detalhes do recurso, alegando sigilo competitivo.
*Com informações de agências de notícias












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