Quando dezembro chega, não são apenas as vitrines que brilham com luzes e enfeites. Investidores ao redor do mundo também ficam atentos a outro tipo de magia natalina: a possibilidade de um rali nas bolsas de valores — o famoso rali do Papai Noel.
Com nome festivo, mas impacto real, o rali de Natal costuma embalar os mercados com ganhos acima da média nos últimos pregões do ano. Embora tenha origem sazonal, o padrão é acompanhado de perto por analistas e gestores, que o consideram um importante termômetro do humor dos investidores.
O que é o rali de Natal?
O rali do Papai Noel é um padrão estatístico observado nas bolsas americanas e internacionais, caracterizado por uma valorização das ações nos últimos cinco pregões de dezembro e nos dois primeiros de janeiro.
A expressão se popularizou com o trabalho do analista Yale Hirsch, criador do Stock Trader’s Almanac, que documentou a recorrência do fenômeno desde 1950.
No período, o S&P 500 teve desempenho positivo em cerca de 77% dos anos, com retorno médio de 1,3% nesses sete pregões — significativamente acima da média semanal histórica do índice, que gira em torno de 0,2%.
“Apesar do nome simpático, o rali de Natal é uma ferramenta importante de leitura de humor do mercado”, afirma Jeffrey Hirsch, filho de Yale e atual editor do Stock Trader’s Almanac, ao MarketWatch. “Mesmo anos com início de dezembro fraco não impediram o rali. O comportamento durante essa semana específica diz muito sobre o sentimento para o ano seguinte.”
Brasil também entra no clima
No Ibovespa, o padrão também aparece. Um levantamento feito pela Elos Ayta Consultoria aponta que o Ibovespa registrou alta em 17 dos últimos 24 meses de dezembro, com desempenho positivo mais frequente do que negativo.
“Os mercados são, por definição, imprevisíveis. Mas há sim alguns motivos para acreditarmos que há chances para isso”, disse em entrevista ao portal da B3. “Há uma tendência global de apetite ao risco, com sinais mais firmes de que o Fed cortará juros em dezembro, e isso tem levado fluxo de recursos aos mercados emergentes e beneficiando suas bolsas, e isso inclui o Brasil”.
Por que isso acontece?
Apesar de não haver uma causa única, analistas costumam apontar uma combinação de fatores para justificar o movimento:
- Liquidez reduzida: com gestores e fundos tirando férias, o volume cai e os movimentos de preço ficam mais sensíveis.
- Reposicionamento de carteiras: investidores ajustam estratégias para o novo ano e fundos buscam fechar o período com desempenho positivo.
- Aporte de recursos: bonificações, aportes em previdência e retorno de capital após vendas para abatimento fiscal geram entrada de dinheiro na bolsa.
- Clima positivo: o fim do ano tende a trazer otimismo. Não há reuniões do Fed, nem temporada de resultados, e as empresas evitam divulgar más notícias.
2025 tem chance?
Neste ano, o cenário tem elementos que podem impulsionar mais uma vez o rali. O Ibovespa atingiu máximas históricas, superando 143 mil pontos. Já o S&P 500 soma 15% de alta e acumula 37 recordes em 2025.
Além disso, a expectativa de corte de juros pelo Fed em 2026 segue sustentando o apetite por risco global.
O clima, no entanto, não é de festa garantida. O setor de tecnologia, que liderou os ganhos do ano com a onda da inteligência artificial, começou a sofrer pressão nas últimas semanas.
O recuo da Oracle em um projeto de US$ 10 bilhões com a Blue Owl Capital acendeu alertas sobre o nível de endividamento e o retorno real dos investimentos em infraestrutura para IA.
E essa rotação já está visível. Setores como bancos, transporte e pequenas empresas vêm apresentando desempenho superior ao da média do mercado em dezembro, sugerindo uma ampliação do rali além das big techs.












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