Queremos avançar com medicamentos no Mercado Livre este ano, diz Yunes

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No ano passado, o Mercado Livre começou a preparar terreno para entrar na venda de medicamentos. Comprou, em agosto, uma farmácia no Jabaquara que pertencia à Memed, healthtech de prescrições médicas digitais. Ter um estabelecimento físico é condição para qualquer empresa que se proponha a comercializar esse tipo de produto pela internet. O movimento não passou nem um pouco despercebido e deu o que falar no varejo farmacêutico tradicional, como mostrou reportagem da revista EXAME em outubro. Agora, em 2026, a meta é avançar com o projeto.

“Em breve a gente começa um piloto para avançar e trazer medicamentos para a plataforma”, afirmou Fernando Yunes, vice-presidente do Mercado Livre no Brasil à EXAME. O Meli já deixou claro que a intenção não é abrir uma rede farmácias próprias, mas sim trazer esses estabelecimentos para dentro do market place. A companhia também negou as acusações de associações do varejo farmacêutica de que estaria tentando verticalizar o negócio.

A lei que permite a instalação de farmácias e drogarias dentro de supermercados, sancionada esta semana,  trouxe expectativas de que o negócio pode por fim avançar.

“É a única categoria de comércio em que não atuamos no Brasil. México, Argentina, Chile e Colômbia comercializam medicamentos com e sem receita. Agora, com esse movimento, essa atualização da lei, a gente está se organizando para trazer novidades neste ano”, diz Yunes. 

A medida altera a legislação que regula o comércio de medicamentos no país e tem como objetivo ampliar o acesso da população, mantendo as exigências sanitárias e de segurança na dispensação.

Pela nova regra, os estabelecimentos poderão operar farmácias dentro de suas áreas de venda, desde que em um espaço físico delimitado, separado e exclusivo para a atividade farmacêutica. Ou seja, não será permitido vender medicamentos em prateleiras comuns do supermercado.

No Brasil, o Meli ainda não consegue replicar a operação já em vigor em outros países da América Latina por questões regulatórias. O ponto nevrálgico do entrave é uma resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a RDC 44. Ela veta a oferta de medicamentos pela internet que não seja feita por farmácias ou drogarias autorizadas e licenciadas por órgãos competentes. Em resumo: o remédio não pode sair de um centro de distribuição do Mercado Livre. Essa resolução não mudou junto com a flexibilização para os supermercados. 

Investimento bilionário no Brasil

O Mercado Livre anunciou um investimento de R$ 57 bilhões no Brasil em 2026, o maior já realizado pela companhia no país. O valor representa um aumento de 50% em relação aos R$ 38 bilhões aportados em 2025 e reforça a estratégia da empresa de ampliar sua presença no mercado brasileiro.

Além do aporte, a empresa prevê a criação de 10 mil novos postos de trabalho, elevando seu quadro para mais de 70 mil funcionários no Brasil até o fim do ano. A expansão ocorre em um momento em que o país concentra mais da metade da receita da companhia.

Os recursos serão direcionados a três frentes principais: logística, fortalecimento do marketplace e serviços financeiros. Na área logística, o plano inclui a abertura de 14 novos centros de distribuição, o que deve levar o total a 42 unidades no país e aumentar em 50% a quantidade de CDs Fulfillment.

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