Os balanços divulgados pelas grandes empresas de tecnologia nesta semana trouxeram um sinal concreto que o mercado vinha cobrando há meses: evidências de retorno financeiro dos pesados investimentos em inteligência artificial (IA). E, nesse ponto, duas companhias têm papel central, a OpenAI e a Anthropic.
No primeiro trimestre de 2026, tanto Microsoft quanto Amazon reportaram resultados bilionários diretamente ligados às participações nessas empresas, evidenciando o peso crescente dessas apostas dentro das big techs.
No caso da Amazon, o lucro líquido de US$ 30,3 bilhões, que representou uma alta de 77% em relação ao ano anterior, foi impulsionado por um ganho não recorrente de US$ 16,8 bilhões relacionado à sua participação na Anthropic.
Sem esse efeito, o lucro teria sido de cerca de US$ 17,5 bilhões, praticamente estável na comparação anual. Ou seja, mais da metade do resultado reportado no trimestre teve origem direta no investimento na empresa de IA.
Já a Microsoft também se beneficiou da sua exposição à OpenAI. A companhia registrou lucro líquido de US$ 31,8 bilhões no trimestre, com alta de 23%, incluindo efeitos não recorrentes e o retorno do investimento na desenvolvedora do ChatGPT.
Embora a empresa não detalhe o valor exato desse impacto, ela destaca que o crescimento foi impulsionado pela nuvem e pelos serviços de inteligência artificial, áreas integradas à OpenAI.
Os números ajudam a dimensionar o tamanho dessas participações. Não se trata apenas de apostas estratégicas de longo prazo, mas de ativos que já geram impacto relevante, e imediato, nos resultados financeiros.
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Gastos com IA atingem um recorde
Esse movimento ocorre em meio a um ciclo histórico de investimentos em IA. Amazon, Microsoft, Alphabet e Meta somaram mais de US$ 130 bilhões em despesas de capital apenas no primeiro trimestre, majoritariamente direcionadas à construção de data centers e infraestrutura para suportar modelos de inteligência artificial.
A expectativa é de que esse valor chegue a cerca de US$ 700 bilhões ao longo de 2026.
Durante boa parte do último ano, esse nível de investimento gerou dúvidas em S&P 500 e no mercado em geral sobre a capacidade de retorno, especialmente diante do alto custo de infraestrutura e da incerteza sobre monetização. Os resultados mais recentes, no entanto, começam a mudar essa percepção.
Parte dessa inflexão vem do próprio desempenho das companhias. A Anthropic, por exemplo, tem apresentado crescimento acelerado de receita, impulsionado por produtos como o Claude Code. Neste mês, a empresa anunciou que suas vendas em março equivaleram a US$ 30 bilhões por ano, um aumento em relação aos US$ 9 bilhões registrados no final de 2025.
Enquanto a OpenAI segue ampliando sua presença em aplicações corporativas e serviços em nuvem via Microsoft.
A empresa de inteligência artificial, fundada há cinco anos por ex-executivos da OpenAI, também está em negociações com investidores para captar recursos com uma avaliação de US$ 900 bilhões, segundo uma pessoa familiarizada com o assunto à CNBC.
O avanço dessas empresas também tem reforçado a demanda por serviços das próprias big techs. Tanto OpenAI quanto Anthropic se comprometeram a investir volumes massivos em poder computacional fornecido justamente por Microsoft, Amazon e Google, criando um ciclo no qual investimento e receita se retroalimentam.
“As expectativas estão ficando cada vez maiores”, disse Arjun Bhatia, que cobre empresas de tecnologia para o banco de investimentos William Blair, em entrevista ao The New York Times.
Na semana passada, o Google e a Amazon anunciaram planos para investir até US$ 65 bilhões combinados na Anthropic, e fornecerão à empresa pelo menos 10 gigawatts de poder computacional, o que é suficiente para abastecer mais de quatro milhões de residências.
Há ainda expectativas altas sobre os resultados das big techs neste trimestre. A margem de lucro líquido consolidada do primeiro trimestre, uma combinação de resultados e estimativas, de 13,4%, se confirmada, seria a maior já registrada desde que a FactSet começou a monitorar esse indicador, observou recentemente John Butters, da organização.
Ainda assim, permanecem dúvidas. Analistas apontam riscos na dependência crescente dessas companhias e questionam quanto do investimento em IA se converterá, de fato, em crescimento estrutural de receita, e não apenas ganhos pontuais ou efeitos contábeis.












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