Ação da Nvidia cai com proposta de Trump para controlar exportação de chips

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As ações da Nvidia recuaram 1,9% após a divulgação de um projeto de regulamentação do governo de Donald Trump que pretende restringir a exportação de chips de inteligência artificial (IA) produzidos por empresas americanas.

A Nvidia é líder global em computação para inteligência artificial e no desenvolvimento de semicondutores usados para treinar e executar modelos avançados de IA, como o ChatGPT. A possível ampliação dos controles de exportação preocupa investidores, já que pode limitar as vendas da companhia para clientes internacionais.

Donald Trump e Jensen Huang, CEO da Nvidia (Andrew Harnik/Getty Images) (Andrew Harnik/Getty Images)

A empresa já havia enfrentado uma queda semelhante em abril do ano passado, quando Estados Unidos e China intensificaram a disputa comercial no setor de tecnologia. Na ocasião, Washington impôs restrições à exportação de chips avançados para empresas chinesas.

Agora, autoridades americanas elaboraram um documento que pode restringir o envio de chips de IA para qualquer país sem autorização do governo dos EUA. A medida daria a Washington amplo poder para decidir quais nações podem adquirir a tecnologia e desenvolver centros de dados voltados ao treinamento e à operação de sistemas de inteligência artificial.

Esses chips estão entre os componentes mais disputados da indústria de tecnologia. Empresas como OpenAI e Alphabet compram milhares dessas unidades para equipar centros de dados que sustentam serviços de IA, como o ChatGPT e o Gemini.

O governo Trump tem afirmado frequentemente que deseja ampliar o uso global de tecnologias de inteligência artificial desenvolvidas nos Estados Unidos. As regras preliminares, porém, não foram desenvolvidas como uma proibição direta às exportações da Nvidia. Na prática, a proposta colocaria o governo norte-americano em uma posição de supervisão sobre o setor de IA: empresas ou seus próprios governos precisariam obter autorização do Departamento de Comércio dos EUA para adquirir esses chips avançados.

A maneira como a administração Trump decidir conceder essas licenças poderá influenciar diretamente a capacidade dos países importadores de desenvolver infraestrutura digital estratégica. Empresas interessadas em construir conjuntos de servidores de grande porte teriam de ter uma autorização prévia antes mesmo de solicitar as licenças de exportação. Dependendo das características dos centros de dados, elas também poderiam ser obrigadas a cumprir exigências adicionais, como divulgar detalhes de seus modelos de negócios ou permitir inspeções por parte do governo dos Estados Unidos.

A proposta elaborada pela equipe de Donald Trump ainda não está finalizada. O documento aguarda contribuições de diferentes agências federais, o que significa que seu conteúdo pode sofrer mudanças relevantes, ou até ser abandonado caso outras prioridades ganhem espaço na agenda do governo. Mesmo assim, a iniciativa já é vista como o movimento mais significativo da atual administração para estruturar uma estratégia global de exportação de chips desde que abandonou, em maio, a abordagem adotada pelo governo de Joe Biden.

Integrantes do governo Trump criticaram a chamada regra de “difusão de IA”, criada pela gestão Biden, que controlava as vendas de chips de inteligência artificial para a maioria dos países e estabelecia limites para exportações. Na avaliação deles, o modelo era excessivamente burocrático. Para a atual administração, a prioridade é incentivar que outros países adotem tecnologias de IA desenvolvidas nos EUA, em vez de recorrer a soluções chinesas.

De modo geral, líderes estrangeiros demonstram desconforto com a ideia de submeter o futuro tecnológico de seus países às decisões de Washington. No entanto, quando se trata de capacidade computacional avançada, as alternativas são limitadas.

Na prática, os países podem recorrer a chips produzidos por empresas americanas como a Nvidia, líder global do setor com ampla vantagem tecnológica, ou a fornecedores chineses como a Huawei Technologies. A companhia chinesa, embora produza chips menos potentes e em volumes significativamente menores, também busca ampliar sua presença no mercado internacional.

Para desencorajar essa alternativa, Washington já sinalizou que o uso de aceleradores de inteligência artificial da Huawei Technologies em qualquer parte do mundo pode ser considerado uma violação das restrições comerciais impostas pelos EUA.

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